Amanda Knox rebate Matt Damon após comentário sobre “cancelamento” ser pior que prisão
A atriz e escritora Amanda Knox voltou a criticar Matt Damon após o ator afirmar, em podcast, que para algumas figuras públicas o “cancelamento” pode ser pior do que cumprir pena na prisão. A fala ocorreu no The Joe Rogan Experience, em episódio lançado em 16 de janeiro, com Damon e Ben Affleck discutindo os limites da chamada cancel culture.
O que Damon disse e por que gerou reação
Durante a conversa, Damon, 55, sugeriu que, para certos casos, enfrentar ostracismo e escrutínio permanentes seria mais devastador do que uma condenação com prazo definido. “Aposto que alguns prefeririam ir para a prisão por 18 meses e depois dizer: ‘Paguei minha dívida. Podemos encerrar?’”, afirmou. “O linchamento público nunca termina. Vai te seguir até o túmulo.”
Knox, 38, respondeu nas redes citando uma reportagem da Variety: “Mais uma coisa que Matt Damon poderia ter checado comigo antes de colocar no mundo”, escreveu no X (antigo Twitter). A crítica ecoa a divergência antiga de Knox com Damon desde Stillwater (2021), filme inspirado livremente em seu caso, no qual ela alega que a narrativa reforçou dúvidas sobre sua inocência.
Nos comentários, usuários argumentaram que alguns “cancelados” tiraram a própria vida, sugerindo que uma pena definida seria preferível ao estigma interminável. Knox retrucou: “Pessoas cometem suicídio na prisão também.” Em outra resposta, afirmou: “Você não vai para a prisão em segredo. Isso vem com estigma e trauma duradouros. Você não simplesmente ‘encerra’, nem pessoal nem socialmente.”
Contexto: o caso Knox e a disputa por narrativas
Amanda Knox passou quatro anos presa na Itália pelo assassinato de sua colega de apartamento, Meredith Kercher, em 2007, em Perugia. Ela e o então namorado, Raffaele Sollecito, foram condenados duas vezes e posteriormente absolvidos. Knox deixou a prisão em 2011 e, desde então, tornou-se voz ativa por reformas no sistema de justiça criminal, com foco em erros judiciários e ética da mídia. Escreveu as memórias Waiting to Be Heard (2013) e Free: My Search for Meaning (previsto para 2025), e apresenta o podcast Hard Knox.
A tensão com Damon remonta a Stillwater, dirigido por Tom McCarthy, em que o personagem do ator tenta provar a inocência da filha condenada por matar a colega na França. McCarthy reconheceu inspiração no caso Knox, mas o enredo inclui elemento que lança dúvidas sobre a personagem. Knox criticou a produção por, segundo ela, reforçar associações entre seu nome e o crime, apesar de sua absolvição. Em entrevistas, argumentou que “reciclar” a história sem cuidado amplia danos e mantém “ponto de interrogação” sobre sua imagem.
No caso original, Rudy Guede foi condenado, em julgamento separado, pelo assassinato de Kercher em 2008. Knox ressalta que a imprensa muitas vezes rotula o episódio como “o caso Amanda Knox”, e não “o assassinato de Meredith Kercher por Rudy Guede”, perpetuando percepções equivocadas.
A equipe de Damon foi procurada pela imprensa para comentar as novas críticas. Até o momento, não há resposta pública do ator. A discussão reacende o debate sobre a fronteira entre crítica social, punição sem devido processo e o impacto real de narrativas públicas — dentro e fora das telas — sobre a vida de pessoas envolvidas em casos de grande repercussão, especialmente quando há absolvição judicial. Para brasileiros nos EUA, o tema toca pontos sensíveis: cobertura midiática, reputação em redes e o peso de decisões judiciais na opinião pública.

