Trump: o que foi promessa e o que virou realidade no 1º ano do segundo mandato
Um ano após voltar à Casa Branca, Donald Trump soma ações de alto impacto, reveses e ideias ainda em aberto. O presidente afirma ter “cumprido todas as promessas e muito mais”. A checagem mostra avanços, impasses e propostas que seguem no papel — com efeitos diretos para economia, imigração, segurança e a imagem dos EUA no mundo.
A seguir, o que andou e o que travou.
O que avançou
– “Departamento de Guerra”: Trump assinou ordem executiva para renomear o Departamento de Defesa como Departamento de Guerra. A mudança só vale com aprovação do Congresso.
– Pressão no Canal do Panamá: Após ameaçar “retomar controle” do canal, o governo pressionou a China. Operadores ligados a Hong Kong iniciaram processo de venda de ativos a um consórcio americano. O Panamá saiu da Iniciativa do Cinturão e Rota e ampliou cooperação de segurança com os EUA.
– “Golden Card” para investidores: Lançado em dezembro, cria status legal e caminho à cidadania para quem pagar US$ 1 milhão (pessoas físicas) ou US$ 2 milhões por empregado estrangeiro (empresas), mais taxa de US$ 15 mil. Substitui o EB-5 tradicional.
– Salão de gala na Casa Branca: Após demolir a East Wing, obras seguem aceleradas. Custo estimado subiu de US$ 200 milhões para US$ 400 milhões, segundo o próprio Trump, com financiamento prometido por ele e doadores privados. Lista de doadores é parcial; parte do projeto é tratada como “secreta”.
– Cultura pop: A pedido de Trump a aliados, “Rush Hour 4” ganhou distribuição pela Paramount, ligada a David Ellison, megadoador republicano. O estúdio original recusara o projeto.
O que emperrou ou mudou
– Novo “Air Force One” de luxo: Força Aérea aceitou um Boeing 747 do Catar para uso presidencial. Retrofit em Texas deve custar cerca de US$ 400 milhões (há estimativas próximas de US$ 1 bilhão). Prazo de seis meses prometido por Trump é improvável; conclusão pode ficar para depois de 2029.
– Groenlândia não está à venda: Após a derrubada de Nicolás Maduro na Venezuela, Trump voltou a defender “ter” a Groenlândia “de um jeito ou de outro” e nomeou um enviado especial. A Dinamarca, aliada da OTAN, rejeitou.
– “Autopen” e investigações: Trump acusa Biden de abusar do autopen. Comitê da Câmara controlado por republicanos divulgou relatório e o DOJ de Trump investiga. Presidentes anteriores também usaram a ferramenta.
– Alcatraz para imigrantes: O governo estudou reabrir a prisão histórica para detenção migratória. Direção do Bureau of Prisons visitou a ilha e iniciou estudos de engenharia, orçamento e logística. Sem cronograma.
– Hipoteca de 50 anos: A Casa Branca sinalizou apoio para alongar financiamentos residenciais. Economistas criticam. Sem avanço concreto; alternativa em estudo é o governo comprar US$ 200 bilhões em títulos hipotecários para reduzir juros.
– Terceiro mandato: Trump alterna falas reconhecendo que a Constituição veda e sugestões de um “movimento constitucional” para permitir. A chefia de gabinete afirma que ele “sabe que não pode concorrer”.
– “Grande Estado do Canadá”: Ideia reapareceu em discursos. O primeiro-ministro canadense rejeitou. Tema perdeu tração, mas volta em falas ocasionais.
– Fort Knox com Elon Musk: Trump disse que Musk revisaria reservas de ouro; nada ocorreu. Musk deixou o governo.
– Guantánamo para imigrantes: Plano de enviar até 30 mil “criminosos” para a base em Cuba minguou. Entre fevereiro e junho, cerca de 500 foram detidos; depois, quedas frequentes a zero. Custo alto e ações judiciais.
– Gaza “Riviera do Oriente Médio”: Trump defendeu que os EUA assumissem Gaza e realocassem palestinos, com reconstrução estilo resort. Países árabes rejeitaram. Ideia sumiu dos discursos.
– Cheques de US$ 2.000 com tarifas: Receitas tarifárias (US$ 289 bilhões em 2025) não cobrem cheques nacionais e outras promessas atreladas aos mesmos recursos (déficit, dívida, WIC, fazendas, Defesa). Rebate não veio.
– Fim do imposto de renda via tarifas: Discurso recorre à era pré-imposto de renda, mas, na prática, a Casa Branca foca na lei tributária e de gastos para reduzir contas de 2026.
– NFL e o kickoff: Trump criticou o novo formato do chute inicial, mas reconheceu que a liga “provavelmente não mudará”.
Política externa e segurança
– Venezuela, Colômbia e México: Após a operação que derrubou Maduro, Trump elevou o tom contra o presidente colombiano Gustavo Petro e depois recuou após ligação amistosa. Segue dizendo que cartéis “mandam” no México e cobra ação.
– Cuba “pronta para cair”: Com o fim do apoio venezuelano, Trump pressiona Havana e insinua “fazer um acordo antes que seja tarde”, sem detalhes.
– Irã: Advert
