American Express desafia a Apple pelo primeiro lugar no portfólio da Berkshire

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American Express encosta na Apple e pode virar maior posição da Berkshire Hathaway

A American Express está a poucos bilhões de dólares de tomar o topo da carteira de ações da Berkshire Hathaway, superando a Apple — movimento impulsionado por vendas recentes do papel da Apple e pela força das ações da AXP nos últimos anos.

AXP reduz distância após vendas de Apple

– Em meados de 2023, a Apple valia cerca de US$ 180 bilhões na carteira da Berkshire — aproximadamente US$ 154 bilhões a mais que American Express.
– Desde então, a Berkshire vendeu cerca de três quartos da posição em Apple.
– Na sexta-feira passada, a vantagem da Apple caiu para US$ 4,3 bilhões, a menor já registrada; nesta semana, voltou a US$ 8,4 bilhões.
– O desempenho também pesa: nos últimos 2 anos e meio, American Express subiu 106%, enquanto Apple avançou 35%.

A Berkshire não compra AXP há décadas, mas sua fatia subiu para 22% do total de ações da companhia graças aos programas de recompra da própria American Express. Buffett começou a investir na AXP em 1964, após o “escândalo do óleo de salada”, e reforçou a posição nos anos 1990.

O próximo relatório trimestral de posições (Q4), esperado para sair em cerca de duas semanas, pode mostrar novas vendas de Apple. Se isso ocorrer — ou se AXP continuar superando Apple no mercado — American Express tende a assumir o primeiro lugar na carteira de ações listadas da Berkshire.

Buffett mantém visão de longo prazo

Em uma lembrança que reforça a estratégia do investidor, Buffett disse em entrevista à CNBC em fevereiro de 2020, em meio ao pânico inicial da Covid-19, que quedas de curto prazo não mudam sua tese: ações são participações em negócios a serem mantidas por 10, 20 ou 30 anos. “Preferimos comprar mais barato”, afirmou à época, destacando empresas como American Express e Coca-Cola como posições de décadas.

A mensagem central: volatilidade diária não redefine o cenário de longo prazo para negócios de qualidade — e a Berkshire, como compradora líquida, aproveita correções para reforçar posições quando encontra preço e valor alinhados.

Por que isso importa para brasileiros nos EUA

– Portfólios e fundos com exposição a Berkshire podem ver rotação entre big tech e serviços financeiros.
– American Express, forte em consumo e viagens, é termômetro do gasto do americano — relevante para quem trabalha, empreende ou investe em setores ligados a turismo, varejo e cartões.
– Mudanças nas grandes posições de Buffett costumam influenciar fluxo institucional e percepção de risco no mercado.

Números recentes da Berkshire

– Valor de mercado: cerca de US$ 1,04 trilhão.
– Caixa em 30 de setembro: US$ 381,7 bilhões; caixa ajustado (ex-ferrovia e T-Bills a pagar): US$ 354,3 bilhões.

O que observar a seguir:
– 13F do quarto trimestre: sinaliza se a Berkshire acelerou vendas de Apple.
– Desempenho relativo AAPL vs. AXP até o fim do trimestre.
– Eventuais comentários de Buffett na carta anual aos acionistas sobre alocação de capital e recompras.

Contexto rápido:
– Apple segue uma das maiores posições históricas de Buffett, mas as realizações reduziram a concentração.
– American Express, impulsionada por recompras e crescimento em gastos com viagens e entretenimento, ganhou peso na carteira sem compras adicionais pela Berkshire.

Cenário-base:
– Se a Berkshire continuar reduzindo Apple, ou se AXP mantiver a performance superior, American Express tende a se tornar a maior aposta listada do conglomerado.

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