Goldman Sachs supera previsões de lucro com força em ações e gestão de patrimônio
O Goldman Sachs superou as estimativas de lucro no quarto trimestre, impulsionado por resultados acima do esperado em negociação de ações (equities) e no braço de gestão de ativos e patrimônio. Mesmo com queda de receita relacionada à saída do negócio do Apple Card, o banco mostrou tração no core de Wall Street — capital markets, trading e investment banking.
Lucro avança 12% e bate projeções; receita recua com saída do Apple Card
O lucro líquido avançou 12% na comparação anual, para US$ 4,62 bilhões, equivalente a US$ 14,01 por ação. A administração destacou ganhos distribuídos pelas áreas de mercados de capitais. A LSEG não deixou claro se sua projeção de lucro por ação incluía o efeito já anunciado de US$ 0,46 por ação referente à venda do negócio do Apple Card; de todo modo, o resultado ficou acima do consenso.
A receita somou US$ 13,45 bilhões no trimestre, queda de 3% ano a ano. O banco atribuiu o recuo à transferência da carteira de empréstimos do Apple Card para o JPMorgan Chase e ao encerramento antecipado do contrato com a Apple. A unidade de “platform solutions” — a menor do grupo — registrou perda de receita de US$ 1,68 bilhão, revertendo ganho de US$ 592 milhões um ano antes, refletindo o impacto dessa saída.
As ações do Goldman subiam mais de 1,5% no início do pregão após a divulgação.
Trading e bancos de investimento puxam desempenho; backlog de deals cresce
O destaque foi a franquia de equities. A receita de negociação de ações saltou 25% ano a ano, para US$ 4,31 bilhões — cerca de US$ 610 milhões acima do esperado pelo StreetAccount — com maior receita em financiamento de operações e venda de derivativos para hedge funds e investidores institucionais.
Em renda fixa, a receita avançou 12%, para US$ 3,11 bilhões, superando as projeções em aproximadamente US$ 180 milhões, apoiada em apostas ligadas a juros e commodities.
As receitas de investment banking subiram 25%, para US$ 2,58 bilhões, em linha com o consenso, com impulso de assessoria em fusões e aquisições e emissões de dívida. Sinal positivo para 2026: o banco informou aumento do backlog de operações no fim do ano em relação ao fim do terceiro trimestre.
Na gestão de ativos e patrimônio, a receita ficou praticamente estável em US$ 4,72 bilhões, mas superou as estimativas em cerca de US$ 270 milhões. Taxas maiores sobre a base crescente de ativos sob gestão compensaram perdas líquidas em participações de ações listadas e menores ganhos em private equity.
Contexto de mercado favorece bancos de investimento; metas podem ser superadas
Segundo o CEO David Solomon, a atividade de clientes segue elevada e a expectativa é acelerar o ritmo em 2026, ativando um “flywheel” de negócios em toda a firma. O Goldman afirmou que, no curto prazo, pode superar suas metas de retorno (na faixa de “mid-teens”) e eficiência por volta de 60%, apoiado pela recuperação dos mercados de capitais e por ajustes regulatórios no setor.
Para brasileiros que investem ou atuam nos EUA, o recado é claro: a combinação de bolsas em alta, perspectiva de queda de juros e maior volatilidade em moedas e commodities reaquece receitas de trading e emissões, beneficiando bancos com perfil mais concentrado em Wall Street. Mesmo após sair de parcerias de varejo como o Apple Card, o Goldman reforça a estratégia de foco em mercados, advisory e gestão de patrimônio — áreas que tendem a capturar com rapidez ciclos de reabertura de mercado e retomada de deals.
