Trump liga para Elizabeth Warren para discutir teto de juros no cartão; aliados republicanos recuam
O presidente Donald Trump telefonou para a senadora Elizabeth Warren (D-MA) na segunda-feira para propor um trabalho conjunto em um teto para juros de cartão de crédito, segundo a parlamentar. A conversa ocorreu após um discurso de Warren no National Press Club, em Washington, no qual ela traçou estratégia democrata para as eleições legislativas de 2026.
Em entrevista à CNBC, Warren afirmou que Trump demonstrou interesse em avançar no tema. “Ele disse que queria trabalhar nisso, eu respondi: ‘Ótimo, vamos fazer algo’”, relatou a senadora, que é membro sênior do Comitê de Bancos do Senado. Warren também cobrou ações concretas: “Meu ponto foi que ele não tinha movido um dedo para aprovar algo sobre teto de juros de cartão”.
Na semana anterior, Trump publicou no Truth Social uma proposta de limitar os juros do cartão de crédito a 10% ao ano. A ideia, porém, enfrentou resistência imediata de líderes republicanos no Capitólio, que alertam para possíveis efeitos colaterais no mercado de crédito.
Resistência no Congresso e alerta sobre crédito mais restrito
O presidente da Câmara, Mike Johnson (R-LA), disse em coletiva que impor um teto pode reduzir a disponibilidade de crédito. Segundo ele, o risco é forçar emissores de cartões a limitar empréstimos ou cortar limites, especialmente para consumidores de maior risco. “É preciso muito cuidado. Na ânsia de reduzir custos, não queremos efeitos secundários negativos”, afirmou. “Se você faz isso, as empresas de cartão podem simplesmente parar de emprestar dinheiro ou limitar o quanto as pessoas conseguem tomar.”
Até o momento, parlamentares republicanos têm se distanciado da proposta de Trump, sinalizando pouco apetite para transformar o anúncio em projeto de lei com tramitação acelerada. No Senado, medidas relacionadas a juros de crédito historicamente enfrentam barreiras técnicas e resistência do setor financeiro.
Por que isso importa para brasileiros nos EUA
– Cartão de crédito é fonte relevante de financiamento de curto prazo para imigrantes e novos residentes. Teto de juros a 10% reduziria o custo do crédito para quem carrega saldo no rotativo, mas pode resultar em limites menores, maior triagem de risco e mais negativas de crédito.
– Setores como varejo, viagens e pequenos negócios — comuns entre brasileiros empreendedores — podem sentir impacto se emissores apertarem as condições de concessão.
– Mudanças nesse mercado afetam pontuação de crédito, acesso a cartões com benefícios e custo total de financiamento de despesas do dia a dia.
Próximos passos
– Sinal político: a ligação de Trump a Warren indica abertura para um tema tradicionalmente associado a regulação financeira mais rígida. A cooperação bipartidária, porém, segue incerta.
– Tramitação: para avançar, seria necessário um projeto com detalhes técnicos — definição do teto, exceções, prazo de implementação e fiscalização. O setor financeiro deve pressionar por alternativas, como transparência reforçada, limites no rotativo ou programas de educação financeira.
– Cenário provável: sem consenso republicano, a proposta enfrenta trajetória difícil no Congresso. O tema, no entanto, pode ganhar força no debate público e influenciar plataformas eleitorais e ações regulatórias.
O que acompanhar:
– Textos apresentados no Senado e na Câmara sobre teto de juros de cartão.
– Reação de reguladores e do Tesouro.
– Respostas de grandes emissores de cartões e possíveis ajustes em limites, anuidades e recompensas.
Para brasileiros nos EUA, a orientação é acompanhar condições contratuais, taxas efetivas e mudanças em limites. Mesmo sem nova lei, o debate pode levar emissores a ajustar políticas e ofertas no curto prazo.
