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Flávia Saraiva conquistou o bronze na trave no Mundial de ginástica artística, disputado em Roterdã, na Holanda. A brasileira de 27 anos somou 14,300 pontos na final, disputada no domingo, e garantiu a segunda medalha do Brasil no torneio. A primeira foi o tricampeonato de Rebeca Andrade no salto.
Flavinha, como é conhecida, sorriu e comemorou antes mesmo de a nota aparecer. Ela sabia que precisava fazer sua série mais forte numa final de nível muito alto. Segundo a reportagem do ge, a ginasta era cotada para um pódio na trave desde a Olimpíada do Rio, em 2016, e só agora conseguiu colocar uma medalha do aparelho no peito.
Ouro decidido no desempate
O pódio ficou assim: a argelina Kaylia Nemour e a chinesa Zhang Qingying empataram com 14,566 pontos. O ouro foi para Nemour pelo critério de desempate, a maior nota de execução (8,266 contra 8,066). Zhang ficou com a prata, e Flávia, com o bronze.
As duas inverteram as posições do Mundial de 2025, quando a chinesa foi campeã. Nemour, atual vice-campeã mundial da trave, abriu a final com uma série de alto grau de dificuldade, executada muito bem. Zhang, campeã mundial em 2025 e líder da classificatória, fechou a decisão. Cometeu algumas falhas leves e deixou de executar algumas ligações de elementos, mas teve a maior nota de dificuldade da final: 6,5.
Flávia foi a penúltima a se apresentar. Executou bem todas as ligações, inclusive a sequência acrobática de flic, layout e layout, que a derrubou na final do individual geral. Teve apenas um desequilíbrio médio no mortal lateral. A nota 14,300 a colocou provisoriamente na segunda posição e assegurou o pódio.
O técnico Francisco Porath pediu revisão para tentar aumentar em dois décimos a nota de dificuldade, mas a arbitragem manteve o 6,1.
As outras finalistas
A americana Skye Blakely, campeã do individual geral, teve dois desequilíbrios médios e fez 13,633. A italiana Manila Esposito, bronze na trave nos Jogos de Paris 2024, perdeu uma ligação de elementos, mas apresentou boa série e marcou 14,066. A francesa Elena Colas fez 14,100, com apenas pequenos desequilíbrios.
A japonesa Mana Okamura, campeã dos Jogos Asiáticos, caiu, teve muitos desequilíbrios e ficou com 12,666, fora da disputa por medalha. A chinesa Qiu Qiyuan, vice-líder da classificatória, lutou para não cair em uma acrobacia e fez 13,633.
Trajetória na trave
Flávia é especialista no aparelho desde a categoria de base e foi prata nas Olimpíadas da Juventude de 2014. Foi duas vezes finalista olímpica da trave e chegou a Roterdã para a terceira final de Mundial. No ano passado, ficou em quarto lugar. Com o bronze, igualou o feito de Rebeca Andrade no Mundial de 2023, os melhores resultados do Brasil na trave na história, segundo o ge.
É a terceira medalha de Flávia em Mundiais. Em 2023, ela foi prata por equipes e bronze no solo. A ginasta também foi medalhista olímpica por equipes em Paris 2024.
Depois da prova, Flávia disse que a medalha representa a menina de 16 anos que disputou sua primeira final olímpica. Contou que se sente muito orgulhosa de ter treinado por mais de dez anos até conquistar a primeira medalha de Mundial na trave, e que a série foi montada com estratégias para ter o máximo de dificuldade, em uma final em que todas lutavam por cada décimo. "Dá um alívio, mas agora quero mais", afirmou.
Com o bronze de Flávia, o Brasil encerra o Mundial de Roterdã com dois pódios.
