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O BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina, está ampliando a operação nos Estados Unidos e acaba de anunciar uma nova frente voltada a quem vem estudar no país. Em parceria com a BRASA (Brazilian Student Association), o banco passa a oferecer conta internacional em dólar, cartão de crédito e acesso a investimentos para estudantes brasileiros no exterior. O anúncio, feito em 28 de setembro, amplia uma relação de 12 anos entre o banco e a associação, que reúne mais de 15 mil membros em mais de 125 universidades.
O movimento se apoia na expansão recente da operação bancária do BTG nos Estados Unidos, com aprovações do Federal Reserve e do Office of the Comptroller of the Currency (OCC). “Nós tínhamos uma corretora há muitos anos nos Estados Unidos. Desde o ano passado, adquirimos também um banco, já aprovado por todos os órgãos reguladores. É um banco com licença federal, então podemos atuar em todos os Estados Unidos”, afirmou Rogerio Karp, sócio do BTG Pactual, em entrevista a Dony De Nuccio, sócio e CEO da TV Connect USA.
Segundo Karp, o foco inicial continua sendo o que o banco chama de “Sul-Norte”: brasileiros e latino-americanos que moram em seus países de origem e querem ter parte do patrimônio em dólar. Com a licença bancária, porém, o portfólio de serviços cresce, e o estudante que chega aos Estados Unidos sem histórico de crédito é o primeiro público novo a ser atendido.
Rogerio Karp, sócio do BTG Pactual, em entrevista a Dony De Nuccio, sócio e CEO da TV Connect USA
Cartão de crédito para quem não tem Social Security
A novidade reúne dois produtos. O primeiro é a Conta Internacional, em dólar, com cartão de débito para o dia a dia nos Estados Unidos, transferências e acesso a investimentos no mercado americano e no Brasil pelo aplicativo do BTG. O segundo é um cartão de crédito BTG Pactual Black emitido no Brasil, com limite a partir de R$ 6 mil e IOF zero nas compras internacionais, o que, na prática, permite usá-lo como se fosse um cartão americano.
O ponto central é que o cartão não exige histórico de crédito nos Estados Unidos, uma das maiores barreiras de quem chega ao país. “Esse estudante chega aqui e, por não ser residente fiscal, não tem Social Security Number. Consequentemente, não consegue pegar um cartão nos bancos locais”, explicou Karp. “Ele até conseguia abrir uma conta, mas não conseguia ter crédito. Muitas vezes tinha que viver só com cartão de débito. Esse produto é feito para atender uma demanda que existia e que não estava sendo cumprida por nenhuma instituição.”
Como o cartão é emitido no Brasil, ele conta para o histórico de crédito brasileiro, não para o score americano. Segundo o executivo, isso faz sentido para o perfil do público: a maior parte dos estudantes continua residente fiscal no Brasil e mantém vínculos financeiros com o país durante o período no exterior.
“Viemos para ficar”: a aposta do BTG nos Estados Unidos
O BTG está nos Estados Unidos desde os anos 1990, ainda como Banco Pactual, mas a compra do banco com licença federal muda a escala da operação. “O nosso foco com a compra do banco é mostrar que a nossa presença aqui veio para ficar. Não é uma presença temporária”, disse Karp. Segundo ele, a intenção é “capturar uma parcela cada vez maior do dinheiro brasileiro que venha para os Estados Unidos, sendo a plataforma mais completa e com maior oportunidade de serviços e produtos”.
A presença física no país, com escritório em Miami, também mudou a leitura do banco sobre quem é o brasileiro que vive aqui. “O que a gente percebe na prática é uma mistura. De um lado, pessoas que foram expatriadas, transferidas por suas empresas. De outro, um perfil muito empreendedor, que muitas vezes vendeu ou mantém negócios no Brasil, mas veio buscar o sonho americano e construir um futuro diferente para a família”, afirmou.
Karp também rebateu a imagem de banco restrito a grandes fortunas. Desde o início do projeto de varejo, em 2015, o tíquete de entrada caiu, e hoje o BTG atende clientes a partir de R$ 10 mil a R$ 20 mil no Brasil. A parceria com a BRASA, segundo ele, mira ao mesmo tempo o estudante de hoje, o empresário de amanhã e a família desse estudante. “São brasileiros que se dedicaram muito para entrar em uma universidade americana e que provavelmente serão os executivos e empresários do futuro. Começar a apoiá-los nesse início de carreira nos parece muito interessante, não só do ponto de vista comercial.”
Brasileiro tem menos de 10% do patrimônio em dólar, diz BTG
Perguntado sobre onde vê o banco em cinco anos nos Estados Unidos, Karp respondeu com um dado. Em outros países da América Latina, a maior parte do patrimônio das pessoas já é dolarizada; o brasileiro, por sua vez, tem o que o mercado chama de “home bias”. “A maior parte do patrimônio do brasileiro está no Brasil, em reais. Hoje, eu diria que a exposição do brasileiro a ativos em dólar está abaixo de 10%”, afirmou. Há dez anos, segundo ele, esse número era ainda menor.
A expectativa do banco é que a conta internacional e os novos serviços funcionem como catalisadores dessa mudança. “Não é porque há algo negativo com o Brasil, é simplesmente uma questão de diversificação. Ter 90% do patrimônio em uma moeda só não me parece fazer muito sentido quando você pensa nos próximos cinco a dez anos”, disse Karp. “Eu não duvido nada que, nos próximos cinco a dez anos, a gente chegue a um patamar de 20% a 25% do patrimônio dos brasileiros dolarizado.”
Para o executivo, estar perto da economia americana também tem valor estratégico em um momento de transformação tecnológica. “Não dá para negar que os Estados Unidos são um dos países na crista dessa evolução. Estar aqui nos permite ver as coisas acontecendo de primeira mão, enquanto no Brasil elas talvez aconteçam em uma segunda derivada”, afirmou, citando a chegada da era da inteligência artificial.
Parceria de 12 anos com a BRASA
A BRASA foi fundada em 2014 por estudantes brasileiros em universidades no exterior e hoje reúne mais de 15 mil membros em mais de 125 universidades, a maior parte nos Estados Unidos. O BTG foi um dos primeiros apoiadores da associação e patrocina anualmente conferências como a BRASA Summit Américas, o maior encontro de estudantes brasileiros na América do Norte, além de recrutar alunos da rede para seus programas de estágio. Em pesquisa recente da BRASA com mais de mil estudantes, o banco apareceu como a empresa mais desejada para trabalhar.
“A ampliação da parceria com a BRASA reflete essa visão de longo prazo e reforça nosso compromisso com uma geração de brasileiros que constrói sua formação e sua trajetória profissional em um ambiente cada vez mais global”, afirmou Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, em comunicado. Para Stephanie Passos, CEO da BRASA, a dimensão financeira é “mais um passo para acompanhar o estudante em uma jornada que começa na universidade, passa pela construção profissional e pode incluir diferentes momentos entre o exterior e o Brasil”.
Além da dispensa de histórico de crédito, o pacote inclui quatro anos de isenção da mensalidade do cartão, pontos ou cashback, IOF zero em compras internacionais e acesso a salas VIP. A oferta está disponível para estudantes cadastrados por meio do BRASA ID, de acordo com os critérios de elegibilidade do banco.
Ficha da entrevista
Entrevista gravada em 25 de setembro de 2026 no estúdio da TV Connect USA. Rogerio Karp, sócio do BTG Pactual, conversou com Dony De Nuccio, sócio e CEO da TV Connect USA. Trechos foram exibidos no Connect News e no Breaking Fast; a versão completa está no player acima.
