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Rio em cheia arrasta ponte no Nepal; avalanche e deslizamento iniciaram a enxurrada

7 min de leitura
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A ponte de Soti Khola, no distrito de Gorkha, no Nepal, foi arrastada pelo rio Budhi Gandaki na manhã do domingo, 11 de outubro de 2026, durante uma enxurrada de lama e detritos que desceu do Himalaia e destruiu casas, pontes e canteiros de hidrelétricas. Segundo o Departamento de Estradas do Nepal, citado pelo site Onlinekhabar, a ponte que liga as alas 2 e 3 do município rural de Arughat foi "completamente levada".

O vídeo, gravado por Madan Kshetri, mostra a estrutura de aço cedendo à correnteza. Era uma ponte para veículos que ligava Soti a Manbu, segundo o Onlinekhabar, num trecho da rota entre Arughat e Philim, a sede do município rural de Chumnubri. Rio acima fica Jagat, um dos principais pontos de entrada de quem faz trekking na região do Manaslu.

Segundo o Relatório de Situação nº 3 da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRRMA), de 13 de outubro, a maior onda da cheia, estimada entre 20 e 25 metros de altura, chegou por volta das 6h30, no horário local. Ela varreu o acampamento de uma hidrelétrica em Salleri, danificou construções, sobretudo em Jagat, e atingiu as pontes permanentes de Soti Khola e sobre o Budhi Gandaki.

O balanço oficial

Pelo Relatório de Situação nº 1 da NDRRMA, com dados até as 22h de domingo e divulgado na segunda-feira, 12 de outubro, cinco pessoas (duas mulheres e três homens de Ungilung, no município rural de Chumnubri) estavam sem contato. Elas estavam num abrigo de ovelhas em Chumchet, segundo nota da autoridade publicada pelo The Himalayan Times. O Exército resgatou 95 pessoas, nove delas estrangeiras, com quatro helicópteros, de acordo com o mesmo relatório, citado pelo Nepal News.

A avaliação preliminar registrou danos em duas pontes de concreto, duas pontes suspensas, uma ponte provisória do tipo Bailey, três projetos de hidrelétricas e uma escola. Foram 204 casas danificadas em quatro pontos: 43 em Chumnubri, 39 em Dharche, 64 em Arughat e 58 em Tripurasundari, já no distrito vizinho de Dhading. A enxurrada também levou um trecho de 22 metros da ponte de Arughat, que liga Gorkha a Dhading, segundo o Departamento de Estradas, e o acampamento da hidrelétrica Budhi Gandaki, de 341 megawatts, em construção em Salleri, segundo o The Kathmandu Post.

A NDRRMA disse ter enviado cerca de 200 mil mensagens de alerta a moradores das margens. Segundo o governo, citado pela agência AP, o aviso antecipado permitiu que a maioria das pessoas chegasse a terreno mais alto antes da cheia. Até 12 de outubro, nenhuma morte havia sido relatada, segundo a AP.

O que causou a enxurrada

No primeiro dia, as autoridades trabalharam com hipóteses. O Exército relatou um deslizamento seco que teria bloqueado o rio em Philim, e o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD) apontou, em 12 de outubro, o provável rompimento de uma barragem temporária formada por um deslizamento perto de Chumchet.

Em 13 de outubro, o Relatório de Situação nº 3 da NDRRMA, com base no relatório técnico, descreveu um desastre em cascata. Por volta das 4h20, uma avalanche de neve a cerca de 6.000 metros de altitude e um grande deslizamento com gelo de geleira e detritos a cerca de 5.500 metros ocorreram no alto do vale do Ungdilung Khola, entre os picos Chamar e Syerang.

A massa desceu o vale e, a cerca de 2.000 metros, os detritos se acumularam na confluência estreita do Ungdilung com o Syar Khola, bloqueando e liberando o fluxo várias vezes. O Syar Khola parou de correr cerca de uma hora antes da maior onda, com água acumulada ao longo de cerca de 1,5 quilômetro. Segundo o relatório, o volume de detritos pesou mais na altura da cheia do que a água represada. Pela estimativa preliminar do Departamento de Minas e Geologia, o deslizamento liberou energia equivalente à de um terremoto de magnitude 3,5.

O rio Budhi Gandaki entre encostas cobertas de mata, no Nepal, em foto de arquivo de 2019
O rio Budhi Gandaki entre encostas cobertas de mata, no Nepal, em foto de arquivo de 2019. Foto: Gaurav_Dhwaj_Khadka/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que aconteceu depois

Na segunda-feira, 12 de outubro, mais de 200 pessoas foram retiradas, disse à AP o administrador-chefe de Gorkha, Dharmendra Kumar Mishra. Um funcionário do Projeto de Conservação do Manaslu, Bhuwan Raj Ojha, disse à agência Reuters que mais de 100 trekkers estrangeiros estavam retidos em pontos da trilha do Manaslu, porque parte do caminho foi levada. "Quem quiser voltar por causa da enchente precisa ser resgatado", afirmou.

Os resgates de helicóptero continuaram durante a semana. Até 13 de outubro, 648 pessoas tinham sido retiradas, 49 delas turistas estrangeiros, segundo o subadministrador do distrito, Netra Prasad Sharma, ao Onlinekhabar. Até a quinta-feira, 15 de outubro, o total chegou a 1.044, sendo 70 estrangeiros, segundo Sharma, em declaração publicada pelo site Ratopati.

Em comunidades que perderam pontes, a solução foi improvisar. Em 17 de outubro, moradores de Kerauja recebiam arroz, sal, óleo e açúcar numa caixa presa a um cabo, puxada por roldana sobre o rio, depois que a ponte suspensa foi levada, segundo o presidente do município rural de Dharche, Laxman Gurung, ao Onlinekhabar. Só em Dharche, quatro pontes foram destruídas e cerca de 800 famílias ficaram isoladas, segundo o site.

Na segunda-feira, 19 de outubro, o Exército entregou ao Projeto Rodoviário de Gorkha uma ponte provisória do tipo Bailey em Arughat, montada em dois dias, com cerca de 27,43 metros de comprimento e 4,2 metros de largura, segundo o jornal myRepublica. Para Soti Khola, até a última atualização encontrada, de 23 de outubro, não havia notícia de ponte provisória ou de reconstrução.

No Relatório de Situação nº 3 da NDRRMA, com dados até as 22h de 13 de outubro, o número de desaparecidos subiu para seis (quatro homens e duas mulheres). Não houve notícia posterior de que tenham sido localizados. O Budhi Gandaki deságua no rio Trishuli, numa região ainda abalada pela cheia de agosto na fronteira com a China, que deixou mais de 1.400 mortos, segundo a AP. Em setembro, chuvas torrenciais também encharcaram as províncias nepalesas de Lumbini e Gandaki.

Desfiladeiro do rio Budhi Gandaki no trecho entre Yaru Bagar e Jagat, na trilha do Manaslu, em foto de arquivo de 2018
Desfiladeiro do rio Budhi Gandaki no trecho entre Yaru Bagar e Jagat, na trilha do Manaslu, em foto de arquivo de 2018. Foto: Jay Ramji/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Perguntas frequentes

Onde fica a ponte de Soti Khola?
No município rural de Arughat, no distrito de Gorkha, no centro do Nepal. Ela ligava as alas 2 e 3 do município, entre Soti e Manbu, segundo o Departamento de Estradas e o Onlinekhabar.

Alguém morreu na enxurrada?
Até a última atualização encontrada, nenhuma morte havia sido confirmada. No relatório da NDRRMA de 13 de outubro, seis pessoas seguiam desaparecidas.

O que provocou a cheia?
Segundo o relatório técnico da NDRRMA, uma avalanche e um grande deslizamento no alto do vale do Ungdilung Khola acumularam detritos que bloquearam e liberaram o fluxo dos rios várias vezes, gerando ondas de lama rio abaixo.

A trilha do Manaslu foi afetada?
Sim. Parte da trilha foi levada, e mais de 100 trekkers estrangeiros ficaram retidos, segundo o Projeto de Conservação do Manaslu. Até 15 de outubro, 70 estrangeiros estavam entre as 1.044 pessoas resgatadas de helicóptero, segundo a administração do distrito.

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