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Não é imagem gerada por IA: é uma foto de gotas de tinta suspensas no ar dentro de uma impressora jato de tinta, no instante em que ela imprime. A imagem, de Ole Bielfeldt, estudante e fotógrafo experimental com base em Colônia, na Alemanha, venceu a 52ª edição do Nikon Small World, o concurso de fotografia feita no microscópio que a Nikon promove desde 1974. Os vencedores foram anunciados na terça-feira (20 de outubro de 2026).
E a inteligência artificial não passou longe da disputa: em 9 de outubro, a Nikon desclassificou o vencedor do concurso de vídeo, o Small World in Motion, por descumprir as regras sobre IA generativa.
Como ele fotografou as gotas
Bielfeldt é o criador do macrofying, marca de fotografia e vídeo em que mistura microscopia e equipamento feito em casa para mostrar objetos do dia a dia de um jeito pouco familiar. Segundo a Nikon, a foto nasceu do interesse dele em entender como a impressora funciona por dentro.
As primeiras tentativas deram errado. A cabeça de impressão se mexia rápido demais para manter uma área pequena em foco, e as gotas eram rápidas demais para o obturador da câmera, de acordo com o release do concurso. Bielfeldt estima que elas viajavam a quase 20 metros por segundo, segundo a revista Science News.
A solução foi inverter a lógica da máquina: ele modificou a impressora para que o papel corresse por baixo de uma cabeça de impressão parada. Num quarto escuro, usou um flash para congelar as gotas no ar. A imagem foi feita com um equipamento montado por ele, com uma lente objetiva de microscópio de 20x.

"Era como mágica, e eu não entendia. Agora entendo", disse Bielfeldt no comunicado da Nikon. "Depois de tentar e falhar muitas vezes, achei que ia precisar de algum equipamento caro. Mas descobri que já tinha tudo de que precisava."
Ele começou na microscopia durante a quarentena da Covid-19, quando achou um microscópio escolar antigo no sótão dos pais e montou um adaptador de tubo e madeira para ligá-lo a uma câmera emprestada do pai. Segundo a organização, Bielfeldt disse que rejeitou a ideia de usar IA para gerar as imagens e que prefere o desafio das técnicas clássicas, como o empilhamento de foco, o Photoshop e o retoque, para criar uma imagem marcante de algo que existe de verdade.
Os outros premiados
A Science News contou 86 imagens reconhecidas nesta edição. Entre as primeiras colocadas, segundo a Nikon:
- 2º lugar: John-Oliver Dum, com uma aranha-saltadora (Salticus scenicus) com pólen.
- 3º lugar: Kaelin Wulf e Rachel Flannery, do Allen Institute, em Seattle, com neurônios num cérebro de camundongo "expandido".
- 4º lugar: Justin Theodore Benttinen, com a ponta de uma caneta esferográfica.
- 5º lugar: Mike Crutchley, com a estrutura interna de uma margarida fechada.
- 8º lugar: Marcel Clemens, com um grafite de lápis exposto a uma descarga elétrica de alta tensão.
- 12º lugar: Gonzalo Quiroga Artigas, com um tardígrado trocando de pele e pondo um ovo na pele velha.
O júri de 2026 teve Joe Dragavon, da Universidade do Colorado em Boulder; Quinten Geldhof, do Museu de Ciência de Boston; o escritor de ciência Corey S. Powell; e Meredith Sagolla, da empresa de biotecnologia Genentech.

Vencedor do concurso de vídeo foi desclassificado por IA
No comunicado de 9 de outubro, a Nikon informou que o vídeo vencedor do Small World in Motion não cumpria as regras do concurso sobre IA generativa e refez a classificação. O comunicado não detalha como as regras foram violadas nem cita o nome do autor. Segundo a Nikon, a decisão trata só da elegibilidade do vídeo e não deve ser vista como um julgamento da reputação profissional, das contribuições científicas ou da intenção de quem o inscreveu. A empresa disse ainda que o caso mostrou a necessidade de revisar as regras e os procedimentos de avaliação.
O vídeo desclassificado era do pesquisador Ning Xu, da Universidade Tsinghua, na China, e mostrava o batimento anormal de estruturas de células de um paciente com discinesia ciliar primária, uma doença respiratória genética rara, segundo o site Digital Camera World. De acordo com a BBC, citada pelo site, cientistas apontaram à Nikon que o vídeo parecia gerado por computador depois que ele apareceu num post, hoje apagado, no LinkedIn do concurso.
O pesquisador defendeu o trabalho. Segundo a CNN, também citada pelo Digital Camera World, ele disse que queria um vídeo "visualmente envolvente e cientificamente interessante" e que a IA foi usada no pós-processamento de imagens em tons de cinza para "distinguir e visualizar" estruturas, e não para "reconstruir anatomicamente" as células.
Com a mudança, o 1º lugar em vídeo passou para Nguyen Nam Nhat, do Vietnã, com imagens de um verme cilíndrico (nematoide) minúsculo e de um Dileptus, ser formado por uma única célula.
Sobre o concurso
O Small World foi lançado pela Nikon em 1974, e as primeiras imagens foram divulgadas em 1975. Hoje, o concurso é organizado pela Nikon Instruments, braço de microscopia da Nikon nos Estados Unidos, e tem endereço em Melville, em Long Island, no estado de Nova York.
A TV Connect também mostrou como um astronauta fotografa a aurora de dentro da Estação Espacial Internacional.
Perguntas frequentes
Quem venceu o Nikon Small World 2026?
Ole Bielfeldt, estudante e fotógrafo experimental com base em Colônia, na Alemanha, com a foto de gotas de tinta suspensas dentro de uma impressora jato de tinta.
A foto vencedora foi feita com IA?
Não. Segundo a Nikon, Bielfeldt montou o próprio equipamento, usou um flash para congelar as gotas e disse que rejeitou a ideia de usar IA para gerar as imagens.
Por que a Nikon desclassificou o vencedor do concurso de vídeo?
A Nikon disse que o vídeo não cumpria as regras sobre IA generativa, sem detalhar como elas foram violadas. O autor afirmou, segundo a CNN, que usou IA só no pós-processamento das imagens, e não para reconstruir as células.
