Um jovem de 22 anos acusado de assassinar o ativista conservador Charlie Kirk volta ao tribunal nesta sexta-feira (data local) em Orem, Utah. A defesa quer desqualificar toda a equipe de promotores do condado por suposto conflito de interesse. O Ministério Público nega.
Tyler Robinson responde por homicídio qualificado pela morte de Kirk, baleado em 10 de setembro durante um evento ao ar livre no campus da Utah Valley University, a poucos quilômetros do fórum de Provo. A Promotoria do Condado de Utah já anunciou que vai buscar a pena de morte em caso de condenação. Robinson ainda não apresentou sua defesa formal.
Defesa aponta vínculo pessoal; Promotoria diz que não há risco
O pedido de afastamento cita a presença do filho de 18 anos de um procurador-adjunto do condado no evento em que o disparo ocorreu. Segundo os autos, o jovem — cujo nome foi ocultado — trocou mensagens com o pai, membro da Promotoria, descrevendo a confusão após o tiro. A defesa argumenta que esse vínculo pessoal “levanta sérias dúvidas sobre decisões passadas e futuras” do Ministério Público e aponta “pressa” em pedir a pena de morte como indício de “reações emocionais intensas” que justificariam a desqualificação da equipe.
A Promotoria contesta. Em manifestação ao juiz distrital Tony Graf, o procurador do condado, Jeffrey Gray, afirmou que não há “risco significativo” de que o fato envolva emoções capazes de comprometer a condução imparcial do caso. Gray diz que o jovem “não é testemunha material nem vítima” e que “quase tudo” que sabe sobre o homicídio é “hearsay” (informação de terceiros), sem valor probatório direto.
Um depoimento anexado pelos promotores afirma que o filho do procurador não presenciou o disparo. Ele relatou ter ouvido “um estouro” enquanto olhava a multidão, seguido do grito “ele foi baleado”. Depois, enviou a mensagem “CHARLIE FOI BALEADO” ao grupo da família. O documento diz ainda que o jovem não faltou a aulas e não apresenta traumas permanentes, “além do susto” no momento.
Provas, mídia e próximos passos
Promotores dizem que mensagens de texto e DNA ligam Robinson ao crime. Segundo os autos, ele teria enviado mensagem ao parceiro romântico afirmando que mirou em Kirk porque “teve o suficiente do ódio dele”.
Em audiências recentes, a defesa tentou restringir a cobertura da imprensa. O juiz Graf proibiu que veículos publiquem fotos, vídeos e transmissões ao vivo mostrando o réu algemado, para preservar a presunção de inocência antes do julgamento. A sugestão da defesa de banir câmeras do tribunal ainda não foi decidida.
O caso ganhou atenção nacional por envolver Charlie Kirk, cofundador da organização conservadora Turning Point USA e figura conhecida por mobilizar jovens eleitores a favor do ex-presidente Donald Trump. Milhares de pessoas participaram do comício no campus no dia do ataque.
O juiz deve analisar o pedido para desqualificar a Promotoria. Se mantida, a equipe atual segue no caso. A audiência preliminar, em que promotores detalham as evidências para levar o réu a julgamento, está marcada para começar em 18 de maio.
A Associated Press informou que contatou a advogada de defesa, Kathryn Nester, por e-mail e telefone, sem retorno até a última atualização.
