Os ganhos do Morgan Stanley superam as estimativas impulsionados pela gestão de patrimônio

Gabriel Piziolo
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Morgan Stanley supera estimativas com força em gestão de patrimônio e avanço no banco de investimento

O Morgan Stanley divulgou resultados do quarto trimestre acima do esperado por Wall Street, impulsionados pelo desempenho da divisão de Wealth Management e pela retomada das operações de banco de investimento. As ações avançaram cerca de 6% após o anúncio, e acumulam alta superior a 43% em 12 meses.

A receita total subiu para US$ 17,89 bilhões, ante US$ 16,22 bilhões um ano antes. O lucro líquido alcançou US$ 4,40 bilhões, ou US$ 2,68 por ação, frente a US$ 3,71 bilhões, ou US$ 2,22 por ação, no mesmo período do ano anterior.

Wealth Management puxa o resultado e atinge recorde anual

A área de gestão de patrimônio seguiu como motor do banco. No trimestre, a unidade registrou US$ 8,4 bilhões em receita líquida, acima dos US$ 7,5 bilhões de um ano atrás. No acumulado de 12 meses, o segmento cravou recorde: US$ 31,8 bilhões em receita líquida.

Os ativos totais de clientes nas áreas de wealth e investment management chegaram a US$ 9,3 trilhões, apoiados por mais de US$ 350 bilhões em novos ativos líquidos. O número reforça a estratégia do Morgan Stanley de ampliar a base de relacionamento de longo prazo, com foco em clientes de alta renda, assessoria financeira e oferta integrada de produtos.

O CEO e chairman Ted Pick destacou que a performance reflete investimentos plurianuais que vêm acelerando o crescimento em toda a firma. A mensagem sinaliza continuidade da aposta na integração entre as frentes de banco de investimento, mercados e gestão de patrimônio para sustentar margens e receitas recorrentes.

Banco de investimento reage com M&A e consultoria mais fortes

Além do wealth, o banco de investimento se destacou. A receita líquida do segmento avançou 47% na comparação anual, para US$ 2,41 bilhões, apoiada por taxas de consultoria mais robustas com o aumento das transações de fusões e aquisições (M&A) concluídas em todas as regiões. O movimento sugere reabertura gradual do pipeline de negócios corporativos após um período de menor atividade por incertezas macro e custos de capital elevados.

O Morgan Stanley também manteve disciplina de capital. No trimestre, recomprou US$ 1,5 bilhão em ações. No ano, as recompras somaram US$ 4,6 bilhões, dentro do programa de buyback aprovado. A combinação de lucro crescente, recompras e melhora de sentimento em relação ao setor financeiro ajudou a impulsionar o papel no último ano.

Panorama dos grandes bancos: resultados mistos, porém resilientes

Entre os pares, os números recentes mostram resiliência com nuances. O JPMorgan superou estimativas apoiado por receita forte em renda variável e renda fixa. Bank of America e Citigroup também bateram o consenso. O Wells Fargo, por sua vez, ficou aquém das projeções de receita. No agregado, a fotografia indica que a grande banca dos EUA se beneficia do ambiente de mercado mais favorável no fim do ano, ainda que a dinâmica de cada casa varie conforme mix de negócios.

Para brasileiros que investem na bolsa americana ou acompanham o setor financeiro, os dados do Morgan Stanley reforçam três sinais: a gestão de patrimônio segue como pilar de estabilidade e crescimento; a retomada do M&A alimenta as receitas de consultoria; e a disciplina de capital via recompras continua apoiando o valor para o acionista. Investidores devem observar, nos próximos trimestres, a continuidade do fluxo de novos ativos, o pipeline de transações e a evolução das margens em um cenário de juros em ajuste e mercado de capitais reabrindo gradualmente.

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