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A Flórida, já conhecida como a "capital dos raios" dos Estados Unidos, registrou em 2026 um volume de atividade elétrica bem acima da média histórica, segundo dados da Vaisala XWeather. Entre 1º de janeiro e meados de setembro, o estado foi atingido por aproximadamente 3,34 milhões de raios nuvem-solo, número 15% maior que a média dos últimos seis anos e o mais alto para o período desde pelo menos 2021.
Outra métrica, que considera uma medida mais ampla de atividade elétrica, mostra um cenário ainda mais expressivo: a atividade de raios na Flórida está cerca de 28% acima da média registrada na última década.
Segundo os dados citados, o ano não começou com números fora do padrão. Maio e junho tiveram atividade abaixo da média histórica. O quadro mudou com a chegada do verão: em julho, a atividade ficou 12% acima da média; em agosto, o salto foi para 58% acima do normal. Já na primeira metade de setembro, o índice chegou a 212% acima da média histórica para o período, o dado mais expressivo do levantamento.
A combinação de calor, umidade e tempestades frequentes ajuda a explicar por que a Flórida se tornou um ambiente especialmente propício à formação de raios neste ano.
Seis mortes na Flórida em 2026
O aumento da atividade elétrica veio acompanhado de tragédias. Até 22 de setembro, 16 pessoas haviam morrido nos Estados Unidos após serem atingidas diretamente por raios em 2026. Seis dessas mortes ocorreram na Flórida, o que representa 37,5% do total registrado no país neste ano.
Entre as vítimas estão pessoas que realizavam atividades comuns ao ar livre, como caminhar, andar de caiaque, ficar na praia ou usar moto aquática.
Um dos casos mais graves aconteceu em 23 de agosto, em Margate, no sul da Flórida. Kenya Glasgow, de 31 anos, e a filha Kennedi Glasgow, de 2 anos, foram atingidas por um raio enquanto estavam em uma calçada durante uma tempestade. As duas foram levadas ao hospital, mas não resistiram.
Dias depois, em 26 de agosto, um homem de 41 anos morreu atingido por um raio enquanto usava uma moto aquática nas proximidades do Fort De Soto Park, na região de Tampa Bay.
A Flórida Central também teve uma morte recente. Em 8 de setembro, um jovem de 20 anos morreu após ser atingido por um raio enquanto caminhava em Celebration, comunidade localizada perto do Walt Disney World e da área turística de Orlando. O caso reforça um alerta às pessoas que moram ou visitam a região: não é preciso estar no centro de uma tempestade para correr risco, já que raios podem atingir pontos distantes de onde a chuva mais forte está caindo.
Flórida lidera ranking de densidade de raios nos EUA
A elevada atividade de 2026 não é um fenômeno isolado. A Flórida está historicamente entre os locais mais atingidos por raios do país. Em 2025, dados da Vaisala mostraram que o estado teve a maior densidade de atividade elétrica dos Estados Unidos, com média de 305 eventos de raios por milha quadrada. Na sequência apareceram Oklahoma, com 253, Louisiana, com 241, Mississippi, com 231, e Arkansas, com 230.
O Texas registrou o maior número absoluto de eventos em 2025, cerca de 47 milhões, resultado relacionado em parte ao tamanho territorial do estado. Quando o cálculo considera a proporção por área, porém, a Flórida assume a liderança.
A posição geográfica da Flórida ajuda a explicar a frequência das tempestades. Por ser uma península cercada pelas águas quentes do Golfo e do Oceano Atlântico, o estado recebe diferentes brisas marítimas que avançam pelo território durante os dias quentes e podem se encontrar sobre o continente. Esse choque de massas de ar, somado a calor e umidade elevados, favorece a formação das tradicionais tempestades de verão, capazes de transformar rapidamente uma tarde ensolarada em cenário de risco, especialmente nos meses mais quentes.
Como se proteger de raios
Autoridades meteorológicas citadas no levantamento reforçam que não é seguro esperar a chuva começar para procurar abrigo. Se uma pessoa consegue ouvir um trovão, já está perto o suficiente da tempestade para ser atingida por um raio, que pode viajar cerca de 10 milhas para fora do núcleo da tempestade e, em situações excepcionais, distâncias ainda maiores.
Ao ouvir trovões, a recomendação é entrar imediatamente em um edifício fechado ou em um veículo com teto rígido e vidros fechados. Praias, piscinas, campos de golfe, áreas abertas, árvores isoladas, barcos e atrações ao ar livre devem ser evitados durante tempestades.
Estar dentro de uma construção reduz bastante o risco, mas alguns cuidados continuam necessários, já que raios podem percorrer sistemas elétricos, encanamentos e fios metálicos de uma residência. Por isso, durante tempestades, a orientação é evitar contato com equipamentos conectados à tomada e com encanamentos, incluindo chuveiros e torneiras. A recomendação também é permanecer protegido por pelo menos 30 minutos após o último trovão antes de retomar atividades ao ar livre.
Apesar do poder de uma descarga elétrica, a maioria das pessoas atingidas sobrevive. Dados do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) indicam que quase 90% das vítimas de raios sobrevivem, embora algumas possam enfrentar consequências graves e permanentes, como problemas neurológicos e queimaduras.
A probabilidade individual de uma pessoa ser atingida por um raio em determinado ano é inferior a uma em um milhão nos Estados Unidos, mas esse risco aumenta para quem vive em regiões de muitas tempestades ou passa bastante tempo ao ar livre. Na Flórida, onde milhões de raios já atingiram o solo somente em 2026, prestar atenção ao céu e aos alertas meteorológicos segue como uma das principais medidas de segurança.
