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Robert Pattinson é o novo tipo de astro de cinema, diz a Variety

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O crítico Owen Gleiberman, da revista Variety, publicou uma análise em que defende que Robert Pattinson encarna um novo tipo de estrelato de cinema, diferente do modelo consagrado por nomes como Tom Cruise, Brad Pitt e Julia Roberts.

Segundo o texto, Cruise, Pitt e Roberts seriam os últimos representantes de uma era em que o astro de cinema conquistava o público ao interpretar versões idealizadas de quem somos, com Cruise no papel do herói destemido, Pitt como o galã rebelde e Roberts como a mulher encantadora. Para o autor, essa geração nasceu ainda dentro de uma monocultura de entretenimento que hoje não existe mais.

Gleiberman argumenta que, mesmo com o fim desse modelo, o estrelato não acabou: ele estaria se reconfigurando em meio a um cenário de entretenimento fragmentado e voltado a nichos. E, para o crítico, Robert Pattinson seria a encarnação mais perfeita dessa nova fase.

De Edward Cullen aos papéis sombrios

O texto lembra que Pattinson ficou conhecido mundialmente ao viver o vampiro adolescente Edward Cullen na franquia "Crepúsculo". Mas, segundo a análise, o ator tomou uma decisão de carreira deliberada e pouco convencional logo depois: em 2012, ano de "A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2", ele também estrelou "Cosmópolis", de David Cronenberg, vivendo um bilionário decadente.

A partir daí, de acordo com Gleiberman, Pattinson não voltou a papéis "normais". O crítico cita como exemplo um T.E. Lawrence neurótico em "Queen of the Desert", de Werner Herzog; um assaltante de banco decadente em "Good Time", dos irmãos Safdie; um assistente recluso de um explorador em "The Lost City of Z", de James Gray; e um andarilho taciturno em "O Farol", de Robert Eggers.

Ainda segundo o texto, esse período de quase dez anos de escolhas independentes e à margem do mainstream terminou não com uma guinada comercial "vendida", mas com "Tenet", de Christopher Nolan, e depois com "The Batman", descrito na análise como um dos filmes de super-herói mais sombrios já feitos, com um Bruce Wayne mais atormentado até do que o de Christian Bale.

Três papéis sombrios em 2026

Gleiberman afirma que 2026 é o ano em que Pattinson consolidou esse novo tipo de carisma, batizado no texto de "anti-Tom Cruise", com três atuações que ele descreve como cada vez mais sombrias.

A primeira é a de noivo em crise nervosa no filme "The Drama". A segunda é a de um pretendente perverso em "The Odyssey", interpretação que, segundo o crítico, poderia render a Pattinson uma indicação ao Oscar. A terceira é a de Chris Hansen, apresentador do programa "To Catch a Predator", no filme "Primetime".

Sobre essa última atuação, Gleiberman escreve que Pattinson constrói um Hansen movido por obsessão por audiência e por uma imagem pública de "arauto da virtude", com uma presença visual que lembra tanto Geraldo Rivera quanto um vampiro, ainda mais acentuada do que a do próprio Edward Cullen. Para o crítico, o filme retrata "To Catch a Predator" como um espetáculo voyeurista disfarçado de combate à pedofilia, cuja verdadeira função era humilhar publicamente os participantes.

O texto destaca que, apesar de viver um personagem descrito como um hipócrita mesquinho e exibicionista, Pattinson entrega uma atuação de "estrela de cinema", funcionando como o centro de gravidade do filme.

Bilheteria e o contraste com Tom Cruise

Gleiberman ressalta que, tanto em "The Drama" quanto em "Primetime", Pattinson cumpriu o que chama de papel clássico de um astro de cinema: atrair público para as salas. O crítico credita parte desse resultado à distribuidora A24, comparada no texto ao papel histórico da Miramax, mas pondera que um estúdio não cria sozinho uma base de fãs que já existia, formada por uma geração que acompanhou o ator desde "Crepúsculo".

A análise também traça um paralelo com o momento de Tom Cruise, citando o filme "Digger", de Alejandro G. Iñárritu, descrito no texto como uma sátira bombástica e cheia de si na qual o ator vive um magnata do petróleo no Texas e que, segundo o autor, está prestes a estrear com resultado fraco de bilheteria. Para Gleiberman, mesmo diante desse tropeço, o público já sabe que Cruise voltará a interpretar o tipo de herói que consagrou sua imagem.

Já Pattinson, na visão do crítico, construiu o estrelato sobre a base oposta: o de se afastar ao máximo de qualquer ideal, o que o autor chama de "glamour às avessas", capaz de manter o público disposto a segui-lo em qualquer direção.

Segundo a Variety, ainda não há previsão de estreia desses títulos no Brasil.

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