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Como levar o cachorro do Brasil para os EUA: guia completo 2026

12 min de leitura
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Levar o cachorro do Brasil para os Estados Unidos deixou de ser um processo simples. Desde 1º de agosto de 2024, o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) aplica regras mais rígidas para a entrada de cães no país, e o Brasil está na lista de nações consideradas de alto risco para raiva canina. Na prática, isso significa mais documentos, exames feitos com antecedência e um número limitado de aeroportos de chegada aptos a receber os animais.

Apesar da burocracia adicional, o processo é viável para quem se planeja com dois a três meses de antecedência. A seguir, um guia passo a passo com as exigências para cães pequenos e grandes, para quem viaja a passeio ou está se mudando definitivamente, além das regras específicas para cães de serviço.

Captura de tela de um texto em tópicos sobre regras do CDC para entrada de cães nos EUA, com três situações: cão vacinado no Brasil, cão que já mora nos EUA e cão sem vacina antirrábica válida
Captura de tela de um texto em tópicos sobre regras do CDC para entrada de cães nos EUA, com três situações: cão vacinado no Brasil, cão que já mora nos EUA e cão sem vacina antirrábica válida. Foto: TV Connect USA

Exigências básicas para todos os cães vindos do Brasil

Independentemente do porte do animal ou do motivo da viagem, há um conjunto de exigências que se aplica a todos os cães que chegam aos Estados Unidos vindos do Brasil.

O cão precisa ter no mínimo 6 meses de idade na data de chegada ao país e estar identificado com microchip legível por leitor universal, no padrão ISO, geralmente iniciado pelo número 9. Um detalhe importante: o microchip precisa ser implantado antes da aplicação da vacina antirrábica, caso contrário a vacina é considerada inválida.

Um cão labrador de pelagem clara ao lado de uma mulher sorridente, com o logotipo "US Service Animals" em destaque à esquerda
Um cão labrador de pelagem clara ao lado de uma mulher sorridente, com o logotipo "US Service Animals" em destaque à esquerda. Foto: US Service Animals

A vacina antirrábica deve ser aplicada com o animal já tendo ao menos 12 semanas de vida. Se for a primeira dose do cão, ela precisa ter sido administrada no mínimo 28 dias antes da entrada nos Estados Unidos.

Também é exigida uma sorologia antirrábica, o chamado teste de titulação, realizada em laboratório aprovado pelo CDC. No Brasil, três laboratórios têm essa habilitação: a TECSA Laboratórios, o TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná) e o Núcleo de Pesquisas em Raiva, ligado ao ICB/USP. Sem esse exame, o cão é obrigado a cumprir quarentena de 28 dias já em solo americano.

Há ainda o CDC Dog Import Form, um formulário on-line e gratuito que deve ser preenchido individualmente para cada cão. O recibo gerado vale apenas para uma entrada, na data e no aeroporto informados: se houver mudança de voo, um novo formulário precisa ser feito.

Outro documento obrigatório é o e-CVI (Certificado Veterinário Internacional eletrônico), emitido pelo Ministério da Agricultura (MAPA/Vigiagro). A solicitação é feita pelo médico-veterinário, e o e-CVI no modelo acordado com o governo americano substitui o formulário do CDC referente à vacinação e ao microchip. Para cães, esse certificado vale por apenas 5 dias a partir da emissão, o que torna o timing da viagem um ponto crítico do planejamento.

É necessário também fazer reserva em um centro de cuidados animais registrado no CDC, conhecido pela sigla ACF, no aeroporto de chegada. Nesse local, o cão passa por exame veterinário e é revacinado com vacina americana, com custo por conta do tutor. O voo precisa chegar diretamente ao aeroporto onde está o ACF reservado, já que não é permitido fazer conexão doméstica nos Estados Unidos antes de o animal passar por essa etapa.

Por fim, todos os documentos devem estar em inglês ou acompanhados de tradução juramentada, e o cão precisa chegar aparentemente saudável.

Uma boa notícia em meio a tantas exigências: o resultado aprovado da sorologia vale pela vida toda do cão, desde que a vacinação nunca atrase e o laboratório continue na lista aprovada pelo CDC. Isso significa que quem viaja com frequência só precisa fazer esse exame uma única vez.

Cães pequenos em viagem de turismo

Para quem tem um cão pequeno, a grande vantagem é poder levá-lo na cabine do avião, junto aos pés. Mas aqui está o primeiro obstáculo: poucas companhias aéreas aceitam cães na cabine em voos saindo do Brasil para os Estados Unidos.

A LATAM aceita cães na cabine, nas classes Economy ou Premium Economy, apenas em voos operados pela própria companhia, sem codeshare ou conexão com outra empresa. A idade mínima exigida em rotas para os EUA é de 6 meses, e o animal deve viajar em caixa rígida de até 36 x 33 x 19 cm ou bolsa flexível de até 40 x 28 x 25 cm, com espaço suficiente para ficar em pé e girar dentro dela. O serviço precisa ser solicitado com antecedência e está sujeito a disponibilidade.

Mulher de jaqueta azul sentada em montanha nevada, com um cachorro dourado encostando o focinho em seu rosto, em um anúncio de registro de animais de apoio emocional
Mulher de jaqueta azul sentada em montanha nevada, com um cachorro dourado encostando o focinho em seu rosto, em um anúncio de registro de animais de apoio emocional. Foto: US Service Animals

A Azul informa que não embarca cães em voos do Brasil para os Estados Unidos. American Airlines e Delta também não aceitam pets na cabine em voos com origem no Brasil. Para outras companhias e voos com conexão, por exemplo via Panamá, Bogotá ou Lima, é preciso verificar a política específica de cada empresa. Vale lembrar que a escala em outro país também classificado como de alto risco não altera as exigências do CDC, e o voo final precisa necessariamente pousar em um aeroporto com ACF.

Mesmo viajando na cabine, o cão é direcionado ao ACF assim que desembarca, para exame e revacinação. Com a sorologia aprovada, o processo costuma ser rápido; sem ela, são 28 dias de quarentena, o que inviabiliza a maioria das viagens de férias. Em Los Angeles (LAX), o CDC recomenda que o cão viaje como carga, já que animais que chegam na cabine ou como bagagem são transferidos para a carga na chegada e podem sofrer atrasos.

Quem pensa na viagem de volta ao Brasil também precisa se planejar. O cão precisa de um CVI emitido nos Estados Unidos por veterinário credenciado pelo USDA e endossado pelo APHIS, conforme as exigências do MAPA para entrada no Brasil. Esse atendimento deve ser agendado com antecedência, já que o endosso pode levar alguns dias.

Cães grandes em viagem de turismo

Cães que não cabem na cabine viajam no porão, como bagagem acompanhada, ou como carga. As exigências do CDC são exatamente as mesmas aplicadas aos cães pequenos; o que muda é a logística junto à companhia aérea.

No transporte no porão pela LATAM, aviões de corredor único, como A319, A320 e A321, aceitam até 32 kg somando pet e caixa em voos de até 4 horas, e até 23 kg em voos de 4 a 5 horas. Acima de 5 horas, o serviço não é oferecido nesses modelos de aeronave. Já em aviões de dois corredores, como B767, B777 e B787, típicos das rotas para os Estados Unidos, o limite sobe para até 45 kg somando pet e caixa.

Uma mulher sorridente abraça um labrador bege de boca aberta, ao lado de uma logomarca com bandeira dos EUA e o nome "US Service Animals
Uma mulher sorridente abraça um labrador bege de boca aberta, ao lado de uma logomarca com bandeira dos EUA e o nome "US Service Animals. Foto: US Service Animals

A caixa de transporte precisa ter no máximo 300 cm lineares, somando largura, altura e comprimento, altura máxima de 115 cm e ao menos 5 cm de espaço entre a cabeça do cão e o teto da caixa. Raças braquicefálicas e consideradas perigosas, como buldogue, pug e boxer, entre outras presentes na lista da empresa, não são aceitas no porão. O transporte está disponível apenas em voos operados pela LATAM, com no máximo uma conexão de até 7 horas, e exige confirmação prévia da equipe da companhia.

Cães muito grandes, ou de raças restritas, normalmente precisam viajar como carga, em geral com apoio de uma empresa especializada em transporte de animais. Vale buscar empresas associadas à IPATA, entidade internacional do setor. As grandes companhias americanas, como Delta, United e American, restringem o transporte de pets no porão quase exclusivamente a militares e diplomatas, com programas de carga próprios e regras específicas.

Dois aeroportos merecem atenção especial: em Seattle (SEA), o ACF só aceita reservas de cães que chegam como carga, e em Los Angeles (LAX) esse também é o caminho recomendado. As companhias aéreas costumam ainda suspender o transporte no porão em períodos de calor extremo.

Para viagens curtas, vale fazer as contas com realismo. Custos de caixa de transporte, frete, ACF e uma eventual quarentena somam valores altos, o que leva muitas famílias a optarem por hotel ou cuidador no Brasil quando a viagem é de apenas uma ou duas semanas com um cão grande.

Mudança definitiva para os Estados Unidos

Não existe um visto ou permissão especial para o cão de quem está se mudando para os Estados Unidos. As regras de entrada são as mesmas aplicadas à viagem de turismo: microchip, vacina, sorologia, e-CVI, CDC Dog Import Form e reserva no ACF. A diferença está no planejamento prévio e nas providências necessárias após a chegada.

O ideal é começar o processo com 3 a 4 meses de antecedência, fazendo a sorologia com folga para não depender da quarentena. A escolha da cidade de chegada deve seguir a localização do ACF, e não a cidade de destino final: quem vai morar em Orlando, por exemplo, precisa fazer o cão pousar em Miami ou em outro aeroporto com ACF disponível, seguindo depois por terra ou por voo doméstico somente após a liberação do animal.

Para cães de grande porte, mudanças com mais de um animal ou cronogramas apertados, vale considerar o apoio de uma empresa de pet relocation. Após a chegada aos Estados Unidos, é recomendável registrar o cão em um veterinário local, providenciar a licença municipal (dog license) exigida em muitas cidades e manter a vacina antirrábica em dia conforme a legislação do estado.

Quem pensa em futuras viagens ao Brasil também deve se planejar. O cão revacinado com vacina americana no ACF pode, posteriormente, obter o formulário "Certification of U.S.-issued Rabies Vaccination", endossado pelo USDA. Emitido antes da saída dos Estados Unidos, esse documento simplifica bastante o retorno ao país, permitindo entrada por qualquer aeroporto, sem necessidade de passar pelo ACF. Para isso, o animal precisa permanecer nos Estados Unidos até que o veterinário credenciado envie o formulário, 28 dias após a vacina, e até que o USDA o endosse, processo que pode levar algumas semanas.

Cães destinados a adoção, resgate ou venda seguem exigências adicionais do USDA e não têm direito a redução da quarentena. Além disso, em razão da bicheira (New World screwworm), o USDA passou a exigir de cães vindos de países afetados um certificado de inspeção assinado por veterinário oficial. A orientação é confirmar com o veterinário responsável e no site do APHIS se essa exigência se aplica à viagem em questão.

Regras específicas para cães de serviço

Nos Estados Unidos, a definição de cão de serviço é restrita: trata-se apenas do cão treinado individualmente para executar tarefas para uma pessoa com deficiência, como o cão-guia, o cão de alerta para convulsões ou o cão de assistência à mobilidade, conforme a norma federal 14 CFR 382.3. Animais de suporte emocional não se enquadram nessa categoria e seguem as regras comuns aplicadas a pets.

Cães de serviço vacinados no Brasil cumprem todas as exigências do CDC já descritas, incluindo a reserva no ACF quando chegam de avião. Para evitar a separação do tutor e do animal durante o processo, a orientação é avisar o ACF no momento da reserva que se trata de um cão de serviço e solicitar atendimento prioritário, além de combinar previamente com a companhia aérea e com o próprio ACF o transporte conjunto até a instalação.

A sorologia também é essencial nesse caso: sem o exame, o cão de serviço igualmente cumpre os 28 dias de quarentena. Há uma exceção para chegada por porto marítimo, que permite a entrada de cães de serviço sem reserva em ACF, desde que viajem com a pessoa que assistem e tenham sorologia aprovada.

Nos voos de e para os Estados Unidos, as companhias aéreas exigem o preenchimento do formulário do Departamento de Transporte americano, o DOT Service Animal Air Travel Form, que atesta saúde, treinamento e comportamento do animal, e deve ser enviado com antecedência. Não há, no entanto, possibilidade de entrada por fronteira terrestre para cães vacinados fora dos Estados Unidos vindos de país de alto risco, regra que vale também para os cães de serviço.

Logo da empresa US Service Animals, com silhueta de cachorro sobreposta à bandeira dos Estados Unidos e o texto "Official Service & Support Animal Registration"
Logo da empresa US Service Animals, com silhueta de cachorro sobreposta à bandeira dos Estados Unidos e o texto "Official Service & Support Animal Registration". Foto: US Service Animals
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