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Telescópio James Webb revela novos detalhes da Nebulosa do Leão

4 min de leitura
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O telescópio espacial James Webb, da NASA, capturou novas imagens da Nebulosa do Leão, nome dado à NGC 2392 por sua semelhança com o rosto de um leão. A nebulosa já havia sido fotografada pelo telescópio Hubble em 2000, em luz visível, quando foram reveladas características como a "juba" de objetos com formato de cometa que cercam a estrutura. Agora, graças à sua capacidade de captar imagens em alta resolução, o Webb ofereceu uma visão mais nítida e detalhada do mesmo objeto, segundo a NASA.

À primeira vista, a estrutura geral da nebulosa nas imagens em infravermelho do Webb, obtidas com os instrumentos NIRCam (câmera de infravermelho próximo) e MIRI (instrumento de infravermelho médio), lembra bastante a visão anterior do Hubble em luz visível. No entanto, a visão em infravermelho do Webb destaca detalhes como aglomerados compactos de poeira e uma névoa de gás ionizado, ou seja, gás que perdeu elétrons e ficou eletricamente carregado. Segundo a NASA, esse conjunto de gás e poeira levou vários milhares de anos para chegar à forma atual, e seus componentes continuam se transformando.

Imagem do telescópio James Webb mostra nebulosa planetária com núcleo brilhante em tons de rosa e rosa-claro, envolvido por estrutura azulada e rodeado por
Imagem do telescópio James Webb mostra nebulosa planetária com núcleo brilhante em tons de rosa e rosa-claro, envolvido por estrutura azulada e rodeado por — Foto: NASA Goddard Space Flight Center

O que está por trás da forma da nebulosa

A origem dessas mudanças constantes e da aparência peculiar da Nebulosa do Leão está no centro do objeto: os restos de uma estrela em processo final de morte. Embora pareça o nariz do leão na imagem, é essa estrela remanescente que fornece a energia e a radiação responsáveis pelas estruturas intrincadas observadas pelo telescópio.

De acordo com a NASA, estrelas muito massivas terminam a vida em explosões de supernova, mas esse tipo de evento é relativamente raro. A maioria das estrelas do universo tem massa mais baixa, como é o caso da estrela que deu origem à NGC 2392. Quando uma estrela de massa mais baixa não consegue mais se sustentar por meio de reações nucleares em seu núcleo, ela se torna instável e passa a pulsar, perdendo massa ao expelir suas camadas externas. Esse material ejetado forma nuvens de gás e poeira conhecidas como nebulosa planetária. A NASA destaca que estrelas nessa fase da vida são responsáveis por grande parte da poeira observável no universo.

A radiação da estrela empurra o material ejetado para longe, deixando para trás um núcleo estelar extremamente quente, chamado de anã branca.

Uma bolha de gás em expansão

No caso da Nebulosa do Leão, a morte da estrela central, rica em oxigênio, deixou como resultado uma anã branca que está, segundo a descrição da NASA, "cozinhando" o material ao redor por dentro, produzindo uma bolha de gás ionizado. Essa bolha, que forma o que se vê como o rosto do leão na imagem, está se expandindo com o tempo e destruindo a poeira que encontra pelo caminho. Entender por que esse gás varrido pela expansão forma uma estrutura complexa de anéis e camadas, algo comum em nebulosas planetárias, ainda é um trabalho em andamento para os astrônomos, segundo a agência espacial.

Já a "juba" do leão corresponde ao interior de uma camada de poeira iluminada pela anã branca central. As pontas que lembram tufos de cabelo são, na verdade, aglomerados compactos de poeira que resistiram à radiação do núcleo estelar e, com isso, protegem o material que fica atrás deles.

A NASA ressalta que as imagens do Webb "congelam" essa nebulosa planetária em um determinado momento, ainda que a morte da estrela e seus efeitos continuem a acontecer. A NGC 2392 deve seguir mudando à medida que seu gás e sua poeira se afastam do núcleo estelar. Segundo estimativas de astrônomos citadas pela agência, o leão deve se dispersar por completo dentro de aproximadamente 10 mil anos, um período considerado curto em termos astronômicos.

O James Webb é descrito pela NASA como o principal observatório espacial de ciência do mundo atualmente, dedicado a investigar mistérios do Sistema Solar, mundos distantes ao redor de outras estrelas e as origens do universo. O telescópio é fruto de um programa internacional liderado pela NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA).

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