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O cantor Netinho, nome artístico de Ernesto de Souza Andrade Júnior, morreu aos 60 anos nesta terça-feira (13), em Salvador. A informação foi confirmada pela assessoria do artista em nota divulgada nas redes sociais dele na manhã desta terça.
Segundo o comunicado, Netinho enfrentava nos últimos meses um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos. A equipe descreveu o cantor como "um artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador" e afirmou que ele "partiu tranquilo".
A nota ainda trouxe uma mensagem que Netinho costumava repetir durante os últimos meses de tratamento: "Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte".
Sobre os ritos de despedida, a assessoria informou que o velório e a cremação atenderão a um pedido expresso do próprio cantor e serão realizados de forma reservada, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos. O comunicado pede respeito à privacidade da família neste momento e agradece as manifestações de carinho recebidas.
Recidiva da doença e tratamento em Salvador
Netinho havia revelado em maio a volta do câncer no sistema linfático, quase um ano depois de uma primeira remissão. Ele fazia acompanhamento no Hospital Aliança Star, em Salvador, com a equipe da oncologista Glória Bonfim Arruda.
Em junho, em uma atualização sobre a saúde publicada nas redes sociais, o cantor contou que havia recebido alta após o início de um novo ciclo de quimioterapia, que passou a seguir em casa. "Tive alta há três dias, esse é meu quarto dia em casa já, minha quimio começou há seis dias, até agora nenhum efeito colateral, só fome", disse na ocasião. Segundo ele, a doença havia retornado de forma mais severa e agressiva em relação ao diagnóstico anterior.
No mesmo vídeo, Netinho pediu que os fãs desconfiassem de notícias falsas sobre seu estado de saúde e afirmou que só ele falava sobre sua própria condição, sem dar entrevistas à imprensa, atualizando os seguidores diretamente por suas redes sociais.
Carreira marcada pelo axé e por desafios de saúde
Natural de Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia, Netinho começou a carreira em 1988 como vocalista da Banda Beijo e estreou no mesmo ano no circuito do Carnaval de Salvador. Seu primeiro álbum solo, "Netinho Ao Vivo", foi lançado em 1996 e ultrapassou a marca de dois milhões de cópias vendidas, impulsionado por sucessos como "Milla", "Capricho dos Deuses" e "Menina".
"Milla" se tornou um dos maiores hits da música pop brasileira nos anos 1990, permanecendo por várias semanas no topo das paradas e virando trilha sonora recorrente dos Carnavais. Outras canções, como "A Vida É Festa" e "Preta", também marcaram a fase de maior sucesso do cantor e ajudaram a consolidar seu nome entre os principais nomes do axé music.
A trajetória de Netinho foi marcada por episódios delicados de saúde ao longo dos anos. Em 2013, ele sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) consecutivos e passou por cirurgias no cérebro, chegando a perder movimentos, voz e memória recente, o que exigiu longa reabilitação e o afastou dos palcos por um período. Em 2014, voltou a ser internado para tratar depressão e problemas hepáticos.
Em fevereiro de 2025, o cantor foi internado novamente após sentir fortes dores nas costas e nas pernas, quando recebeu o diagnóstico de câncer no sistema linfático, confirmado em março daquele ano. A partir dali, Netinho passou a dividir com os seguidores os bastidores do tratamento oncológico, até a recidiva revelada em maio deste ano.
