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Nor’easter que agitou o mar das Carolinas à Flórida vira a tempestade Josephine

8 min de leitura
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O nor'easter que agitou o mar das Carolinas à Flórida nos últimos dias ganhou nome. Às 17h (horário do leste) de quarta-feira, 21, o Centro Nacional de Furacões (NHC) passou a chamar o sistema de tempestade subtropical Josephine, com ventos sustentados de 100 km/h e o centro a cerca de 425 quilômetros ao sul de Nantucket, em Massachusetts. Na manhã de sábado, 17, o NHC ainda não esperava a formação de nenhum ciclone tropical nos sete dias seguintes; no domingo, 18, passou a acompanhar o sistema ao largo da costa sudeste dos EUA.

Antes de ganhar nome, o sistema ficou vários dias perto do litoral (o NHC previa que ele se movesse devagar e de forma errática), com ventania, ondas altas e inundação costeira das Carolinas à Virgínia e mar perigoso até a Flórida. No Outer Banks, na Carolina do Norte, o mar invadiu e danificou a rodovia NC 12, o acesso por estrada à ilha de Hatteras.

Do nor'easter à Josephine

No domingo, 18, o NHC passou a acompanhar uma área de baixa pressão não tropical, com ventos de força de tempestade, que se formaria na costa sudeste dos EUA, com 30% de chance de virar ciclone em sete dias. "Independentemente de se desenvolver, este sistema vai causar ventos fortes, inundação costeira e mar perigoso em partes da costa leste dos EUA", escreveu o centro. Na segunda, 19, a chance subiu para 40%.

Na quarta à tarde, o sistema ganhou características subtropicais e virou Josephine. Às 23h de quarta, segundo o aviso nº 2 do NHC, os ventos sustentados seguiam em 100 km/h, e os ventos de 64 km/h se estendiam por até 665 quilômetros a partir do centro. O NHC não emitiu alertas para a costa e explicou que os riscos de vento no litoral já vinham sendo cobertos, havia vários dias, pelos alertas dos escritórios locais do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), que continuariam valendo.

A previsão do NHC é que Josephine se afaste dos EUA rumo a nordeste nesta quinta-feira, 22, passe ao sul da Nova Escócia e da Terra Nova, no Canadá, e pode virar um ciclone pós-tropical com ventos de força de furacão.

Imagem de satélite da costa leste dos EUA, com a massa de nuvens em espiral do sistema de baixa pressão sobre o Atlântico, ao largo da Carolina do Norte e do Meio-Atlântico, às 11h01 (horário do leste) de 20 de outubro de 2026
Imagem de satélite da costa leste dos EUA, com a massa de nuvens em espiral do sistema de baixa pressão sobre o Atlântico, ao largo da Carolina do Norte e do Meio-Atlântico, às 11h01 (horário do leste) de 20 de outubro de 2026. Foto: NOAA/NESDIS/STAR, satélite GOES-19

O que aconteceu no Outer Banks

O condado de Dare decretou emergência na sexta-feira, 16, e mandou os visitantes deixarem a ilha de Hatteras; os moradores não precisaram sair, segundo a emissora WRAL. Até quarta, visitantes continuavam proibidos de entrar na ilha.

A NC 12 foi fechada por volta das 18h de segunda, 19, em Pea Island, depois que o mar passou por cima das dunas, segundo o jornal Island Free Press, como a TV Connect USA mostrou na terça. Na manhã de quarta, o Departamento de Transportes da Carolina do Norte (NCDOT) informou que a rodovia seguia fechada da ponte Marc Basnight até Rodanthe e que cerca de 245 metros (800 pés) de pavimento tinham sido danificados pela força do mar, segundo a WRAL. O estado também calcula que cerca de 550 metros (1.800 pés) de dunas de proteção foram perdidos perto do centro de visitantes de Pea Island. Em Ocracoke, a NC 12 estava aberta, sem registro de invasão do mar. Em setembro, outro nor'easter já tinha danificado um trecho de cerca de 300 metros da mesma estrada.

Na noite de quarta, o escritório do NWS em Newport/Morehead City mantinha alerta de inundação costeira para a ilha de Hatteras até as 20h de quinta, com até 60 centímetros a 1,2 metro de água acima do solo nas áreas baixas e risco de inundação nos trechos vulneráveis da NC 12, além de ondas de 2,1 a 3,4 metros na arrebentação.

O mar subiu

Nos marégrafos da NOAA de Norfolk e de Duck, os níveis mais altos desde o dia 16 foram registrados na tarde de quarta, 21, segundo dados preliminares. Em Sewells Point, em Norfolk, na Virgínia, a água chegou a 62 centímetros (2 pés) acima da média das marés altas às 18h24. Em Duck, no Outer Banks, o pico foi de 60 centímetros às 16h54. Segundo o NHC, a inundação costeira de fraca a localmente moderada no Meio-Atlântico deve continuar até o fim da semana, nos horários de maré alta.

Gráfico mostra o nível do mar em relação à média das marés altas nos marégrafos de Sewells Point, em Norfolk, na Virgínia, e de Duck, na Carolina do Norte, de 16 a 21 de outubro de 2026, com picos de cerca de 60 centímetros na tarde de 21 de outubro
Gráfico mostra o nível do mar em relação à média das marés altas nos marégrafos de Sewells Point, em Norfolk, na Virgínia, e de Duck, na Carolina do Norte, de 16 a 21 de outubro de 2026, com picos de cerca de 60 centímetros na tarde de 21 de outubro. Foto: Arte TV Connect USA com dados da NOAA/CO-OPS

E na Flórida?

Na Flórida, o efeito foi no mar. No sábado, 17, o NWS previu ondas de 2,1 a 3,7 metros (7 a 12 pés) nas praias do nordeste do estado, perto de Jacksonville, e de 1,2 a 3 metros (4 a 10 pés) de Volusia a Martin. No sul da Flórida, o NWS de Miami alertou para correntes de retorno perigosas nas praias de Palm Beach, Broward e Miami-Dade até a noite desta quinta, 22. Segundo o NHC, as ondulações geradas por Josephine atingem grande parte da costa leste e devem provocar mar e correntes de retorno com risco de vida.

Como se preparar para um nor'easter

Nor'easter é uma tempestade que se forma na costa leste da América do Norte, segundo a NOAA. Ela começa a se formar a até 160 quilômetros (100 milhas) do litoral, entre Nova Jersey e a Geórgia. Pode acontecer em qualquer época, mas é mais comum de setembro a abril. Ao contrário dos furacões, que se alimentam de ar quente, os nor'easters ganham força com o ar frio, e as rajadas podem passar da força de um furacão. As ondas causam erosão nas praias e danos a construções.

O que recomendam o site oficial Ready.gov e o NWS:

  • Seguro: o seguro residencial comum não cobre enchente. A apólice do programa federal de seguro contra enchentes (NFIP) pode levar até 30 dias para começar a valer, por isso é preciso contratar antes.
  • Kit: tenha comida não perecível, produtos de limpeza e água para vários dias.
  • Água na rua: não entre a pé nem de carro. Segundo o Ready.gov, 15 centímetros de água em movimento derrubam uma pessoa, e 30 centímetros arrastam um carro. O lema oficial é "Turn Around. Don't Drown!" (dê meia-volta, não se afogue).
  • Evacuação: saia imediatamente se as autoridades mandarem e só volte quando disserem que é seguro.
  • Gerador: use apenas ao ar livre, longe de janelas.
  • Praia: nade perto de salva-vidas e, "na dúvida, não entre", recomenda o NWS. Se for pego por uma corrente de retorno, não lute contra ela: nade paralelo à praia até sair da corrente e depois volte. Se não conseguir, boie, acene e grite pedindo ajuda.

Perguntas frequentes

O que é a tempestade Josephine?
É a tempestade subtropical em que se transformou, na tarde de 21 de outubro de 2026, o sistema de baixa pressão que o NHC acompanhava desde o dia 18 ao largo da costa sudeste dos EUA e cujos efeitos no litoral, segundo o NHC, vinham sendo cobertos havia dias pelos alertas do NWS. Segundo o NHC, ela deve se afastar dos EUA nesta quinta-feira, 22.

A NC 12 está aberta?
Na quarta-feira, 21, o trecho entre a ponte Marc Basnight e Rodanthe seguia fechado, segundo o NCDOT. As condições atualizadas ficam no site DriveNC.gov.

Nor'easter é a mesma coisa que furacão?
Não. Segundo a NOAA, os furacões nascem em águas quentes dos trópicos e se alimentam de ar quente, enquanto os nor'easters se formam junto à costa leste e ganham força com o ar frio.

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