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Casamento falso por até US$ 40 mil, a maioria com brasileiros: 6 americanos são acusados

8 min de leitura
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Seis cidadãos americanos foram acusados pela Justiça federal de participar de um esquema de casamentos falsos com imigrantes em situação irregular em Massachusetts. Segundo a Procuradoria Federal do estado, a suposta líder organizava os casamentos havia mais de dez anos e cobrava de US$ 38 mil a US$ 40 mil por casamento. A maioria dos clientes era de brasileiros em busca do green card, de acordo com autoridades federais citadas pelo jornal Boston Globe.

Cinco dos acusados foram presos na manhã de quarta-feira (21), segundo a Procuradoria. A procuradora federal Leah Foley anunciou o caso numa entrevista coletiva em Boston. "O sonho americano não está à venda", disse ela. Os acusados são considerados inocentes até eventual condenação.

Como funcionava o esquema, segundo a acusação

Segundo documentos do tribunal citados pela Procuradoria, a suposta líder, Jennifer Gonzalez, de 43 anos, moradora de Fall River, no sul de Massachusetts, comandava um negócio em que imigrantes em situação irregular pagavam a ela para arranjar um casamento com um cidadão americano. Assim, os "clientes" podiam apresentar documentos falsos ao Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) para conseguir status legal.

De acordo com a acusação, Gonzalez pagava outros quatro acusados, todos cidadãos americanos, para se casarem com os clientes. Uma quinta acusada trabalhava como "secretária" do negócio, segundo a Procuradoria.

A Procuradoria afirma que a operação fazia em média de 18 a 20 casamentos por ano. Na coletiva, Foley disse que, "no mínimo", o esquema teria rendido US$ 6 milhões a Gonzalez. Segundo o comunicado, ela orientava os clientes a simular um casamento de verdade, com seguro de vida, conta bancária conjunta e selfies de casal, e dizia que levaria de três a quatro meses para juntar documentos suficientes para o pedido de imigração. Os clientes também costumavam pagar US$ 500 por mês ao "cônjuge", segundo a acusação.

"Eles se casavam, ficavam casados por uns dois anos, três anos, se divorciavam e, um mês depois, se casavam de novo com outro imigrante em situação irregular", disse Foley, segundo a NBC 10. "Era tempo suficiente para não levantar suspeita."

Placa do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) em frente a um prédio da agência no condado de DeKalb, na Geórgia, em 2012 (imagem de arquivo)
Placa do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) em frente a um prédio da agência no condado de DeKalb, na Geórgia, em 2012 (imagem de arquivo). Foto: Gulbenk / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A denúncia de um brasileiro e as gravações

Segundo o Boston Globe, que cita documentos do tribunal, o caso começou com a denúncia de um cliente insatisfeito: um brasileiro que tinha ficado no país além do prazo do visto procurou os investigadores em julho. Ele contou que pagou milhares de dólares a Gonzalez e US$ 500 por mês à "esposa", mas que as duas não apoiaram o pedido de residência dele.

A pedido dos investigadores, o brasileiro apresentou a Gonzalez uma testemunha que fingia ser cliente e gravou os encontros em segredo, segundo o jornal. Pelo comunicado da Procuradoria, Gonzalez teria sido registrada em vídeo e áudio mandando imprimir um contrato disfarçado de "empréstimo" e aceitando uma entrada de US$ 3 mil em dinheiro.

"Estou aqui para você conseguir o sonho americano", teria dito Gonzalez à testemunha, segundo o Globe. Quando a testemunha perguntou o que aconteceria se a "esposa" se apaixonasse, ela respondeu: "Não estamos aqui por amor", de acordo com a declaração juramentada citada pelo jornal. Em outro trecho divulgado pela Procuradoria, ela afirma: "Massachusetts é o melhor lugar para você estar."

Segundo a acusação, Gonzalez usava o dinheiro para comprar negócios e imóveis na República Dominicana, que ela chamava de "o país dela". "Alega-se que a senhora Gonzalez enriqueceu vendendo o sonho americano, enquanto investia o dinheiro em outro país", disse Foley, segundo o Globe. Ela chamou o suposto esquema de "uma afronta" e de "desanimador para quem segue as leis do nosso país" ao pedir a cidadania como cônjuge de um americano, de acordo com o jornal. A Procuradoria também afirma que vários acusados mentiram em pedidos de vale-alimentação (SNAP) de Massachusetts, dizendo que nunca tinham se casado, e que Gonzalez gastou mais de US$ 120 mil do benefício enquanto comandava o esquema.

O que acontece com os clientes brasileiros

Segundo o Boston Globe, as autoridades federais disseram que a maioria dos imigrantes que teriam pago pelos casamentos era de brasileiros que buscavam o green card. Duas fotos divulgadas pela Procuradoria mostram, segundo a acusação, duas das acusadas em casamentos com imigrantes do Brasil, em maio de 2018 e em agosto de 2024.

Não se sabe quantos clientes conseguiram o green card ou a cidadania por meio do esquema, informou o jornal. Nenhum deles foi acusado até agora, mas Foley disse que a investigação continua e que alguns estavam sendo deportados, segundo o Globe.

"Este caso manda um recado claro: o casamento não é uma brecha, não é um atalho", disse Shawn Saucier, chefe regional do USCIS no Nordeste, segundo o jornal.

Quem são os acusados e o que acontece agora

Além de Jennifer Gonzalez, foram acusados, segundo a Procuradoria: Erica Daniels, de 29 anos, Chreise Alejandro, de 39, Amara Pugh, de 31, e Jaylin Hill, de 26, todos de Fall River, e Jessica Tavares, de 31, de Attleboro. Segundo o Globe, Tavares é irmã de Gonzalez. Hill, o único homem do grupo, já cumpre pena numa prisão estadual por um crime com arma de fogo, informou a Procuradoria.

Segundo a Procuradoria, o grupo foi acusado de conspiração para abrigar imigrantes em situação irregular, abrigo de imigrantes em situação irregular, conspiração para cometer fraude de casamento e fraude de casamento; o comunicado não detalha qual acusação recai sobre cada um. As duas primeiras acusações têm pena máxima de 10 anos de prisão cada uma, e as de fraude de casamento, de cinco anos, além de multa de até US$ 250 mil, segundo a Procuradoria.

A pedido da Procuradoria, um juiz federal manteve Gonzalez presa até uma audiência marcada para sexta-feira (23), que vai decidir se ela continua detida até o julgamento, segundo o Globe. Daniels, Alejandro, Pugh e Tavares foram soltas sob compromisso de comparecer à Justiça. Os advogados de Gonzalez e das outras quatro não quiseram comentar as acusações, informou o jornal. Hill deve comparecer à Justiça federal na segunda-feira (26) pelas novas acusações, segundo o Globe.

"Os detalhes do documento de acusação são alegações. Os réus são presumidos inocentes até que se prove a culpa, além de qualquer dúvida razoável, num tribunal", diz o comunicado da Procuradoria.

Prédio da prefeitura de Fall River, no sul de Massachusetts, em 2007 (imagem de arquivo)
Prédio da prefeitura de Fall River, no sul de Massachusetts, em 2007 (imagem de arquivo). Foto: Marc N. Belanger / Wikimedia Commons (domínio público)

O que diz a lei

O que a lei federal pune é o casamento feito para burlar as regras de imigração, não o casamento em si:

  • Prisão ou multa: quem se casa sabendo que é para driblar a lei de imigração pode pegar até 5 anos de prisão, multa de até US$ 250 mil, ou as duas penas, segundo o Código dos Estados Unidos (título 8, seção 1325).
  • Porta fechada para novos pedidos: se o governo concluir que o imigrante tentou obter status por um casamento fraudulento, nenhuma nova petição em favor dele pode ser aprovada, de acordo com a seção 1154 do mesmo título.

A TV Connect também mostrou nesta semana o caso de 28 imigrantes acusados de votar com green card na Califórnia.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas foram acusadas?
Seis, segundo a Procuradoria Federal de Massachusetts: cinco de Fall River e uma de Attleboro. Cinco foram presas na quarta-feira (21); a sexta pessoa já estava presa por outro crime.

Quanto a acusação diz que era cobrado por casamento?
De US$ 38 mil a US$ 40 mil, segundo a Procuradoria.

Os brasileiros que pagaram foram acusados?
Não até agora. Segundo o Boston Globe, nenhum cliente foi acusado, mas a procuradora Leah Foley disse que a investigação continua e que alguns estavam sendo deportados.

Os acusados já foram condenados?
Não. As acusações são alegações, e os réus são considerados inocentes até que se prove a culpa na Justiça, como diz o próprio comunicado da Procuradoria.

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