O comércio de energia que empolga o CEO da VanEck – e não é petróleo

Gabriel Piziolo
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VanEck aposta em eletricidade e nuclear — e deixa petróleo de lado

O petróleo segue volátil, mas não empolga um dos maiores gestores de ETFs dos EUA. Para Jan van Eck, CEO da VanEck, o “Velho Energia” — petróleo e gás — deve andar de lado no horizonte de 12 meses. A aposta dele está em outra frente: a expansão elétrica puxada por data centers e o renascimento do nuclear.

Em entrevista à CNBC, Van Eck afirmou que a dinâmica do petróleo não oferece grande upside agora, apesar das altas recentes do WTI e do Brent estimuladas por tensões geopolíticas. “O núcleo do ‘Velho Energia’ é um mundo lateral neste momento”, disse. A leitura se mantém mesmo com o WTI atingindo o maior patamar desde 8 de outubro em meio a ruídos envolvendo EUA e Irã.

Nuclear ganha tração com a demanda de IA

O argumento central do executivo é a confiabilidade — um atributo que, segundo ele, o mercado subestima nas fontes alternativas. Data centers, que são a infraestrutura crítica da inteligência artificial e da computação em nuvem, exigem suprimento estável e contínuo de energia. “Centros de dados não podem ficar fora do ar. Não podem parar por uma hora”, reforçou.

Nesse cenário, a VanEck tem surfado o tema via o ETF Uranium and Nuclear (NLR). O fundo acumula alta superior a 16% no ano e quase 73% em 12 meses, impulsionado pela reabertura do apetite por nuclear, modernização de reatores e contratos de longo prazo de fornecimento. Entre as maiores posições estão Cameco, Constellation Energy e BWX Technologies. A Cameco, uma das principais produtoras globais de urânio, sobe 21% no ano.

A tese dialoga com o avanço dos hyperscalers — big techs que operam data centers em escala massiva — e com o ciclo de investimento em IA, que pressiona a demanda por eletricidade nos EUA. Estados como Virgínia, Texas e Arizona já sinalizam redes mais carregadas, o que eleva a relevância de fontes despacháveis, com baixa intermitência e menor pegada de carbono.

“Novo Energia”: redes, eficiência e portfólio amplo

O movimento não é isolado. Jennifer Grancio, chefe global de distribuição da TCW, avalia uma transição gradual do “Velho” para o “Novo Energia”, ancorada em décadas de investimentos. “Precisamos de todas as fontes para alimentar a máquina”, disse, citando a demanda crescente de data centers e da indústria.

A TCW gere o ETF Transform Systems (PWRD), uma carteira ampla que ainda inclui nomes da economia tradicional, mas com viés para nuclear, eficiência energética e empresas ligadas à expansão da capacidade elétrica. O foco é capturar o ciclo de reforço das redes, modernização de infraestrutura e soluções que reduzam perdas e custos — pontos críticos para acomodar a IA, veículos elétricos e novas cargas industriais.

Para o investidor brasileiro atento aos EUA — seja morador, frequente viajante ou alocador — a leitura é clara: além do petróleo, o mapa de oportunidades está migrando para a base elétrica do crescimento. Temas como urânio, geração nuclear, utilities com exposição a data centers, fabricantes de tecnologia para redes e eficiência energética ganham protagonismo. Já o petróleo, mesmo sensível ao noticiário geopolítico, pode seguir preso a uma faixa, com menos catalisadores de curto prazo.

O recado do mercado: confiabilidade virou ativo estratégico. E quem entregar energia estável para a economia da IA tende a capturar o próximo ciclo.

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