Irã reabre espaço aéreo após 5 horas de suspensão; companhias evitam rotas e aumentam desvios
O Irã reabriu seu espaço aéreo na madrugada desta quinta-feira (3:30 UTC; 22:30 ET de quarta) depois de um fechamento temporário de cerca de cinco horas que barrou a maioria das decolagens e pousos. A suspensão ocorreu em meio ao aumento das tensões com os EUA e elevou o risco operacional para companhias aéreas que cruzam a região.
Dados em tempo real do FlightRadar24 indicavam, por volta das 4:00 UTC, que a maioria das aeronaves seguia desviando do espaço aéreo iraniano, enquanto voos domésticos começavam a ser retomados. A ordem inicial permitia exceções para voos internacionais de/para Teerã, desde que aprovados pela autoridade de aviação civil do Irã.
Roteiros alterados e voos cancelados
Companhias na Europa, Ásia e Oriente Médio têm cancelado ou redesenhado rotas para evitar o Irã — decisão que pode alongar tempos de voo, aumentar custos de combustível e gerar atrasos. A Lufthansa informou que vai desviar de Irã e Iraque “até novo aviso”, com alguns voos cancelados. A alemã já havia recebido alerta do governo para evitar o espaço aéreo iraniano no início da semana.
A IndiGo, maior companhia da Índia, disse que parte de seus voos internacionais foi impactada pelo bloqueio. Emirates, Qatar Airways e Turkish Airlines cancelaram múltiplas operações para o Irã ao longo da última semana. O governo dos EUA mantém a proibição para que aviões comerciais americanos sobrevoem o Irã.
Para brasileiros que viajam a partir de hubs como Doha, Dubai, Istambul, Frankfurt ou Delhi, a recomendação é checar o status do voo com antecedência e considerar conexões mais longas. Desvios sobre rotas do Golfo, Cáucaso e Ásia Central podem alterar janelas de conexão e bagagem.
Tensão regional e risco aéreo
A decisão de fechar o espaço aéreo ocorreu após escalada de tensão entre Teerã e Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervenção caso continuasse a repressão violenta a protestos antigoverno no Irã. Em seguida, afirmou na Casa Branca que recebeu garantias de que as mortes cessaram e que “vai observar” antes de decidir sobre uma ação militar.
Os EUA começaram a reposicionar parte de pessoal e equipamentos em bases no Oriente Médio, após ameaças iranianas de retaliação caso Washington lance ataques. O ambiente aumenta a aversão ao risco no tráfego aéreo civil, levando companhias a optar por rotas alternativas mesmo após a reabertura.
Contexto interno no Irã
Os protestos começaram no fim do ano passado, após o rial, moeda iraniana, atingir mínimas históricas e aprofundar a crise do custo de vida. O movimento evoluiu para uma contestação mais ampla ao regime teocrático. De acordo com o grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, ao menos 2.571 pessoas morreram em confrontos desde o início da onda de protestos.
O que o viajante brasileiro precisa saber
– Verifique seu voo: consulte o status no site da companhia e nos apps de rastreamento (FlightRadar24).
– Considere conexões folgadas: desvios podem adicionar 30 a 90 minutos, ou mais, em rotas Europa–Ásia e Golfo–Europa/Américas.
– Reacomodação: em caso de cancelamento, peça reembolso, remarcação sem multa e assistência conforme regras da companhia.
– Seguro viagem: confirme cobertura para atrasos e perdas por conexões perdidas.
Cenário em evolução. Novas decisões de autoridades aéreas e companhias podem ocorrer a qualquer momento.

