Ações da Sandisk disparam 7% após relatório de ganhos espetacular mostrar demanda avassaladora por IA

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SanDisk salta 7% após lucro recorde com corrida da IA; previsão trimestral surpreende Wall Street

Ações da SanDisk dispararam quase 7% nesta sexta após a empresa superar com folga as projeções do mercado no segundo trimestre fiscal, impulsionada pela demanda aquecida por memória para data centers que atendem aplicações de inteligência artificial.

A fabricante de memória flash reportou lucro ajustado de US$ 6,20 por ação, frente aos US$ 3,62 estimados pela FactSet. A receita somou US$ 3,03 bilhões, acima dos US$ 2,69 bilhões previstos. Para o terceiro trimestre, a companhia projetou receita entre US$ 4,4 bilhões e US$ 4,8 bilhões — bem acima do consenso de US$ 2,93 bilhões — e lucro ajustado entre US$ 12 e US$ 14 por ação, mais que o dobro da estimativa de US$ 5,11.

Analistas da Raymond James elevaram a recomendação para “outperform”, citando avanço de preços e restrição de oferta no setor de memória. Em nota, a casa destacou demanda “excepcionalmente forte” e um ciclo de produção de data centers mais longo, com possibilidade de oferta comprometida por anos.

Para brasileiros que investem nos EUA ou acompanham tecnologia, o movimento reforça a tese da “infraestrutura da IA”: chips de memória e armazenamento se tornaram críticos à expansão de modelos de IA generativa em nuvem, elevando preços e margens em toda a cadeia.

Demanda de data centers dispara e margens sobem

O negócio de data centers da SanDisk cresceu 64% em relação ao trimestre anterior. O desequilíbrio entre oferta e demanda tem permitido a fabricantes de memória repassar preços e preservar rentabilidade. A SanDisk projeta margem bruta entre 65% e 67% no terceiro trimestre, bem acima dos 49,3% estimados por analistas da StreetAccount.

A escassez de memória afeta diferentes áreas da tecnologia. A Apple, ao divulgar resultados recentes, mencionou restrições de fornecimento em nós avançados de fabricação e expectativa de impacto por preços mais altos de memória. O CEO Tim Cook disse avaliar “uma série de opções” para mitigar o efeito.

Para quem acompanha custo de eletrônicos nos EUA, o cenário sugere pressão sobre preços de dispositivos e upgrades com maior capacidade de armazenamento. Para investidores, o foco recai sobre players ligados a DRAM e NAND, com ganhos de curto prazo via ciclo de preços e, no médio prazo, via contratos com hyperscalers.

Por que isso importa para a comunidade brasileira nos EUA

– Consumo e preços: notebooks, smartphones e SSDs podem encarecer com a alta de memória. Quem planeja trocar de aparelho ou ampliar armazenamento deve monitorar promoções e estoques.
– Empregos e negócios: data centers seguem em expansão, especialmente em hubs como Virgínia do Norte, Oregon, Texas e Arizona. Profissionais de TI, engenharia, operações e logística podem encontrar mais vagas.
– Investimentos: empresas expostas à infraestrutura de IA — de memória a cooling e energia — ganham visibilidade. Volatilidade é alta, mas o ciclo atual favorece resultados no curto prazo.
– Startups e creators: custos de computação em nuvem podem variar. Planejamento de orçamento para treinamento e inferência de IA torna-se essencial.

O caso SanDisk ilustra a fase “picks and shovels” da corrida da IA — onde os fornecedores de base (memória, armazenamento, rede e energia) colhem parte relevante do valor. Com guidance forte, margens em ascensão e demanda de data centers em aceleração, a empresa entra no terceiro trimestre com vento a favor, enquanto o mercado monitora capacidade de oferta e possíveis gargalos na cadeia de semicondutores.

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