As ações da Novo Nordisk sobem 8% após o lançamento sólido do medicamento para obesidade Wegovy

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Novo Nordisk salta 8% após estreia “sólida” da pílula de obesidade Wegovy nos EUA

Ações da Novo Nordisk avançaram mais de 8% nesta sexta-feira após dados iniciais de prescrição indicarem um começo encorajador para a versão em comprimido do Wegovy, o medicamento para perda de peso da farmacêutica dinamarquesa. O remédio oral, primeira pílula da classe GLP-1 aprovada para obesidade nos Estados Unidos, começou a ser vendido em 5 de janeiro, após aval regulatório no fim de dezembro.

Analistas do TD Cowen classificaram o desempenho inicial como um “começo sólido”, mas ponderaram que “um ponto de dados não faz tendência”. A leitura é de que serão necessárias mais semanas de números para medir a demanda de forma consistente. Ainda assim, a largada reforça a estratégia da Novo Nordisk de recuperar participação frente à rival Eli Lilly no disputado mercado de obesidade e diabetes.

Primeira semana supera injetáveis na mesma fase

Segundo o analista David Risinger, do Leerink Partners, citando dados da IQVIA, cerca de 3.100 prescrições da pílula de Wegovy foram dispensadas na primeira semana de comercialização (encerrada em 9 de janeiro). Para efeito de comparação, o Zepbound — injeção para obesidade da Eli Lilly aprovada no fim de 2023 — registrou aproximadamente 1.300 prescrições na primeira semana e perto de 8.000 na segunda.

O TD Cowen, com base em dados da Symphony divulgados pela Bloomberg, reportou um volume ainda maior: cerca de 4.290 prescrições na primeira semana completa, majoritariamente na dose inicial. Os analistas destacam que tanto a IQVIA quanto a Symphony podem não capturar receitas emitidas via a farmácia direta ao consumidor da Novo Nordisk ou por parceiros de telemedicina, o que sugere subcontagem. Pelo mesmo recorte, o Zepbound teria somado cerca de 1.900 prescrições na primeira semana completa após o lançamento.

“Se os dados da Symphony estiverem corretos, a pílula já supera seus equivalentes injetáveis no mesmo estágio do lançamento”, escreveu Michael Nedelcovych, do TD Cowen. Ele prevê uma comparação mais direta entre a versão oral e as injeções com novos dados no início da próxima semana, mas avalia que leituras mais conclusivas devem levar de dois a três trimestres. O canal direto ao consumidor é visto como “promissor” para escalar o acesso.

Lilly prepara rival oral e diferença técnica pode pesar

A Eli Lilly, que assumiu liderança de mercado no início de 2025 em diversas frentes, deve lançar sua própria pílula para obesidade, orforglipron, nos próximos meses. A entrada do concorrente pode redistribuir a demanda entre as terapias orais.

Há também diferenças importantes de uso: a pílula de Wegovy é um peptídeo e exige protocolo específico — tomar com água e evitar alimentos ou bebidas por 30 minutos após a ingestão — o que pode reduzir a aderência para parte dos pacientes. Já a pílula da Lilly é de pequena molécula, sem essas restrições, um ponto que pode favorecer a conveniência.

Para brasileiros nos EUA, o avanço das terapias orais amplia opções de tratamento sem injeções e pode impactar acesso via seguros e telemedicina. Contudo, cobertura, preço e disponibilidade continuam fatores decisivos e tendem a variar por plano e estado. O mercado aguarda novas leituras de demanda ao longo do trimestre para calibrar expectativas sobre adoção, capacidade de oferta e disputa por participação entre Novo Nordisk e Eli Lilly.

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