Ele era um trabalhador rural migrante que foi rejeitado pela NASA 11 vezes — então ele foi para o espaço

4 Leitura mínima

José Hernández, primeiro ex-trabalhador rural migrante a viajar ao espaço, visitou uma escola na Califórnia nesta quinta-feira para promover alfabetização em um evento do San Benito County Office of Education. Engenheiro da missão STS-128 do ônibus espacial Discovery, em 2009, ele reforça que sua trajetória começou no ensino fundamental — com uma professora da 2ª série que o incentivou a seguir estudando.

Hernández nasceu em uma família mexicana que migrou sazonalmente pelos Estados Unidos colhendo frutas e vegetais. Entre mudanças constantes, aprendeu inglês, estudou engenharia e seguiu para pesquisa em tecnologias avançadas antes de ser selecionado pela NASA. O caminho, porém, não foi direto: foram 11 rejeições até a aprovação final.

“Você dá a volta ao mundo a cada 90 minutos. É impressionante”, disse, ao lembrar a experiência em órbita. “Você não cansa de flutuar no espaço.”

Da roça ao laboratório, e do laboratório ao espaço

A formação de Hernández em engenharia o levou a cargos de pesquisa e desenvolvimento em sistemas de imagem e tecnologias espaciais. Em 2009, ele integrou a tripulação da STS-128, missão que levou equipamentos e suprimentos à Estação Espacial Internacional.

A história ganhou alcance global com o filme “A Million Miles Away” (Uma Longa Jornada), que retrata a perseverança do engenheiro diante das recusas sucessivas da NASA. A narrativa destaca disciplina, educação e apoio familiar como base para romper barreiras socioeconômicas — um recado que conversa diretamente com famílias imigrantes e comunidades latinas e brasileiras nos EUA.

Inspirar jovens: meta de vida

Na visita em San Benito, o foco foi claro: motivar estudantes a acreditar em metas ambiciosas. “Meu propósito é fazer com que crianças acreditem que aquilo que parece impossível não é impossível”, afirmou. Ele apontou a importância da leitura, da constância nos estudos e de traçar objetivos com etapas práticas — como aprender inglês, reforçar matemática e ciências e buscar mentores.

Para brasileiros nos EUA, a trajetória de Hernández oferece um roteiro de referência: combinar escola pública, programas de apoio acadêmico, domínio do idioma e participação em feiras de ciência e clubes de tecnologia. O exemplo reforça caminhos para quem mira carreiras em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), seja em universidades americanas, centros de pesquisa ou empresas aeroespaciais.

Por que isso importa

– Representatividade: histórias de ascensão social ajudam a reduzir a evasão escolar e a ampliar a participação de imigrantes em áreas técnicas.
– Mercado em expansão: o setor espacial nos EUA cresce com empresas privadas, criando demanda por engenheiros, técnicos e especialistas.
– Educação como alavanca: alfabetização e leitura cedo aceleram o aprendizado em ciências e tecnologia.

Hernández segue visitando escolas e eventos educacionais, conectando sua missão de vida à de novos estudantes. Para ele, a mensagem central é simples e prática: estudar com método, persistir diante das recusas e transformar oportunidades em trajetória. Uma volta ao mundo a cada 90 minutos começa com a primeira página lida na sala de aula.

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