Deputados democratas se rebelam contra acordo de Schumer com a Casa Branca, ameaçando prolongar o fechamento do governo

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Democratas na Câmara ameaçam acordo de Schumer com a Casa Branca e elevam risco de shutdown mais longo

Democratas na Câmara dos Representantes indicaram que não apoiarão o acordo orçamentário costurado no Senado pelo líder democrata Chuck Schumer com a Casa Branca, movimento que pode prolongar o shutdown parcial do governo federal iniciado na madrugada de sábado. A posição foi comunicada ao presidente da Câmara, Mike Johnson (R-LA), após o líder democrata na Casa, Hakeem Jeffries (D-NY), sinalizar que a tentativa republicana de acelerar a votação não teria os votos necessários.

Johnson, que conta com uma maioria republicana mínima, agora depende do próprio bloco para aprovar o pacote por etapas processuais antes do voto final, previsto para terça-feira, no melhor cenário. O governo opera em shutdown parcial desde que o Congresso não fechou acordo sobre o orçamento anual até 30 de janeiro. Áreas já financiadas seguem em funcionamento, mas recursos para os departamentos de Defesa, Transportes (DOT), Saúde e Serviços Humanos (HHS) e Segurança Interna (DHS) estão em risco.

O acordo no Senado e os impasses na Câmara

O pacote aprovado no Senado reúne cinco projetos de gastos que já passaram na Câmara, mas deixa de fora um plano bipartidário para financiar o DHS. Em vez disso, propõe manter o DHS no nível atual por duas semanas, enquanto democratas e republicanos negociam um texto mais amplo que inclua limites à atuação do ICE (a agência de imigração). Democratas condicionaram a negociação a mudanças no ICE após mortes envolvendo agentes federais em Minneapolis durante protestos anti-ICE.

Apesar da aprovação no Senado, Jeffries declarou que os democratas da Câmara avaliarão o conteúdo “pelos méritos” antes de decidir como proceder. Nos bastidores, democratas na Câmara afirmam não se sentirem vinculados ao acerto construído por Schumer com a Casa Branca.

Do lado republicano, líderes enfrentam resistências internas. Parte do partido rejeita concessões nas políticas migratórias do governo Trump que seriam objeto de negociação com democratas. A deputada Anna Paulina Luna (R-FL) condicionou seu apoio à inclusão de uma medida separada que exija comprovação de cidadania no registro de eleitores — proposta popular entre republicanos, mas alheia ao pacote de financiamento.

Calendário, votos e impacto do impasse

Inicialmente, Johnson esperava aprovar o pacote sob “suspensão das regras”, procedimento que acelera a tramitação, mas eleva a exigência de votos para dois terços do plenário. Sem apoio democrata, o plano perdeu tração. Agora, o texto passará pelo Comitê de Regras e, depois, por um “rule vote” — teste que normalmente segue a linha partidária — antes da votação final.

A liderança republicana na Câmara indica que não conta com os democratas para fechar o quórum. O líder da maioria, Tom Emmer (R-MN), afirmou esperar que Jeffries não entregue votos para o acordo, reforçando que o avanço dependerá da base republicana.

Se o Congresso não destravar o pacote rapidamente, o shutdown pode afetar pagamentos a militares e trabalhadores de aeroportos, além de pressionar o financiamento para resposta a desastres naturais e serviços federais de saúde. A continuidade do impasse amplia a incerteza sobre o fluxo operacional de departamentos críticos e deixa em suspenso prazos de contratos e programas.

O que está em jogo para a comunidade brasileira

– Viagens e aeroportos: atrasos e falta de pessoal podem impactar voos domésticos e internacionais, com reflexos para brasileiros que viajam aos EUA.
– Serviços federais de saúde e benefícios: possíveis limitações em agendamentos e repasses.
– Segurança de fronteira e imigração: negociações sobre o DHS e o ICE seguem no centro do debate, com potencial de mudanças em fiscalização e prioridades, tema sensível para imigrantes e visitantes.
– Economia e contratos: incerteza orçamentária pode atingir empresas com contratos federais, afetando negócios de brasileiros que atuam no mercado americano.

Próximos passos: o Comitê de Regras analisa o pacote nesta segunda-feira; em seguida, a Câmara realiza o “rule vote” e, se aprovado, leva o texto ao plenário, possivelmente na terça. Sem acordo bipartidário, a margem estreita dos republicanos será decisiva — e qualquer dissidência pode alongar o shutdown.

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