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Prefeita de Kissimmee, acusada de fraude com verba da Covid, tem fiança de US$ 70 mil

9 min de leitura
Nesta matéria

A prefeita de Kissimmee, na região de Orlando, na Flórida, Jackie Espinosa, foi presa na manhã de quarta-feira (21). Ela é acusada de furto qualificado e de esquema para fraudar, segundo o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, e o diretor financeiro do estado (CFO), Blaise Ingoglia. De acordo com o comunicado conjunto dos dois, US$ 90 mil de um programa municipal de ajuda a empresas na pandemia de Covid-19 foram para sete negócios instalados em imóveis da família dela. A defesa nega que ela tenha cometido crime, e Espinosa é considerada inocente até eventual condenação.

Na primeira audiência do caso, às 13h desta quinta-feira (22), a Justiça fixou fiança de US$ 70 mil para Espinosa, US$ 20 mil por uma acusação e US$ 50 mil pela outra, segundo as emissoras WFTV e WESH. Ela participou da audiência a partir da Cadeia do Condado de Osceola, onde estava presa desde quarta, sem fiança fixada até a audiência, e deve ser solta, segundo o jornal Orlando Sentinel. A WFTV ressalta que a decisão sobre a fiança não significa que ela já tenha pagado o valor ou deixado a prisão. A próxima data do caso no tribunal é 1º de dezembro, segundo a emissora.

O que diz a acusação

Segundo o comunicado do CFO e do procurador-geral, o caso começou numa auditoria de rotina do Departamento de Serviços Financeiros da Flórida (DFS) sobre o uso de verbas da Covid-19 por governos locais. O DFS concluiu que Espinosa pode ter usado o cargo de prefeita para influenciar de forma indevida a distribuição do dinheiro do programa Business Boost 2.0, criado pela cidade para ajudar pequenas empresas.

Os investigadores identificaram sete empresas instaladas em imóveis que pertencem a parentes da prefeita ou são administrados por eles. Juntas, elas receberam US$ 90 mil: US$ 50 mil foram para empresas da própria Espinosa e US$ 40 mil para inquilinos dos prédios dela, segundo o comunicado. A investigação foi feita pela Divisão de Investigações Criminais do DFS e pelo Escritório de Investigações Executivas do FDLE, a polícia estadual da Flórida.

Na entrevista coletiva de quarta, Uthmeier disse que Espinosa apoiou e votou pela aprovação do programa e que, no dia em que as inscrições abriram, em setembro de 2025, fez três pedidos de ajuda para ela e parentes, num total de US$ 50 mil, segundo a News 13 e a WKMG. No comunicado, o procurador-geral afirma que ela ficou com o dinheiro "depois de ter sido avisada de que era proibido".

As acusações foram apresentadas pelo procurador-geral e pela Promotoria Estadual da Flórida: furto qualificado (de US$ 20 mil a menos de US$ 100 mil), crime de segundo grau, e esquema para fraudar (US$ 50 mil ou mais), crime de primeiro grau. Pela lei da Flórida, a pena máxima é de 30 anos de prisão para crime de primeiro grau e de 15 anos para crime de segundo grau. Na audiência de quinta, o tribunal também arquivou, sem impedir que volte a ser apresentado, um pedido relacionado à origem do dinheiro da fiança, segundo a WFTV. O gabinete do procurador-geral informou que o processo vai correr num tribunal do Condado de Hillsborough, na região de Tampa, segundo o Orlando Sentinel.

O que dizem as autoridades

"Autoridades públicas não podem escrever as regras e depois preencher um cheque para si mesmas", disse Uthmeier no comunicado. Ingoglia afirmou que Espinosa "abusou da confiança" dos eleitores e "lucrou às custas do contribuinte". "Chama-se serviço público por uma razão, e não serviço a si mesmo", disse o CFO.

Na coletiva, Ingoglia acrescentou: "Não me importa se você é democrata ou republicano. Se roubar dos contribuintes, vamos encontrar você, investigar, reunir as provas e colocar você na prisão." Em Kissimmee, a eleição para prefeito é apartidária, segundo o jornal Osceola News-Gazette.

O que diz a defesa

A advogada da prefeita, Migdalia Perez, divulgou uma nota na quarta, reproduzida pela WKMG. "Este caso envolve um programa de ajuda aprovado publicamente e administrado por funcionários da prefeitura, e não um esquema secreto para roubar o dinheiro do contribuinte", escreveu. "A acusação precisa provar que a prefeita agiu com intenção criminosa. Sustentamos firmemente que ela não agiu."

Segundo a advogada, há "uma diferença fundamental entre uma suposta violação ética e um crime". "Pretendemos contestar essas acusações com vigor na Justiça. A prefeita Espinosa merece a presunção de inocência, e não uma presunção de culpa porque foi presa", diz a nota.

De acordo com a emissora WFTV, Espinosa se declarou inocente por escrito ainda na quarta. A advogada abriu mão da leitura formal da acusação e pediu acesso às provas da promotoria.

A WFTV também teve acesso à declaração juramentada (affidavit) dos investigadores, que reúne alegações ainda não comprovadas na Justiça. Segundo o documento, o diretor de Desenvolvimento Econômico da cidade disse aos investigadores que aprovou os pedidos porque o programa não tinha nenhuma regra que impedisse a prefeita de se inscrever, e a então procuradora da cidade afirmou que o departamento dela não foi consultado. Ainda segundo o affidavit, a procuradora avisou Espinosa em 5 de dezembro de 2025, depois dos pagamentos, que receber a verba criava um conflito de interesses proibido, e os investigadores dizem que ela não devolveu o dinheiro.

Fórum do Condado de Osceola, em Kissimmee, em outubro de 2009 (imagem de arquivo)
Fórum do Condado de Osceola, em Kissimmee, em outubro de 2009 (imagem de arquivo). Foto: Ebyabe / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5, recortada)

O caso já tinha passado pela Câmara

Espinosa assumiu a prefeitura em 2024. Segundo a News 13, o programa Business Boost 2.0 usou dinheiro do American Rescue Plan Act, o pacote federal de ajuda da pandemia, e as regras escritas da cidade na época não proibiam autoridades eleitas de pedir a verba.

Em julho, o relatório de uma promotoria especial, nomeada a pedido da Câmara para acompanhar uma queixa de ética contra a prefeita, apontou causa provável para levar adiante o impeachment em três de sete supostas violações de ética. Em agosto, porém, a Câmara Municipal empatou em 2 a 2 na votação para abrir o julgamento, e eram precisos 3 votos a 1, informou a News 13.

O que muda na prefeitura

Na terça-feira (20), véspera da prisão, Espinosa abriu e presidiu a sessão da Câmara Municipal, segundo o vídeo oficial da reunião publicado pela prefeitura no YouTube. Depois da prisão, a prefeitura informou que a vice-prefeita Angela Eady vai exercer as funções de prefeita na ausência de Espinosa, nas sessões da Câmara e em eventos cerimoniais. O administrador municipal, Mike Steigerwald, autorizou uma investigação interna sobre como o programa foi criado, administrado e fiscalizado, segundo nota da cidade citada pela News 13.

Até a tarde desta quinta-feira (22), o governador Ron DeSantis não tinha emitido ordem executiva para suspender Espinosa do cargo, segundo o Orlando Sentinel. A lista oficial de ordens executivas do governo da Flórida, conferida pela TV Connect por volta das 15h20 (horário da Costa Leste), também não trazia nenhuma sobre ela. Segundo o jornal, pela lei estadual, a vice-prefeita Angela Eady assumiria como prefeita se Espinosa fosse suspensa. Na Flórida, o governador já usou esse poder em outros casos, como a TV Connect mostrou quando DeSantis suspendeu outro agente público acusado de crime.

Kissimmee fica a cerca de dez minutos da Disney, segundo a Câmara de Comércio do Condado de Osceola, e se apresenta como a "capital mundial das casas de temporada", segundo o órgão de turismo local, Experience Kissimmee.

Calçadão do Lakefront Park, às margens do lago Tohopekaliga, em Kissimmee, em março de 2014 (imagem de arquivo)
Calçadão do Lakefront Park, às margens do lago Tohopekaliga, em Kissimmee, em março de 2014 (imagem de arquivo). Foto: Visitor7 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0, recortada)

Perguntas frequentes

Por que a prefeita de Kissimmee foi presa?
Segundo o procurador-geral e o CFO da Flórida, por suspeita de ter usado o cargo para influenciar a distribuição de uma verba municipal de ajuda da Covid-19 a empresas ligadas à família dela. Ela responde por furto qualificado e esquema para fraudar.

Quanto dinheiro está em jogo?
Segundo o comunicado do estado, US$ 90 mil foram para sete empresas em imóveis da família: US$ 50 mil para empresas dela e US$ 40 mil para inquilinos dos prédios dela. Segundo o procurador-geral, ela pediu US$ 50 mil para ela e parentes.

Ela foi condenada?
Não. Espinosa foi presa e acusada, e é considerada inocente até eventual condenação. Segundo a WFTV, ela se declarou inocente, e a advogada diz que vai contestar as acusações na Justiça. Na primeira audiência, nesta quinta-feira (22), a Justiça fixou fiança de US$ 70 mil, e a próxima data do caso no tribunal é 1º de dezembro, segundo a WFTV.

Qual é a pena prevista?
Em caso de condenação, a lei da Flórida prevê pena máxima de 30 anos de prisão para o esquema para fraudar (crime de primeiro grau) e de 15 anos para o furto qualificado (crime de segundo grau).

Ela continua prefeita?
Sim. Segundo a prefeitura, a Carta Municipal não trata da prisão de um prefeito no cargo, e quem é preso continua no posto até haver suspensão, destituição ou renúncia. Até a tarde desta quinta-feira (22), o governador não tinha suspendido Espinosa. A vice-prefeita Angela Eady exerce as funções de prefeita na ausência dela, nas sessões da Câmara e em eventos cerimoniais.

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