Bill Maher critica o Globo de Ouro por ignorar o podcast de Joe Rogan: ‘Só indicam coisas super politicamente corretas’

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Bill Maher atacou os organizadores do Globo de Ouro por deixarem Joe Rogan fora da primeira edição da categoria de “melhor podcast”. Em conversa com os comediantes Dana Carvey e David Spade no episódio mais recente do “Club Random”, o apresentador disse que a lista de indicados foi dominada por programas “super woke” e chamou membros da elite de Hollywood de “autossuficientes” e “desconectados”.

Entre os indicados, “Good Hang with Amy Poehler” — que levou o prêmio — superou “Armchair Expert with Dax Shepard”, “Call Her Daddy”, “The Mel Robbins Podcast”, “SmartLess” e “Up First”, da NPR. Rogan, cujo “The Joe Rogan Experience” lidera o Spotify, aparece à frente de Poehler nas paradas da Apple Podcasts e ocupa posições de destaque no YouTube Podcasts, ficou de fora.

O alvo da crítica: a ausência de Joe Rogan

Maher classificou como “chamativa” a ausência de Rogan, destacando a popularidade do programa do ex-comentarista do UFC. Dana Carvey concordou e elogiou Rogan como “brilhante no que faz”. Maher sugeriu que a escolha dos indicados reflete uma bolha cultural, citando a rede social Bluesky como metáfora de um recorte progressista de público.

O comediante também pediu que a Fundação do Globo de Ouro e a indústria do entretenimento “saiam da bolha” e evitem a postura que, segundo ele, afasta parte do público. Maher esteve presente na cerimônia como indicado por seu especial da HBO “Is Anyone Else Seeing This?”, sua primeira indicação em anos. Ricky Gervais venceu a categoria de melhor stand-up de TV.

Wokeness, carreira e debate cultural

Maher afirmou que, com a ascensão do “woke”, passou a ser visto como conservador, algo que considera equivocado. Para ele, sua nova indicação indica um esfriamento desse movimento e um retorno a critérios de mérito. No programa, Carvey e Spade ironizaram a mudança de rótulos políticos ao longo do tempo, dizendo que posições liberais dos anos 1990 hoje seriam tachadas de “extrema direita”.

Sobre seu material, Maher disse que satiriza “coisas estúpidas” em qualquer espectro e que, nos últimos anos, encontrou mais alvos na esquerda. Ele acrescentou que a reação do público — risos — valida o conteúdo.

Pins, ativismo e a noite do prêmio

Maher também comentou a presença de artistas usando pins em referência à morte de Renee Good, baleada por um agente do ICE em Minneapolis neste mês. Questionado no tapete vermelho, disse que o caso foi “terrível” e não deveria ter ocorrido, mas criticou o que chamou de “exibição política” na premiação e afirmou não ver necessidade de usar adereços simbólicos.

A criação da categoria de melhor podcast no Globo de Ouro coloca o setor de áudio no centro da temporada de premiações. A vitória de Amy Poehler e a ausência de Rogan devem manter o debate aceso sobre critérios de seleção, popularidade versus curadoria e a influência cultural de Hollywood em um mercado dominado por plataformas como Spotify, Apple e YouTube.

Para brasileiros nos EUA e interessados no mercado de mídia, o recado de Maher reforça a tensão entre audiência massiva e reconhecimento institucional — e como isso pode moldar visibilidade, patrocínios e oportunidades no ecossistema de podcasts.

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