Aqui está onde as promessas de Trump estão um ano após o início de seu segundo mandato

Gabriel Piziolo
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Resumo: Um ano após voltar à Casa Branca, Donald Trump mistura promessas cumpridas, projetos emperrados e ideias ainda no terreno do improvável. A agenda inclui defesa, imigração, tarifas, geopolítica e mudanças institucionais — com impacto direto para quem vive, investe ou circula pelos EUA.

Promessas em andamento ou parcialmente cumpridas

– Air Force One “de luxo”: O governo aceitou um Boeing 747 doado pelo Qatar para ser usado como novo Air Force One. A aeronave passa por retrofit no Texas, com estimativa oficial de US$ 400 milhões — especialistas falam em até US$ 1 bilhão. Trump prometeu entrega em seis meses; projeções indicam conclusão só após 2029.
– Departamento de Guerra: Trump assinou ordem executiva para renomear o Departamento de Defesa como Departamento de Guerra. A mudança exige aprovação do Congresso.
– Panamá e influência chinesa: A administração pressionou a saída de operadora de Hong Kong dos portos no entorno do Canal do Panamá e celebrou a retirada do país da Iniciativa do Cinturão e Rota. O Pentágono reforçou cooperação de segurança com o Panamá.
– “Gold Card” de imigração e investimento: Lançado em dezembro, oferece status legal e caminho à cidadania mediante aporte de US$ 1 milhão por pessoa (e valores maiores para empresas), mais taxa inicial de US$ 15 mil. Propõe substituir o EB-5.
– Salão de baile na Casa Branca: Após a demolição da Ala Leste, segue a construção de um salão maior que a própria residência oficial, com custo estimado de US$ 400 milhões, bancado por Trump e doadores privados. Lista de contribuintes é parcial; o governo alega sigilo sobre parte do projeto.
– “Rush Hour 4”: O filme avançou após apelo de Trump a aliados na indústria. Distribuição pela Paramount.

Planos emperrados, contestados ou improváveis

– Groenlândia: Após a derrubada de Nicolás Maduro na Venezuela, Trump voltou a defender que os EUA “terão” a Groenlândia “de um jeito ou de outro”. A Dinamarca, aliada da OTAN, rejeita. Ideia tem risco geopolítico elevado.
– Reabertura de Alcatraz para imigrantes: O diretor do Bureau of Prisons visitou a ilha; engenheiros trabalham em estudos preliminares. Custos, logística e questões legais travam o avanço.
– Hipoteca de 50 anos: A Casa Branca prometeu empurrar a mudança, mas não há progresso relevante. O plano alternativo é reduzir juros com compra federal de US$ 200 bilhões em títulos hipotecários.
– Terceiro mandato: Trump reconheceu que a Constituição impede, mas voltou a flertar com a hipótese e citou possível “movimento constitucional”. Assessores afirmam que ele sabe que não pode concorrer novamente.
– Canadá: A ideia de transformar o país em “Grande Estado do Canadá” segue sem lastro. O premiê Mark Carney disse que o país “não está à venda”.
– Fort Knox e Elon Musk: A checagem do ouro não ocorreu. Musk deixou o governo.
– Guantánamo para deportações: Trump prometeu enviar até 30 mil imigrantes “criminosos” à base. Entre fevereiro e junho, cerca de 500 foram detidos; depois, a ocupação caiu e chegou a zero. Custos altos e ações judiciais pesam.
– Gaza “Riviera do Oriente Médio”: Trump sugeriu ocupar Gaza, remover palestinos e reconstruir como polo turístico após o cessar-fogo mediado pelo governo. Países árabes rejeitaram. A ideia perdeu força.
– Tarifa para pagar cheques e cortar IR: O presidente disse que tarifas financiariam pagamentos de US$ 2.000 aos americanos e cobririam déficits, programas sociais e defesa. Em 2025, a arrecadação tarifária (~US$ 289 bilhões) ficou aquém do necessário. Cheques não saíram. A Casa Branca hoje destaca possíveis reduções de impostos em 2026 por outra via legislativa.
– NFL e kickoff: Trump criticou a regra de kickoff, mas reconheceu que a liga “provavelmente não vai mudar”.

Pressões externas e recuos

– Colômbia, México e Irã: Após ameaças, Trump recuou em relação à Colômbia após ligação cordial com o presidente Petro. Segue criticando o controle do crime no México. No caso do Irã, endureceu o tom, mas depois baixou a temperatura.
– Cuba pós-Maduro: Trump diz que a ilha está “pronta para cair” sem a Venezuela e sugeriu “fazer um acordo”, sem detalhes.

Sinais para brasileiros nos EUA

– Imigração e investimentos: O “Gold Card” pode abrir alternativa ao EB-5 para empreendedores e empresas, mas exige alto capital. A pauta de detenção e deportação segue volátil.
– Moradia: A ideia de hipotecas de 50 anos está parada; eventuais quedas de juros via compras de MBS podem aliviar prestações, sem mudar prazos.
– Tarifas e impostos: O discurso de substituir imposto de renda por tarifas não se concretizou; expectativas de ajuste tributário ficam para 2026.
– Clima geopolítico: Pressões sobre China na América

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