Luigi Mangione não enfrentará pena de morte no caso do assassinato do CEO

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Um juiz federal em Manhattan decidiu que Luigi Mangione, 27, não poderá receber pena de morte no caso em que é acusado de matar Brian Thompson, 50, executivo da UnitedHealthcare, em Nova York. A decisão, proferida pela juíza Margaret Garnett, elimina duas das quatro acusações federais que o réu enfrentava — incluindo a que poderia levar à execução, caso fosse condenado.

A magistrada manteve duas acusações sob a legislação federal de stalking, que, se resultarem em condenação, podem levar à pena máxima de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Thompson foi morto a tiros em dezembro de 2024, em uma rua de Midtown Manhattan, quando caminhava para um evento com investidores do UnitedHealth Group, controladora de sua empresa.

Acusações reduzidas e fundamento jurídico

As acusações derrubadas eram: uso de arma de fogo durante o suposto stalking que resultou em homicídio — ponto que abriria a via para a pena de morte — e uso de arma com silenciador no mesmo contexto. Em sua ordem, Garnett escreveu que essas acusações dependiam de as duas primeiras (stalking resultando em morte) se enquadrarem, por definição legal, como “crimes de violência” no estatuto federal.

A juíza reconheceu que a conclusão pode soar “estranha” para leigos e até para profissionais do direito, mas afirmou estar vinculada por precedentes da Suprema Corte que, no entendimento do tribunal, impedem classificar as acusações de stalking, como formuladas, nessa categoria específica. Com isso, a acusação que habilitava a pena de morte caiu, assim como a referente ao silenciador.

Busca em mochila é mantida; processo estadual segue

No mesmo despacho, Garnett rejeitou o pedido da defesa para excluir provas obtidas pela polícia na abordagem de Mangione em Altoona, Pensilvânia, cinco dias após o crime. Segundo os autos, agentes encontraram inicialmente um carregador de pistola municiado na mochila do suspeito e, depois, uma arma de fogo, um silenciador e um caderno vermelho, entre outros itens. A defesa alegava ilegalidade na busca, mas o tribunal manteve o material no caso.

Paralelamente à ação federal, Mangione responde a acusações de homicídio na Justiça estadual de Manhattan. Promotores de Nova York buscam prioridade para realizar o julgamento estadual antes do federal. O estado de Nova York não prevê pena de morte em processos criminais.

O caso segue em destaque por envolver um alto executivo do setor de saúde, a atuação coordenada entre autoridades federais e estaduais e debates técnicos sobre a definição de “crime de violência” na lei federal de stalking — ponto que redefiniu o alcance das punições possíveis no processo.

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