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A Justiça do Rio de Janeiro derrubou nesta terça-feira a liminar que havia barrado a realização do jogo de volta entre Vasco e Boca Juniors no Maracanã, pela semifinal da Copa Sul-Americana. A decisão restabelece a liberação do estádio para a partida, marcada para a próxima terça-feira, dia 20 de outubro.
A liminar anterior, do último sábado, havia sido concedida pela vice-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Suely Lopes Magalhães, atendendo a um pedido do Consórcio Fla-Flu, responsável pela administração do Maracanã. A nova decisão, desta terça-feira, foi do desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto e publicada no início da manhã. Ainda cabe recurso por parte do Consórcio Fla-Flu.
Com a reversão, os ingressos para o jogo, que haviam sido suspensos, voltaram a ser vendidos e se esgotaram rapidamente. Segundo a decisão judicial, foram registrados 46.014 ingressos comercializados, além da comunicação do jogo à Conmebol e do planejamento já realizado para acesso do público, policiamento, cobertura jornalística e transmissão.
Argumento da segurança e a cláusula contratual
No sábado, a liminar que suspendeu o jogo no Maracanã havia acolhido o argumento do Consórcio Fla-Flu de que haveria risco de segurança, já que um jogo de basquete entre Flamengo e Botafogo estava marcado para o mesmo dia no Maracanãzinho, ginásio anexo ao estádio.
O Vasco reagiu com a atuação conjunta dos departamentos jurídicos da SAF e do clube associativo, este último representado por Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do clube. O time argumentou ser impossível comparar uma semifinal continental de futebol com uma partida de basquete e apontou o que classificou como má-fé do Consórcio.
O clube também citou a cláusula 3.4 do Termo de Referência da concessão do Maracanã, que determina que jogos oficiais de futebol da Conmebol, da CBF e de outras entidades têm prioridade sobre outros eventos. Além disso, o Vasco acusou Flamengo e Fluminense de descumprirem obrigações da concessão, o que, segundo o clube, poderia justificar uma atuação do governo do estado para apurar o caso.
Ministério Público já havia recomendado o Maracanã
O pedido de reconsideração que resultou na nova decisão foi apresentado pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, no âmbito do mandado de segurança ajuizado pela concessionária que administra o Complexo Maracanã.
Segundo nota do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o procurador-geral destacou que, de acordo com avaliações técnicas de órgãos públicos, o Maracanã reúne as melhores condições de segurança pública, mobilidade urbana, logística e infraestrutura para a realização da partida. O órgão já havia se manifestado favoravelmente à realização do jogo no estádio em duas oportunidades anteriores.
A decisão também foi celebrada pelo presidente da Almirante Participações e Empreendimentos S.A., Mario Junqueira, em publicação nas redes sociais. "Primeira vitória do dia: a partida de volta vai ser no Maraca. Parabéns ao presidente Pedrinho e a todos aqueles do Vasco da Gama que lutaram incessantemente por isso. Gigante!", escreveu. O Vasco ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão.
Disputa havia começado na sexta-feira
O imbróglio em torno do local do jogo se arrasta desde a última sexta-feira, quando o Vasco recebeu um parecer favorável da Justiça e iniciou a venda de ingressos horas depois. Mais de 45 mil bilhetes foram comercializados até sábado, quando o Consórcio Fla-Flu teve aceito um recurso que suspendeu a decisão anterior.
Vasco e Boca Juniors fazem nesta terça-feira o jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana, às 21h30 (horário de Brasília), na Bombonera, em Buenos Aires. A partida de volta, com data definida para o dia 20 de outubro, será realizada no Maracanã, conforme a decisão judicial.
