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O comentarista britânico de extrema direita Milo Yiannopoulos foi deportado para o Reino Unido depois de ser preso por autoridades de imigração dos Estados Unidos, informaram funcionários americanos neste sábado.
Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Yiannopoulos foi enviado de volta ao seu país de origem na sexta-feira. Ele era acusado de permanecer nos EUA além do prazo permitido depois de ter entrado legalmente no país em maio de 2019.
Um juiz de imigração havia emitido uma ordem final de remoção em 22 de julho, depois que Yiannopoulos não compareceu a uma audiência de imigração, informou um porta-voz do DHS. Ele foi preso na quinta-feira no Aeroporto Internacional Louis Armstrong de Nova Orleans, na Louisiana, e detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Em comunicado, um porta-voz do DHS afirmou que Yiannopoulos optou por permanecer no país além do prazo autorizado, em violação às leis americanas. Yiannopoulos e seus representantes não responderam a pedidos de comentário, e ele não fez publicações em sua conta na rede social X desde quinta-feira.
Trajetória e atuação política
Yiannopoulos é conhecido como defensor de causas conservadoras e costuma adotar posições públicas provocativas contra o feminismo, o islamismo e a imigração. Ele se declarou publicamente favorável à política de imigração do presidente Donald Trump, chegando a defender, em publicação no ano passado, a suspensão total da imigração para os EUA pelos próximos 20 anos.
Mais recentemente, ele atuava como porta-voz do rapper Ye, anteriormente conhecido como Kanye West, que se apresentou em Nova Orleans na noite de sexta-feira. Yiannopoulos também havia dirigido a breve campanha presidencial de Ye em 2024 e, em 2022, atuou como estagiário da então deputada federal Marjorie Taylor Greene, segundo reportagem do Washington Post citada pela agência AP.
Ele ganhou notoriedade no início da década de 2010 como colunista do site conservador Breitbart News, de onde se demitiu em 2017 depois que veio à tona um vídeo em que fazia comentários favoráveis à pedofilia. Yiannopoulos posteriormente se desculpou pelas declarações e disse ter sido vítima de abuso sexual quando menor de idade.
Em 2017, ele ficou no centro de polêmicas ao realizar uma turnê por universidades do país, batizada por ele de "Troll Academy Tour". As aparições provocaram confrontos entre estudantes que o acusavam de discurso de ódio e outros que o defendiam como símbolo da liberdade de expressão. Na época, o site BuzzFeed noticiou proximidade de Yiannopoulos com pessoas que se autodeclaravam nacionalistas brancas.
Prisão ocorre em meio a intensificação de ações do ICE
A prisão de Yiannopoulos na quinta-feira acontece em meio a um aumento nacional de detenções como parte da política de fiscalização de imigração do governo Trump.
A ativista conservadora Laura Loomer, que mantém disputas públicas com Yiannopoulos há anos, comemorou a prisão em publicação na rede X. Segundo ela, foi a primeira a denunciar que Yiannopoulos estava em situação irregular nos EUA e que ele havia incitado violência contra Trump e trabalhado para Marjorie Taylor Greene, a quem se referiu de forma pejorativa.
O caso de Yiannopoulos se soma a uma série de deportações e detenções recentes ligadas à intensificação das ações de fiscalização migratória promovidas pela atual gestão federal.
