Reino Unido surpreende e cresce 0,3% em novembro, acima do esperado
A economia do Reino Unido registrou alta de 0,3% em novembro, superando a projeção de 0,1% feita por economistas consultados pela Reuters. Os dados são do Office for National Statistics (ONS), o equivalente britânico ao IBGE. O resultado vem após uma queda de 0,1% em outubro, atribuída a impactos de um ciberataque na Jaguar Land Rover e à cautela de consumidores e empresas antes do Orçamento de Outono.
O desempenho foi puxado pelos setores de serviços (+0,3%) e produção industrial (+1,1%). Já a construção recuou 1,3% no mês. A libra esterlina operou estável após a divulgação, negociada por volta de US$ 1,3433.
Indústria reage e consumo dá sinais de fôlego
A leitura de novembro trouxe alívio para analistas. Para Jane Foley, chefe de estratégia de câmbio do Rabobank, a recuperação da manufatura veio “bem mais forte do que o esperado” e pode ter gerado efeitos positivos no varejo, sustentando um início de retomada no consumo.
A revisão do humor empresarial após o Orçamento e a normalização da cadeia automotiva contribuíram para o quadro. Ainda assim, o recuo na construção indica fraquezas pontuais, em um ambiente de juros altos e projetos postergados.
Perspectivas: cortes de juros e retomada gradual
Economistas projetam melhora mais consistente à medida que o Banco da Inglaterra avance nos cortes de juros. Para o Deutsche Bank, a atividade deve ganhar tração no início de 2026, com pesquisas de confiança em alta, sinais de estabilização no mercado de trabalho e famílias iniciando o ano com gastos um pouco maiores. A instituição espera crescimento trimestral em torno de 0,35% e vê 2025 com expansão de 1,1%, ligeiramente acima de 2024. O banco, porém, alerta para riscos baixistas, especialmente por vulnerabilidades no emprego.
Para brasileiros que vivem, investem ou viajam ao Reino Unido e aos EUA, o dado importa por três razões:
– Câmbio: surpresa positiva tende a sustentar a libra frente ao dólar, com reflexos indiretos no real e no custo de viagens à Europa.
– Ambiente de negócios: melhora da indústria e consumo indica cenário um pouco mais favorável para exportadores e prestadores de serviços com operações ou parceiros britânicos.
– Juros e crédito: a expectativa de cortes pelo Banco da Inglaterra reduz custos de financiamento no país, influenciando planos de investimento, hipotecas e decisões corporativas.
O desafio agora é sustentar a tração sem reacender pressões inflacionárias. O ONS seguirá divulgando leituras mensais que mostrarão se a reação de novembro foi pontual ou o início de um ciclo de retomada. Enquanto isso, investidores monitoram a força do mercado de trabalho e a velocidade do alívio monetário para calibrar apostas em crescimento ao longo de 2025 e 2026.
