Bank of America supera estimativas com alta na renda de juros e avanço no trading de ações
O Bank of America (BofA) divulgou nesta quarta-feira resultados do quarto trimestre acima do esperado por analistas, impulsionados por crescimento da renda líquida de juros e pelo desempenho no trading de ações. O lucro subiu 12% na comparação anual, para US$ 7,6 bilhões, equivalente a US$ 0,98 por ação. A receita avançou 7,1%, somando US$ 28,53 bilhões, apoiada por juros, taxas de gestão de ativos e receitas de negociação. Mesmo assim, as ações recuaram mais de 3% no início do pregão.
Em comunicado, o CEO Brian Moynihan citou resiliência de consumidores e empresas e disse esperar mais crescimento econômico no ano à frente, apesar de riscos no cenário. Segundo ele, a direção executiva segue otimista com os EUA em 2026.
A renda líquida de juros — diferença entre o que o banco recebe em empréstimos e títulos e o que paga aos depositantes — cresceu 9,7% no trimestre, para US$ 15,92 bilhões. O número superou em cerca de US$ 240 milhões as projeções da StreetAccount. O banco também atualizou o guidance e prevê alta de 5% a 7% dessa linha em 2026.
Trading em ações acelera; renda fixa fica aquém
A divisão de ações foi destaque: a receita subiu 23%, para US$ 2,02 bilhões, cerca de US$ 160 milhões acima do esperado. Em renda fixa, o avanço foi mais tímido: alta de 1,5%, para US$ 2,52 bilhões, aproximadamente US$ 120 milhões abaixo das estimativas para o trimestre.
As taxas de banco de investimento ficaram praticamente estáveis em US$ 1,67 bilhão, em linha com as expectativas. Outro ponto favorável veio das perdas com crédito: a provisão para devedores duvidosos somou US$ 1,31 bilhão, cerca de US$ 190 milhões abaixo do projetado por analistas, sinal de qualidade de crédito ainda estável no varejo e nas empresas.
O BofA é o segundo maior banco dos EUA em ativos, atrás do JPMorgan Chase, e vem se beneficiando de ventos favoráveis do setor: recuo recente dos juros, melhora nas receitas de trading e consultoria em Wall Street, crédito ao consumidor estável e agenda de desregulamentação. Em 2024, as ações do banco acumularam alta de 25%.
O que observar daqui para frente
– Guidance de juros: o mercado deve acompanhar como a trajetória de cortes de juros e o custo de depósitos vão impactar a renda líquida de juros em 2025 e 2026.
– Volatilidade e mercado de capitais: o desempenho superior em ações pode seguir se a atividade em bolsas se mantiver aquecida. Já a renda fixa segue sensível a curva de juros e apetite a risco.
– Qualidade de crédito: provisões menores que o esperado ajudaram o trimestre. Sinais de aumento de inadimplência em cartões, autos e pequenas empresas seguem no radar.
– Concorrentes: a temporada bancária continua. O JPMorgan já superou projeções com trading mais forte. Citigroup e Wells Fargo também divulgam números nesta quarta; Goldman Sachs e Morgan Stanley reportam na quinta. O comparativo setorial deve calibrar expectativas para 2025-2026.
Para brasileiros que vivem, investem ou pretendem empreender nos EUA, os resultados do BofA indicam crédito ainda disponível, custo de financiamento em ajuste gradual e mercado de capitais ativo — fatores que influenciam desde abertura de conta e crédito imobiliário até operações de câmbio e investimentos em ações americanas. A reação inicial negativa das ações, apesar do lucro acima do esperado, mostra que o foco dos investidores está no ritmo futuro da renda de juros e na sustentabilidade do ciclo de trading.

