As ações da Micron sobem conforme o CEO destaca a demanda de inteligência artificial por memória

Gabriel Piziolo
4 Leitura mínima

Micron sobe com corrida por memória para IA e plano de US$ 200 bilhões nos EUA

Ações da Micron dispararam quase 8% nesta sexta-feira, impulsionadas pelo apetite de investidores por empresas da cadeia de suprimentos de IA após resultados fortes da TSMC. O movimento reforça a leitura de que os investimentos em infraestrutura de IA seguem firmes e devem sustentar a demanda por semicondutores — especialmente memória.

Memória vira ativo estratégico na era da IA

A Micron, uma das líderes em memória e armazenamento para sistemas de inteligência artificial, acumula alta superior a 250% em 12 meses. Motivo: escassez global de chips de memória e uma procura crescente para suportar modelos de IA cada vez maiores.

Na prática, a memória mantém grandes volumes de dados próximos às GPUs, evitando gargalos e permitindo que modelos generativos e de linguagem rodem em alta performance. “A demanda impulsionada por IA está acelerando. É real e precisamos de cada vez mais memória”, disse o CEO Sanjay Mehrotra, em entrevista à CNBC.

O desequilíbrio entre oferta e demanda já pressiona preços. Estimativas do mercado apontam alta de cerca de 55% nos preços de memória no primeiro trimestre, reflexo da corrida de empresas como Nvidia, AMD e Google para garantir capacidade. Para 2027, a Micron projeta manutenção do aperto na cadeia, sustentado por ciclos de investimento em data centers e expansão de aplicações de IA em PCs e dispositivos corporativos.

Expansão bilionária e produção nos EUA

Para atender ao novo ciclo, a Micron anunciou um plano de US$ 200 bilhões para ampliar sua capacidade produtiva nos EUA. O pacote inclui duas novas fábricas (fabs) em Idaho e um complexo de 600 mil pés quadrados em Clay, no estado de Nova York, onde a companhia realizou a cerimônia de início das obras nesta sexta-feira. Segundo a empresa, o investimento nessa planta pode chegar a US$ 100 bilhões ao longo de sua implementação.

A construção envolve salas limpas e equipamentos de ponta, com cronograma de alguns anos até a plena operação. Paralelamente, a Micron trabalha para ampliar a produção nas instalações já existentes no curto prazo, de forma a capturar a demanda atual.

Os sinais operacionais também melhoraram. No início de 2025, a empresa projetava crescimento de 10% para memória de servidores; o ano terminou com expansão em “high teens” (alta na casa dos “teens” mais elevados). A companhia também reportou desempenho acima do esperado em memória e armazenamento para PCs, impulsionados por recursos de IA embarcados.

O que isso significa para investidores e brasileiros nos EUA

– Mercado: a valorização de fabricantes de memória acompanha o ciclo de investimentos em IA e data centers. O setor permanece sensível a preços e capacidade de oferta, com volatilidade ligada a anúncios de capex e contratos de longo prazo.
– Empregos e impacto local: a expansão nos EUA tende a gerar vagas qualificadas em engenharia, manufatura avançada e supply chain em Idaho e Nova York — oportunidade para brasileiros na área de tecnologia e indústria.
– Consumidor e empresas: PCs e servidores com capacidades de IA favorecem renovação de parque tecnológico, afetando custos e produtividade de negócios que operam nos EUA.

Contexto: o movimento da Micron ecoa o esforço de reindustrialização e segurança de suprimentos de semicondutores no território americano, com investimentos multibilionários para reduzir dependências externas. Para a cadeia de IA, memória virou peça central — e escassa — no tabuleiro.

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário