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GP da África: o que se sabe sobre a nova pista da F1 em Ruanda

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A Fórmula 1 anunciou nesta terça-feira (13) o retorno da categoria ao continente africano depois de três décadas de ausência. A nova prova vai acontecer em Ruanda, e a pista deve entrar no calendário em alguns anos, com prazo mínimo previsto para 2030. Apesar de o desenho completo do traçado ainda não ter sido revelado, já existem detalhes sobre como deve ser o circuito.

O autódromo será construído em Bugesera, distrito no leste de Ruanda, a 40 quilômetros da capital, Kigali. O local fica próximo de onde está sendo erguido o Aeroporto Internacional de Kigali, com inauguração prevista para o início de 2028.

Projeto aproveita colinas e lago da região

O projeto da nova pista de Ruanda é assinado por duas empresas: a Wurz Designs, do ex-piloto de Fórmula 1 Alexander Wurz, e a Tilke Engineering, do arquiteto alemão Hermann Tilke. Tilke já desenvolveu traçados de diversas pistas do atual calendário da F1, de Spielberg, na Áustria, que tem três décadas de história, até o circuito de rua de Las Vegas, inaugurado em 2023.

Segundo Wurz, o desenho em Bugesera vai explorar o relevo natural do terreno, formado por duas colinas com um lago entre elas. O austríaco afirmou que chegou a ser discutida a construção de um circuito de rua, com possibilidade de usar até a área do antigo aeroporto, mas a escolha final recaiu sobre Bugesera justamente pela topografia do local.

Em entrevista coletiva, Wurz disse que, ao conhecer as encostas e os lagos da região, concluiu que não havia necessidade de um projeto elaborado, já que "a natureza já projetou a topografia perfeita". Ele completou dizendo que as duas colinas com o lago abaixo permitem subir e descer pela paisagem e que a intenção é proporcionar uma experiência que remeta à paisagem africana de Ruanda.

Pista deve ter 17 curvas e forte variação de altitude

As primeiras informações e imagens divulgadas indicam que o autódromo terá 6 quilômetros de extensão, 17 curvas e será percorrido em sentido anti-horário. O traçado deve apresentar uma variação de elevação de 197 metros ao longo de uma volta completa.

De acordo com o site especializado The Race, um dos trechos do circuito terá elevação maior do que a famosa subida da Eau Rouge, em Spa-Francorchamps. O projeto também deve contar com curvas inclinadas, em formato parecido com o de Zandvoort, na Holanda, e do Madring, na Espanha.

Hermann Tilke destacou ainda a presença de uma reta de mais de um quilômetro de extensão. Segundo ele, a combinação de forte freada ao fim dessa reta com curvas rápidas próximas ao lago deve favorecer ultrapassagens e aproximar o público da ação na pista.

A altitude também deve influenciar o desempenho dos carros. O local está situado a cerca de 1.500 metros acima do nível do mar, o que tornará a pista de Ruanda a segunda mais alta do calendário da Fórmula 1, atrás apenas do Autódromo Hermanos Rodríguez, no México, que fica a 2.250 metros de altitude. O ar rarefeito em grandes altitudes interfere no funcionamento dos motores e reduz a aderência dos pneus, fatores que costumam afetar diretamente o ritmo das corridas.

Paddock terá arquitetura típica de Ruanda

Os responsáveis pelo projeto também informaram que as construções do paddock vão seguir características da arquitetura local, com inspiração em uma "filosofia de vila" e visual que remete à terra vermelha típica da região. A ideia é que o espaço também possa ser usado para shows e outros eventos fora dos fins de semana de corrida.

O futuro Grande Prêmio da África marcará a primeira corrida de Fórmula 1 no continente desde 1993, quando a pista de Kyalami sediou o último GP da África do Sul, vencido por Alain Prost.

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