Irã lança mísseis perto de centro nuclear de Israel e fere dezenas; conflito amplia alcance e risco regional
Ataques atingem Dimona e Arad após ofensiva contra Natanz; IAEA diz não haver radiação anormal em Israel.
Pelo menos duas comunidades próximas ao principal centro de pesquisa nuclear de Israel foram atingidas por mísseis iranianos na noite de sábado, com dezenas de feridos, incluindo casos graves, segundo autoridades locais.
As cidades de Dimona e Arad, no sul, foram alcançadas sem interceptação das defesas israelenses, informou o Exército de Israel. É a primeira vez, desde o início desta guerra, que a área do centro nuclear israelense é alvo direto.
Horas antes, o complexo de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã, a cerca de 215 km de Teerã, havia sido atingido. A agência judicial iraniana Mizan disse que não houve vazamento após o ataque.
Alcance e respostas: Diego Garcia e mísseis de longo curso
Mais cedo, o Irã lançou mísseis contra a base conjunta Reino Unido-EUA de Diego Garcia, no Oceano Índico, a cerca de 4.000 km. O ataque foi malsucedido, de acordo com autoridades britânicas, que não detalharam a proximidade dos projéteis da ilha.
O episódio sugere capacidade de alcance maior do que a reconhecida por Teerã — que no passado afirmou limitar seu raio a cerca de 2.000 km — ou o uso de um vetor de lançamento espacial para disparo improvisado, segundo especialistas militares citados. O chefe do Estado-Maior de Israel, general Eyal Zamir, chegou a afirmar que o Irã disparou “um míssil balístico intercontinental de dois estágios”; Teerã não comentou.
A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) informou que não recebeu relatos de danos ao centro nuclear israelense nem de níveis anormais de radiação. Em relação a Natanz, a IAEA disse estar avaliando as informações. O órgão já havia apontado que a maior parte do urânio enriquecido do Irã estaria em outro local, sob escombros na instalação de Isfahan.
Israel disse não estar ciente de ter conduzido ataque a Natanz; o Pentágono não comentou. A chancelaria russa alertou para “risco real de desastre catastrófico” no Oriente Médio.
Guerra entra na 4ª semana e atinge múltiplas frentes
“A guerra não está perto do fim”, disse o general Zamir. O Ministério da Saúde do Irã informou mais de 1.500 mortos no país desde 28 de fevereiro, quando começaram ataques atribuídos aos EUA e a Israel. Restrições de internet dificultam a verificação independente de informações.
Em Teerã, moradores relataram fortes bombardeios durante o fim do Ramadã. O conflito pressiona preços globais de alimentos e combustíveis.
O Reino Unido não participa de ataques contra o Irã, mas autorizou o uso de suas bases por bombardeiros dos EUA para atingir sítios de mísseis iranianos. Na sexta, Londres disse que Diego Garcia pode ser usada para operações contra alvos que ameaçam navios no Estreito de Ormuz.
Diante de riscos à navegação, os Emirados Árabes Unidos se juntaram a 21 países — entre eles Reino Unido, Alemanha, França e Japão — manifestando prontidão para contribuir com a segurança de passagem no estreito.
Os EUA vão deslocar três navios de assalto anfíbio e cerca de 2.500 fuzileiros navais adicionais para o Oriente Médio, segundo autoridades americanas sob anonimato. O chefe do Comando Central dos EUA, almirante Brad Cooper, disse que a capacidade iraniana de atacar embarcações no estreito foi “degradada” após bombardeios a depósitos e lançadores costeiros.
Impacto regional e balanço parcial
Países do Golfo relataram novas investidas: um alerta de míssil soou em Dubai, e a Arábia Saudita disse ter abatido 20 drones em sua região leste, onde ficam grandes instalações de petróleo.
Em Israel, ao menos 15 pessoas morreram por mísseis iranianos; outras quatro morreram na Cisjordânia ocupada. Pelo menos 13 militares dos EUA foram mortos, além de civis em países do Golfo.
No fronte norte, Israel conduziu “operação terrestre limitada” no sul do Líbano; ao menos quatro militantes foram mortos, segundo o Exército israelense. O Hezbollah afirmou ter enfrentado tropas em Khiam. O governo libanês contabiliza mais de 1.000 mortos e mais de 1 milhão de deslocados por ataques israelenses a alvos do grupo, que também atingiram ativos civis, segundo autoridades locais.
A IAEA reiterou que segue monitorando as instalações nucleares afetadas e que não há, até o momento, relatos de radiação anormal em Israel. Autoridades ocidentais e regionais afirmam que novos desdobramentos militares são prováveis, enquanto países reforçam defesas e rotas marítimas no Golfo.