A Casa Branca estuda uma alternativa para ampliar o acesso a cartões de crédito entre americanos sem histórico bancário robusto, sem impor um teto geral de juros ao mercado. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou que grandes bancos podem lançar, de forma voluntária, novos cartões direcionados a consumidores “subatendidos”, desde que tenham renda e estabilidade para justificar uma linha de crédito.
A fala ocorre após a proposta do ex-presidente Donald Trump, feita na semana anterior, para que bancos limitem os juros de cartões a 10%. Executivos do setor rejeitaram a ideia e indicaram que, caso um teto fosse imposto, prefeririam encerrar contas de clientes em massa a operar com margens reduzidas.
Segundo Hassett, a solução em estudo não exigiria nova legislação. Em entrevista à Fox Business, ele sugeriu que instituições financeiras poderiam apresentar “novos ‘Trump cards’” — produtos voluntários, com critérios de elegibilidade mais claros e orientados a quem tem renda, mas pouco acesso a crédito. O assessor indicou ainda que a equipe econômica mantém conversas com CEOs de grandes bancos que “veem mérito” na pauta de acessibilidade.
O que está na mesa: acesso sem teto obrigatório
A mudança de tom sinaliza que o governo pode estar reduzindo a ambição de alterar, de forma ampla, o mercado de cartões — medida que enfrentaria resistência no Congresso e poderia afetar o consumo. Em vez do teto de 10% para todos, a ideia seria incentivar linhas específicas para nichos hoje desassistidos: trabalhadores com renda estável, mas sem histórico de crédito; recém-chegados ao sistema bancário; e consumidores com pouca alavancagem financeira.
O enfoque lembra modelos de “cartões de construção de crédito” com limites mais baixos, critérios alternativos de avaliação (como estabilidade de renda) e, possivelmente, taxas mais previsíveis. A Casa Branca aposta que bancos, ao aderirem voluntariamente, conseguiriam equilibrar risco e retorno sem a necessidade de mandato legal.
Ainda assim, há ceticismo. Um grande emissor de cartões e um lobista do setor disseram à CNBC que não tiveram conversas formais com o governo sobre o conceito dos “Trump cards”. Bancos também alertaram que um teto obrigatório, se avançasse, poderia levar ao fechamento de contas e à redução de crédito, com impacto no consumo.
Por que isso importa para brasileiros nos EUA
– Construção de crédito: Brasileiros recém-chegados enfrentam dificuldade para obter cartões por falta de histórico. Produtos direcionados a perfis “subatendidos” podem abrir portas para limites iniciais e histórico positivo, facilitando aluguel, financiamentos e até planos de celular.
– Custo do crédito: Mesmo sem um teto de 10%, ofertas mais segmentadas podem trazer juros e tarifas mais claros, reduzindo surpresas na fatura. Compare APR, anuidades e taxas por atraso antes de aderir.
– Acesso vs. risco: Cartões voltados a iniciantes podem ter limites menores e exigências de pagamento mais rígidas. Manter baixa utilização (idealmente abaixo de 30%) e pagar em dia segue essencial para construir score.
– Mercado em movimento: Se bancos lançarem “Trump cards”, a competição pode aumentar, com programas de recompensas básicos e relatórios a bureaus de crédito, acelerando a vida financeira de imigrantes.
Panorama: o governo sinaliza pragmatismo ao trocar uma mudança regulatória ampla por um arranjo voluntário com bancos. Para consumidores, especialmente os que estão começando a vida financeira no país, a medida pode ampliar a oferta sem travar o mercado. Para sair do papel, porém, depende da adesão real das instituições — algo que, por enquanto, ainda não está garantido.

