Ações da Micron sobem à medida que CEO destaca demanda de inteligência artificial por memória

4 Leitura mínima

Micron dispara com demanda de IA; CEO anuncia megaexpansão nos EUA

Ações da Micron avançaram quase 8% nesta sexta-feira, impulsionadas pelo apetite de investidores por empresas da cadeia de IA após resultados fortes da Taiwan Semiconductor (TSMC). O movimento reforça a leitura de que os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial seguem acelerando — e que a memória é peça central nesse ciclo.

Memória vira “combustível” da IA e segue em falta

A Micron, uma das líderes em memória e armazenamento usados em sistemas de IA, acumula alta superior a 250% em 12 meses. O motivo: escassez global e uma demanda crescente por chips de memória, essenciais para manter grandes volumes de dados próximos às GPUs e acelerar a execução de modelos de IA.

“A demanda impulsionada por IA está acelerando. É real. Está aqui. E precisamos de cada vez mais memória para atender a isso”, afirmou o CEO Sanjay Mehrotra em entrevista à CNBC. Segundo ele, o desequilíbrio entre oferta e procura deve continuar pelo menos até 2027, sustentando fundamentos sólidos para o setor.

O aperto vem do avanço de players como Nvidia, AMD e Google, que ampliam investimentos em data centers e precisam de módulos de DRAM e armazenamento de alta performance. Com a corrida por capacidade, os preços de memória tendem a subir — estimativas citadas pela CNBC apontam alta em torno de 55% no primeiro trimestre, refletindo escassez e contratos mais caros.

US$ 200 bilhões em capacidade nos EUA e foco no curto prazo

Para responder ao boom, a Micron está executando um plano de expansão bilionário nos Estados Unidos. Mehrotra citou um pacote de US$ 200 bilhões para construir novas fábricas e ampliar a produção doméstica. Entre os projetos, estão duas “fabs” em Idaho e um complexo de 600 mil pés quadrados em Clay, no estado de Nova York, onde a empresa realizou a cerimônia de início das obras nesta sexta. A companhia informou que pretende investir US$ 100 bilhões apenas nessa unidade de Nova York. O cronograma envolve alguns anos para erguer as instalações, salas limpas e instalar os equipamentos. Autoridades do governo participaram do evento.

Enquanto prepara a nova capacidade, a Micron também trabalha para extrair mais volume de suas plantas atuais no curto prazo, ajustando linhas e ampliando eficiência para capturar a demanda imediata.

Servidores e PCs acima do previsto

A companhia revisou para cima as projeções de mercado ao longo do último ano. A expectativa de crescimento de 10% para memória de servidores no início de 2025 acabou ficando em “teens altos” ao fim do período, segundo Mehrotra. O segmento de PCs, que vinha lento no pós-pandemia, também mostrou recuperação acima do esperado em memória e armazenamento — favorecido por notebooks e desktops com recursos de IA embarcados.

Para brasileiros nos EUA — investidores, profissionais de tecnologia e donos de pequenos negócios — o recado é claro: a cadeia de IA segue forte, e a memória ganhou protagonismo. A expansão de capacidade nos EUA pode gerar empregos qualificados, contratos para fornecedores e oportunidades em estados como Idaho e Nova York. Já para quem acompanha o mercado financeiro, o setor de semicondutores mantém correlação direta com o ciclo de IA, com volatilidade, mas sustentado por demanda estrutural.

Sinal do momento: com TSMC apontando resultados robustos e a Micron confirmando investimentos e escassez, a tese de “hard tech” em IA permanece no centro do radar de Wall Street.

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário