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Escritórios de parlamentares e órgãos eleitorais de vários estados americanos receberam, nos últimos dias, envelopes com um pó branco ou "substâncias suspeitas". Os primeiros casos foram relatados em 13 de outubro, em Louisiana e Oklahoma, segundo a agência UPI, e a lista não parou de crescer: até a madrugada de quarta-feira (21), mais de três dezenas de senadores e deputados, de ambos os partidos, já haviam relatado envelopes suspeitos, segundo a UPI.
Os testes feitos até agora não encontraram nada perigoso, e ninguém ficou ferido. O FBI, o Serviço de Inspeção Postal (USPIS) e a Polícia do Capitólio investigam. Até a noite de quarta-feira (21), nenhuma prisão tinha sido anunciada e nenhum suspeito havia sido identificado publicamente.
Onde as cartas chegaram
Em Nova York, equipes de emergência foram chamadas ao escritório do deputado democrata Ritchie Torres, no Bronx, na sexta-feira (16). Seis pessoas foram expostas ao pó, segundo o jornal amNewYork, e a substância não era perigosa. O envelope tinha origem em San Antonio, no Texas, segundo a CBS News. "Foi uma experiência perturbadora para toda a minha equipe. A ideia de um ataque químico é profundamente perturbadora para as pessoas que dedicam a vida ao serviço público", disse Torres em entrevista à TV.
No mesmo dia, o senador republicano Ted Cruz informou que o escritório dele em Houston recebeu uma correspondência "com uma substância em pó branca". "Tentativas de intimidar adversários políticos não têm lugar no nosso país", escreveu. Em Milwaukee, a deputada democrata Gwen Moore confirmou que o escritório dela foi um dos alvos. Em Salem, Massachusetts, o deputado democrata Seth Moulton divulgou a foto do envelope enviado ao gabinete dele.
Também foram alvo o gabinete do líder da minoria no Senado, o democrata Chuck Schumer, e pelo menos três senadores republicanos, segundo a CBS News. No escritório do senador republicano Pete Ricketts, em Omaha, as autoridades policiais confirmaram que a substância não era perigosa. Na terça-feira (20), pelo menos mais nove parlamentares anunciaram ter recebido envelopes, entre eles a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez e os senadores republicanos Jim Banks e Deb Fischer, de acordo com a UPI. Ocasio-Cortez disse que os envios parecem ter "a intenção de intimidar servidores públicos e semear ainda mais divisão".
Órgãos eleitorais de pelo menos 15 estados também foram alvo, segundo levantamento da NBC News de 15 de outubro, entre eles Arizona, Geórgia, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Em Louisiana e Oklahoma, os pacotes levaram à evacuação dos escritórios, segundo a Associated Press.
A carta que falava em "guerra civil"
A deputada democrata Hillary Scholten, de Michigan, disse que a carta que chegou ao escritório dela em Grand Rapids, com um pó branco, fazia referência direta a uma "guerra civil" iminente e dizia ser dos Socialistas Democráticos da América (DSA). "Ninguém deveria se sentir inseguro fazendo esse trabalho", afirmou ela, que pediu que o extremismo seja rejeitado "independentemente de partido ou origem".
O DSA nega qualquer envolvimento. Em nota à CBS Detroit, o grupo disse que o endereço de remetente impresso nas cartas, em Nova York, foi um escritório do DSA, mas que não é ocupado pela organização há mais de uma década. "Não temos envolvimento com essas cartas", afirmou o grupo, que condenou "todas as ameaças e a violência" contra políticos, "independentemente de partido".
Segundo a UPI, os nomes e endereços dos destinatários foram escritos à mão, e os endereços de remetente são impressos e, em alguns casos, idênticos.
O que dizem os investigadores
O FBI informou que investiga "uma série de envios suspeitos para vários endereços do país", incluindo órgãos eleitorais e gabinetes do Congresso, e que algumas cartas continham "uma substância desconhecida". "Também estamos trabalhando com nossos parceiros para identificar o indivíduo ou os indivíduos responsáveis pelas cartas", disse o órgão à Associated Press. "Qualquer ameaça ou ataque a um funcionário eleitoral é inaceitável", afirmou o vice-inspetor-chefe do USPIS, Brendan Donahue.
Num memorando divulgado na segunda-feira (19), o sargento de armas da Câmara, William McFarland, informou que nenhuma das cartas recebidas por gabinetes do Congresso tinha sido considerada portadora de substância perigosa, mas alertou que mais escritórios podem receber cartas parecidas "nos próximos dias", segundo a CQ Roll Call.
Não é a primeira vez: em 2023, órgãos eleitorais de seis estados receberam cartas com pó branco, e algumas tinham ameaças e traços de fentanil, lembra a AP. As eleições de meio de mandato nos EUA são em 3 de novembro.

O que fazer com uma correspondência suspeita
O Serviço de Inspeção Postal orienta qualquer pessoa que receba uma correspondência suspeita:
- Sinais de alerta: envelope sem remetente, com excesso de fita adesiva ou de selos e com palavras escritas com erro ou de forma malfeita.
- Não mexa: isole o item e mantenha distância.
- Lave as mãos.
- Ligue na hora para os inspetores postais, no 1-877-876-2455, e diga "emergency".
- Se alguém passar mal, chame imediatamente as autoridades locais.

Perguntas frequentes
O pó era perigoso?
Até agora, não. Fontes policiais disseram à NBC News que os testes preliminares indicaram que o conteúdo não era perigoso, e o memorando da Câmara de 19 de outubro diz que nenhuma carta recebida por gabinetes do Congresso foi considerada com substância perigosa. Ninguém ficou ferido.
Quem mandou as cartas?
Não se sabe. O FBI diz que trabalha para identificar o responsável ou os responsáveis. Até a noite de quarta-feira (21), ninguém tinha sido preso. O DSA, cujo antigo endereço aparece como remetente, nega envolvimento.
Quem recebeu?
Gabinetes de mais de três dezenas de parlamentares democratas e republicanos, segundo a UPI, e órgãos eleitorais de pelo menos 15 estados, segundo levantamento da NBC News de 15 de outubro. Outros veículos citam números maiores.
