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A oposta Tiffany Abreu, do Osasco, criticou publicamente a nova política da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que proíbe atletas trans de disputar a Superliga Feminina. A jogadora participou do evento de lançamento do torneio nesta quinta-feira (1º), na COB Expo, em São Paulo, e afirmou que ainda tenta reverter a situação antes do início da competição, previsto para a segunda quinzena de outubro.
Segundo Tiffany, o contato com a entidade segue diário na tentativa de obter uma liberação a tempo. "O contato é diário. A gente vai tentar até o último dia. Tá na mão de Deus (liberação). Espero que Deus toque o coração dele (presidente)", disse a atleta. Ela também reclamou da forma como foi comunicada sobre a mudança nas regras: "Nenhum contato da CBV comigo ou com o clube. A gente foi pego de surpresa. Isso machucou bastante".
A oposta relatou que a situação tem afetado sua rotina de treinos em meio à temporada. "É um momento muito difícil. Ao mesmo tempo que tenho que estar focada no treinamento diário, para competir. Ter que lidar com isso no meio de uma temporada não é fácil", afirmou. Ela rebateu a forma como se sentiu tratada pela decisão: "E aí a gente recebe uma notícia dessa… como se eu fosse uma bandida. Eu não sou uma bandida. Eu sou uma atleta que inspira muitas pessoas, mereço estar jogando, dentro das quadras, onde é meu lugar".
Sentimento de desprezo e crítica à falta de empatia
Tiffany disse não sentir raiva da situação, mas um sentimento diferente. "Raiva eu não sinto, porque acho que raiva é um sentimento que machuca muitas pessoas. Eu sinto um desprezo. Sinto desprezo… sinto uma falta de empatia muito grande", declarou. Para a jogadora, falta sensibilidade por parte de quem decide os rumos do esporte: "Faltou muita empatia com o ser humano, com a atleta, com o clube e com as pessoas que se inspiram em mim no esporte".
Ela também defendeu que o vôlei deveria buscar alternativas de inclusão em vez da exclusão de atletas trans. "A empatia, infelizmente, está faltando nas pessoas que comandam o esporte e estão vindo com uma política transfóbica. E eu falo infelizmente porque ninguém deveria ser excluída. Poderiam ter novas regras, novas formas de abrir portas para pessoas trans e não exclusão. Quando você exclui pessoas do esporte, você proíbe pessoas de praticar o esporte. O esporte não poderia ser político e está sendo político no momento", concluiu.
Mesmo fora da Superliga pela nova regra, Tiffany segue atuando em outras competições. A atleta disputou recentemente a Brasil Vôlei Cup, torneio amistoso que teve a participação do Gerdau Minas, e também segue na disputa do Campeonato Paulista.
O que diz a nova política da CBV
A CBV lançou a nova temporada da Superliga com mudanças nas regras que incluem a restrição à participação de atletas trans, anunciada em agosto. A medida entra em vigor nesta sexta-feira e passa a valer para as competições organizadas pela entidade, incluindo Superliga A e B da temporada 2026/27, Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, além do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 na categoria adulto e o CBVP Challenger 2027, com validade também para as edições seguintes enquanto a política estiver em vigor.
A CBV afirma que a decisão busca alinhamento com parâmetros já adotados internacionalmente. Segundo a entidade, o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV) já haviam adotado medidas semelhantes, criadas em março de 2026.
"Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais. A decisão da CBV se adequa ao COI e deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais", declarou o presidente da confederação, Radamés Lattari.
