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Nadia Comaneci, que aos 14 anos recebeu a primeira nota 10 da história das Olimpíadas, elogiou o salto de Rebeca Andrade. Em entrevista ao "Jornal Nacional", a romena disse que a brasileira faz "um dos movimentos mais tecnicamente corretos e precisos" que já viu. Segundo Nadia, a campeã olímpica está entre as poucas ginastas com precisão suficiente para merecer um 10, nota que não existe mais.
"Muito raramente você encontra alguém que junte dificuldade, execução e dons artísticos", afirmou Nadia, classificando o salto de Rebeca como uma "execução perfeita". Cinquenta anos depois do feito, ela acredita que a busca pela série perfeita ainda esteja nos sonhos dos ginastas.
Rebeca lidera a execução no Mundial de Roterdã
Rebeca avançou à final do salto no Mundial de Roterdã, na Holanda, com as melhores notas de execução da competição feminina. Na classificatória, na segunda-feira, a brasileira fez um Yurchenko com dupla pirueta, que valeu 14,400 (9,400 de execução), e um Lopez, que somou 14,266 (9,466 de execução). Com 0,2 de bonificação, ficou com média de 14,533 e na liderança do salto.
Segundo o material publicado pelo ge, a estratégia em Roterdã foi apostar na perfeição diante de adversárias com notas de dificuldade mais altas. Rebeca ainda não apresentou o Cheng, seu movimento de maior dificuldade. Os canais sportv transmitem as finais do Mundial de ginástica artística ao vivo, a partir desta terça-feira.
Como funciona a nota e o recorde de execução
Desde 2006, a ginástica soma duas notas. A de dificuldade define o grau de complexidade da série. A de execução mede a perfeição com que a rotina é apresentada: a ginasta começa com 10 e sofre deduções ao longo da série.
Rebeca detém a maior nota de execução da história da ginástica artística: 9,733, no salto dos Jogos Pan-Americanos de 2023, com um Cheng que, segundo a fonte, beirou a perfeição. Só uma outra ginasta, uma americana, chegou à nota tão alta, também no salto, com um Amanar nas Olimpíadas de 2012. Neste ano, no Campeonato Brasileiro, Rebeca recebeu 9,7 pelo Yurchenko com dupla pirueta.
Para Nadia, a nota ficou aquém do que a brasileira apresentou. "Um 9,7 é algo ainda muito baixo para o que ela fez. Tinha que ser no mínimo 9,9. Apenas nos desenhos você consegue criar algo que é 100% correto. Fisicamente não é assim", disse a romena.
"Pra mim, eu tô perfeita", diz Rebeca
Questionada sobre o que é perfeição, Rebeca respondeu que é terminar uma competição com a certeza de ter feito o máximo que podia, sem mudar nada. "Pra mim, eu tô perfeita (risos)", disse. Ela afirmou ainda que pensar em melhorar ajuda a se entregar melhor ao esporte, mesmo sem atingir a perfeição, e que esse pensamento é benéfico.
