Citigroup supera estimativas com alta na receita de juros e provisão menor para calotes
O Citigroup divulgou resultados do quarto trimestre acima do esperado pelo mercado, impulsionados por maior receita de juros e provisões menores para perdas com empréstimos. Mesmo com um impacto contábil ligado à saída da Rússia, os números sinalizam tração nas principais frentes do banco.
O lucro líquido reportado caiu 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 2,47 bilhões (US$ 1,19 por ação), refletindo um prejuízo pós-imposto de US$ 1,1 bilhão associado ao plano de desinvestimento das operações na Rússia. Excluindo esse efeito, o lucro ajustado foi de US$ 3,6 bilhões, ou US$ 1,81 por ação.
A receita, sem o impacto relacionado à Rússia, avançou 8% e atingiu US$ 21,0 bilhões, com crescimento em banking, wealth e serviços institucionais. A receita de juros líquidos — diferença entre o que o banco recebe em empréstimos e investimentos e o que paga aos depositantes — subiu 14%, para US$ 15,67 bilhões, superando em cerca de US$ 815 milhões a estimativa da StreetAccount.
A provisão para perdas com empréstimos ficou em US$ 2,2 bilhões no trimestre, aproximadamente US$ 330 milhões abaixo do esperado por analistas. Em grandes bancos como Citigroup e Bank of America, provisões menores tendem a indicar maior confiança no ambiente econômico e na capacidade de pagamento dos clientes.
Estratégia: reestruturação, metas de retorno e sinalizações para 2026
A CEO Jane Fraser destacou, no comunicado de resultados, que 2025 foi “um ano de progresso significativo”, com “receitas recordes” e “alavancagem operacional positiva” em cada uma das cinco divisões de negócios. Segundo ela, o banco entra em 2026 com “visível momentum” e mantém o compromisso de atingir, no mínimo, 10% de retorno em 2026, com perspectiva de melhorar esse patamar nos anos seguintes.
Sob a gestão de Fraser, o Citigroup passa por uma reestruturação que inclui a venda de operações internacionais e foco em áreas de maior rentabilidade, em paralelo a benefícios vistos com a agenda de desregulamentação bancária nos EUA. Esse redesenho estratégico levou o analista Mike Mayo, do Wells Fargo, a classificar o Citigroup como sua principal aposta entre ações de bancos.
Mesmo com os números acima do consenso, as ações do Citigroup recuaram mais de 4% no pregão da tarde, refletindo realização e cautela de curto prazo dos investidores, que aguardam mais detalhes sobre a continuidade do impulso visto no ano passado e a execução das metas para 2026.
Contexto setorial: temporada de balanços dos grandes bancos
Os resultados do Citigroup vêm na esteira de uma semana carregada para o setor financeiro. O JPMorgan Chase divulgou números acima do esperado, apoiado por forte receita de trading. Bank of America e Wells Fargo também apresentaram seus balanços do quarto trimestre, enquanto Goldman Sachs e Morgan Stanley publicam resultados na sequência.
Para o público brasileiro atento ao mercado dos EUA, os dados do Citigroup reforçam três leituras-chave:
– juros ainda sustentam margens dos bancos, mesmo com volatilidade nas expectativas para a política monetária;
– provisões menores sugerem risco de crédito mais controlado no curto prazo;
– o foco em eficiência e desinvestimentos segue central para liberar capital e elevar retornos.
Pontos a monitorar: detalhes da venda de ativos internacionais, evolução da receita de wealth e serviços institucionais, e o caminho para a meta de retorno mínimo de 10% em 2026. Investidores também observam como a trajetória dos juros e a qualidade de crédito do consumidor americano podem influenciar provisões e margens ao longo do ano.

