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Caça dos EUA atinge navio que tentava furar bloqueio ao Irã no Golfo de Omã

7 min de leitura
Nesta matéria

Um caça militar dos Estados Unidos atingiu a popa do cargueiro M/V Ocean Molica, também chamado de Arika Sun, no Golfo de Omã, no sábado, 10 de outubro de 2026. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), o navio, de bandeira panamenha, tentava furar o bloqueio naval contra o Irã depois de ter deixado um porto iraniano, e a tripulação ignorou repetidos avisos. O ataque, com munição de precisão, desativou totalmente a propulsão do cargueiro sem ferir a tripulação, de acordo com o comando.

Foi o quarto navio comercial desativado pelas forças americanas desde a retomada do bloqueio aos portos iranianos, em 14 de julho. No mesmo comunicado, o CENTCOM informou que 135 navios foram obrigados a dar meia-volta em três meses de fiscalização. Na primeira fase do bloqueio, de 13 de abril a 18 de junho, o CENTCOM informou ter desativado nove navios, segundo a Shafaq News.

O que diz o CENTCOM

No texto divulgado no X e reproduzido na íntegra pela revista Maritime Executive, o CENTCOM afirma que "um caça militar dos EUA atingiu a popa do M/V Ocean Molica, de bandeira panamenha (também conhecido como 'Arika Sun'), com uma munição de precisão, desativando totalmente a propulsão do navio sem ferir a tripulação". Segundo o comando, o cargueiro tentava atravessar águas da região "depois de ter partido de um porto iraniano".

O balanço do bloqueio, segundo o mesmo comunicado:

  • Bloqueio retomado: em 14 de julho, contra todos os navios que entram ou saem de portos iranianos.
  • Navios desativados: quatro navios comerciais.
  • Navios que deram meia-volta: 135.
  • Petroleiros destruídos: 10, ligados ao que o CENTCOM chama de "rede paralela multibilionária" da Guarda Revolucionária do Irã, no mesmo período.

O comando também orientou os navegantes a obedecer aos avisos do bloqueio e a contatar as forças navais americanas pelo canal 16 de rádio ao navegar no Golfo de Omã e nas aproximações do Estreito de Ormuz.

Mapa do Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, com Irã ao norte e Omã e Emirados Árabes Unidos ao sul
Mapa do Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, com Irã ao norte e Omã e Emirados Árabes Unidos ao sul. Foto: Goran_tek-en/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Quem é o navio

O Ocean Molica, registrado como Akira Sun, é um graneleiro de 70 mil toneladas de porte bruto construído em 1996, com dono e operador em Hong Kong, segundo a Maritime Executive. Desde meados de 2023, o navio negociou quase exclusivamente entre a China e o Oriente Médio, de acordo com a revista.

Dados de rastreamento (AIS) da empresa Pole Star Global citados pela publicação indicam que o cargueiro chegou ao Golfo de Omã em meados de agosto, ficou semanas ancorado perto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e tentou deixar a região pelo menos três vezes antes da última tentativa. Desta vez, o navio parece ter alcançado a costa de Omã no Mar Arábico, a leste da cidade de Sharkh, antes de ser interceptado. Quando o sinal voltou a ser captado, na madrugada de 11 de outubro, o navio estava à deriva, lentamente, para nordeste, segundo a Maritime Executive.

A agência Reuters informou que não conseguiu contato com o operador do graneleiro. A agência britânica de operações marítimas (UKMTO) confirmou no domingo, 11, ter recebido relato de "um incidente envolvendo um navio-tanque e forças militares no Golfo de Omã" e disse que as autoridades investigavam, segundo a Al Jazeera. O Ocean Molica, porém, é um graneleiro, não um navio-tanque.

Reação nos EUA e o lado do Irã

O senador democrata Chris Murphy criticou o ataque no X: "Para que serve tudo isso? Por que os contribuintes estão pagando bilhões para atingir navios comerciais?", escreveu, segundo a Al Jazeera. "Aparentemente o objetivo é ganhar poder de barganha para convencer os iranianos a nos deixar pagar bilhões a eles para devolver tudo ao que era antes da guerra. Que desastre."

Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária afirma ter assumido o controle da administração do Estreito de Ormuz e exige que os navios usem as rotas definidas por Teerã. Na segunda-feira, 12 de outubro, a Marinha da Guarda Revolucionária disse ter atingido o "terceiro superpetroleiro infrator" em dois dias no estreito, provocando incêndio a bordo, segundo a emissora estatal Press TV, citada pela agência indiana ANI. O navio não foi identificado, e não houve confirmação independente. Em declaração reproduzida pela ANI no mesmo dia 12, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, rebateu a versão americana de que o Irã perdeu poder de pressão no estreito: "As alegações dos americanos não correspondem ao que vemos no terreno".

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro. Na quinta-feira, 8 de outubro, o presidente Donald Trump escreveu na Truth Social que os EUA não vão atacar o Irã "antes das eleições de meio de mandato", marcadas para 3 de novembro, e que o bloqueio aos portos iranianos "continuará em pleno vigor", segundo a CNN.

Depois do ataque: o que mudou até 23 de outubro

Caça se aproxima do porta-aviões USS Abraham Lincoln durante operações do bloqueio no Mar Arábico, em foto de arquivo de 16 de abril de 2026
Caça se aproxima do porta-aviões USS Abraham Lincoln durante operações do bloqueio no Mar Arábico, em foto de arquivo de 16 de abril de 2026. Foto: NAVCENT/DVIDS (domínio público)
  • 16 de outubro: em vídeo publicado pelo CENTCOM, o comandante do órgão, almirante Brad Cooper, afirmou que o bloqueio impediu o Irã de exportar o equivalente a US$ 25 bilhões em petróleo, segundo a Associated Press, em texto reproduzido pelo Times of Israel.
  • 17 de outubro: em nova publicação no X, citada pela agência Shafaq News, o CENTCOM informou que suas forças já tinham desviado 138 navios comerciais desde a retomada do bloqueio. É o balanço mais recente encontrado.
  • Navios desativados: até a última atualização encontrada, de 17 de outubro, o CENTCOM não anunciou nenhum novo navio desativado depois do Ocean Molica. O último número divulgado continua sendo quatro.
  • 22 de outubro: o jornal militar Stars and Stripes, citando reportagem do New York Times baseada em autoridades americanas não identificadas, informou que EUA e Israel prepararam planos para possíveis novos ataques ao Irã depois das eleições de meio de mandato. Segundo o Stars and Stripes, não é certo que Trump vá aprovar os ataques.
  • O Ocean Molica: não foram encontradas notícias sobre o destino do cargueiro depois de 11 de outubro, quando, segundo a Maritime Executive, ele seguia à deriva.

A matéria será atualizada se houver novo balanço oficial.

Perguntas frequentes

Onde e quando o navio foi atingido?
No Golfo de Omã, no sábado, 10 de outubro de 2026, segundo o CENTCOM.

Alguém ficou ferido?
Não, segundo o CENTCOM: o ataque desativou a propulsão do navio sem ferir a tripulação.

Quantos navios foram barrados pelo bloqueio?
Até 10 de outubro, quatro navios comerciais tinham sido desativados e 135 tinham dado meia-volta desde 14 de julho, segundo o CENTCOM. Em 17 de outubro, o comando informou 138 navios desviados.

Os EUA vão atacar o Irã antes da eleição?
Em 8 de outubro, Trump escreveu na Truth Social que os EUA não vão atacar o Irã antes das eleições de 3 de novembro e que o bloqueio continua em vigor. Em 22 de outubro, o Stars and Stripes, citando o New York Times, informou que EUA e Israel têm planos para possíveis ataques depois da eleição; não é certo que Trump vá aprová-los.

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