O CEO da DeepMind está falando com o CEO do Google ‘todos os dias’ enquanto o laboratório intensifica a competição com a OpenAI

Gabriel Piziolo
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O ano começou com dúvidas em Wall Street sobre a capacidade do Google de acompanhar a OpenAI. Terminou com as ações da Alphabet no melhor desempenho desde 2009 — e com a DeepMind no centro da guinada. Em entrevista ao novo podcast The Tech Download, da CNBC, o fundador e CEO Demis Hassabis descreveu a DeepMind como “a sala de máquinas” da IA do Google e disse falar “todos os dias” com o CEO Sundar Pichai para acelerar decisões e lançamentos.

Segundo Hassabis, a integração entre pesquisa, infraestrutura e produtos foi redesenhada para encurtar o caminho do laboratório até serviços como Busca e outras plataformas do Google. “Construímos o backbone, não só os modelos, mas a arquitetura para que tudo possa ser lançado muito rapidamente”, disse. O executivo classificou o cenário atual como “ferozmente competitivo”, com gigantes como OpenAI, Amazon, Anthropic e startups pressionando por velocidade.

Reorganização interna, Gemini e virada de execução

A reorganização de 2023, que fundiu o Google Brain com a DeepMind, é apontada como um ponto de inflexão que pavimentou o avanço do Gemini — o assistente de IA da empresa. Promoções-chave na liderança do produto e ciclos mais curtos de lançamento reforçaram a execução. Após tropeços em 2024 que alimentaram a percepção de atraso em relação ao ChatGPT, a meta passou a ser “voltar às raízes empreendedoras”: ser mais ágil, “scrappy” e focado em colocar novidades nas mãos dos usuários.

Hassabis citou o lançamento do Gemini 2.5, em março de 2025, como momento em que a equipe “entrou no ritmo”. Em novembro, o Google apresentou o Gemini 3, elogiado por líderes do setor e usuários sobretudo pela velocidade. A promessa agora é de um pipeline contínuo, com modelos da DeepMind sendo incorporados rapidamente a produtos do Google — inclusive a Busca. “O processo ficou suave no último ano, e vocês verão ainda mais nos próximos 12 meses”, afirmou.

Competição, bolha e a corrida pela AGI

A coordenação diária entre Hassabis e Pichai, segundo o CEO da DeepMind, ajusta roadmaps “dia a dia” sem perder a ambição de longo prazo: alcançar a inteligência artificial geral (AGI) “primeiro, rápido e com segurança”. A leitura do mercado é pragmática: há componentes de bolha — especialmente em rodadas seed bilionárias sem produto consistente —, mas o potencial transformador permanece. Hassabis compara a fase atual à bolha das pontocom: apesar do excesso, a internet gerou empresas de geração.

Para a Alphabet, a estratégia é estar posicionada para vencer em qualquer cenário — de crescimento exponencial contínuo a uma correção. A vantagem competitiva, diz Hassabis, está na combinação do negócio principal do Google com a incorporação transversal da IA a produtos de massa. A DeepMind fornece a tecnologia; o ecossistema do Google escala, distribui e monetiza.

O recado ao mercado é claro:
– prioridade em execução e velocidade de lançamento;
– integração profunda entre P&D e produtos;
– foco em segurança e liderança técnica rumo à AGI;
– disciplina frente à euforia do capital de risco.

Para brasileiros nos EUA — empreendedores, profissionais de tecnologia e investidores —, o movimento sinaliza um 2026 de serviços do Google mais rápidos e integrados com IA, oportunidades em ecossistemas de parceiros e um ambiente competitivo que deve ampliar demanda por talento técnico, computação em nuvem e aplicações corporativas baseadas no Gemini.

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