Estamos aumentando nosso preço-alvo para o Goldman Sachs após um trimestre forte, porém barulhento

Gabriel Piziolo
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Goldman Sachs surpreende com trimestre forte; analistas elevam preço-alvo da ação

O Goldman Sachs reportou um trimestre sólido, ainda que com sinais “ruidosos” na composição dos resultados, e analistas elevaram o preço-alvo das ações do banco. O movimento reflete melhora no ambiente de mercado, retomada das emissões e ofertas públicas (IPOs), além de receitas mais firmes em trading e banca de investimento — áreas-chave para o desempenho do gigante financeiro em 2024/2025.

Para brasileiros que investem em ações dos EUA, o novo plano do Goldman aponta avanço no core business, foco em rentabilidade e menor exposição a operações fora do seu núcleo histórico de atuação, como empreendimentos de consumo que o banco vinha descontinuando desde 2023.

O que impulsionou o resultado

– Banca de investimento: Pipeline de ofertas e fusões voltou a girar, com aumento nas taxas de underwriting e assessoria. A normalização gradual das janelas de mercado favoreceu os fees.
– Trading (FICC e Equities): Volatilidade controlada e maior liquidez em mercados de renda fixa, câmbio, commodities e ações ajudaram o desempenho da mesa proprietária e do fluxo de clientes.
– Gestão de ativos e wealth: Receitas com taxas de administração e performance avançaram com o rali dos mercados e captação seletiva.
– Redução de ruídos: Itens não recorrentes e ajustes contábeis pesaram menos que em trimestres anteriores, ainda que continuem presentes o suficiente para tornar a leitura “barulhenta”.

O banco segue destacando disciplina de capital, com CET1 confortável, e prioriza retorno ao acionista por meio de dividendos e recompras, alinhado à melhora de resultados e à queda do risco regulatório imediato.

Por que o preço-alvo subiu

Analistas citam três vetores: recuperação cíclica da banca de investimento, resiliência do trading e avanço da rentabilidade do segmento de gestão de ativos. Com isso, as projeções de lucro por ação (EPS) foram revisadas para cima, o que sustenta um múltiplo mais robusto no curto e médio prazo. A expectativa é de ROE mais alto, sobretudo se a atividade de M&A e IPOs nos EUA continuar acelerando e o custo de capital estabilizar.

– Revisões de consenso: Modelos incorporam maior volume de deals e spreads mais favoráveis.
– Alocação de capital: Menor dispersão estratégica e foco em linhas rentáveis reduzem riscos.
– Sensibilidade macro: Mesmo com juros elevados por mais tempo, a previsibilidade melhora se a volatilidade permanecer controlada.

O que observar daqui para frente

– Pipeline de IPOs e M&As no 2º semestre: ritmo de captação e fechamento de operações é o principal termômetro.
– Margens no trading: gestão de risco e custo de funding em ambiente de juros altos.
– Fluxos em gestão de ativos: captação líquida e desempenho relativo dos fundos.
– Política de capital: recompras e dividendos em linha com o crescimento do lucro.

Para a comunidade brasileira nos EUA e investidores no Brasil com exposição a Wall Street, o caso Goldman volta ao radar como play direto em ciclos de mercado mais ativos. A tese depende da continuidade da reabertura das janelas de mercado e da manutenção de custos sob controle. Em cenário base, o banco se beneficia da retomada do dealmaking; em cenário adverso, a diversificação entre trading e gestão tende a suavizar choques.

Aviso: este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

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