Ameaças dos EUA de tomar posse da Groenlândia geram discussões sobre guerras comerciais

Gabriel Piziolo
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Resumo: Declarações de Donald Trump sobre tomar a Groenlândia “até pela força” reacenderam tensões com a União Europeia. França alerta para impactos nas relações econômicas e analistas veem risco de tarifas, sanções e turbulência nos mercados. Exército europeu realiza exercício militar na ilha e Bruxelas promete ampliar apoio financeiro e político ao território autônomo da Dinamarca.

Pressão sobre a Groenlândia acende alerta em Bruxelas

A possibilidade de os Estados Unidos avançarem sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, elevou o tom entre Washington e a União Europeia. O presidente francês, Roland Lescure, disse ao Financial Times que um movimento de anexação poderia “danificar” as relações econômicas transatlânticas. Segundo ele, “a Groenlândia é parte soberana de um país soberano que integra a UE. Isso não deve ser mexido”.

Donald Trump intensificou nas últimas semanas declarações sobre a importância estratégica da ilha e não descartou “tomá-la pela força”. Conversas entre EUA, Dinamarca e Groenlândia terminaram sem avanço. Uma delegação do Congresso dos EUA, liderada por democratas, é esperada em Copenhague para discutir o tema com parlamentares dinamarqueses.

Analistas ouvidos pela CNBC apontam que o interesse americano combina segurança nacional, controle de rotas no Ártico e acesso a minerais estratégicos — insumos críticos para setores de defesa e tecnologia.

Risco de tarifas, sanções e choque nos mercados

Para Dan Alamariu, estrategista-chefe geopolítico da Alpine Macro, medidas “significativas” de pressão econômica dos EUA contra a Dinamarca — como tarifas ou sanções — provavelmente provocariam uma reação proporcional da União Europeia. O cenário pode escalar para uma “guerra comercial”, com volatilidade elevada e “riscos constantes nas manchetes”. Ele avalia que uma crise desse porte colocaria a OTAN sob questionamento, embora não preveja ruptura da aliança. Segundo o analista, resistência doméstica e do mercado tenderia a moderar movimentos mais agressivos por parte de Washington.

Questionado se a UE aplicaria sanções aos EUA em caso de invasão da Groenlândia, Lescure evitou confirmar. Disse apenas que um evento desse tipo colocaria o bloco em “um mundo totalmente novo”, exigindo respostas proporcionais.

Europa sinaliza unidade militar e mais recursos

Tropas europeias chegaram à Groenlândia para um exercício militar conjunto, em gesto interpretado como demonstração de coordenação aliada no Ártico. Para Maria Martisiute, analista do European Policy Centre, a mensagem é que o reforço de capacidades na região “não depende apenas dos EUA” e pode ocorrer “por meio de esforços aliados”. Ela afirma que os exercícios, somados às “linhas vermelhas” traçadas por líderes europeus, enviam um recado claro, enquanto aguardam o próximo passo de Washington.

Em paralelo, a Comissão Europeia propôs dobrar os gastos com a Groenlândia no próximo orçamento. A presidente Ursula von der Leyen declarou que a ilha “pode contar” com apoio político, econômico, financeiro e de segurança do bloco.

Por que isso importa para brasileiros nos EUA

– Comércio e preços: uma disputa tarifária EUA-UE pode afetar cadeias de suprimentos, pressionar custos de importados e inflação.
– Mercados e empregos: volatilidade pode impactar bolsas e setores ligados a comércio exterior e defesa.
– Geopolítica do Ártico: controle de rotas e minerais estratégicos tem efeito direto em tecnologia, energia e logística.

Cenário a monitorar: evolução das negociações EUA–Dinamarca–Groenlândia, possíveis medidas comerciais, posição oficial da OTAN e o orçamento europeu para a ilha.

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