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Policial acha morador morto e é acusado de tomar a casa e usar o nome dele na Flórida

8 min de leitura
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Um policial de Lauderhill, cidade vizinha a Fort Lauderdale, no sul da Flórida, é acusado de assumir a casa e a identidade de um morador que ele mesmo ajudou a encontrar morto. Brian Louis Sguros, de 35 anos, foi preso na terça-feira (20 de outubro de 2026), e a fiança foi fixada em US$ 25 mil na quarta (21), segundo a WSVN 7News e a NBC 6.

Segundo o relatório de prisão, citado pela NBC News, Sguros atendeu em 11 de julho de 2022 a um chamado para checar se Dennis West, de 71 anos, estava bem. West foi encontrado morto em casa, de causas naturais. Semanas depois, de acordo com os investigadores, o policial tomou posse do imóvel, reformou a casa e passou a usar o nome do morto para pagar contas e tirar uma licença de obra.

O que dizem os investigadores

A vizinha que ligou para o 911 contou à WSVN que estava preocupada com West, que morava sozinho. Sguros e outro policial de Lauderhill atenderam ao chamado, segundo o relatório de prisão citado pela WFTV; o CBS12 informou que ele foi como reforço. O corpo de West estava perto da entrada. O legista concluiu que ele morreu de doença cardiovascular aterosclerótica, segundo a NBC News.

De acordo com o Gabinete do Xerife de Broward (BSO), Sguros se apresentou ao escritório do legista do condado como amigo de West, embora não haja indício de que os dois se conhecessem, e disse que o morador não tinha família viva, o que não era verdade.

Nos papéis que ele mesmo apresentou, Sguros disse ter assumido o imóvel em agosto de 2022. Segundo o relatório de prisão, citado pela WSVN, ele "pagou os impostos e as contas de consumo da casa no nome de West" e usou a identidade do morto para conseguir que a prefeitura de Lauderhill emitisse uma licença para obras. O detetive responsável pelo caso também indicou que Sguros falsificou a assinatura de West nessa licença, informou o CBS12, com base no BSO. O telefone que aparece no pedido era o do próprio policial, segundo a NBC News. A NBC 6 acrescenta que o pedido levava o nome e o selo de um tabelião.

Os investigadores dizem ainda que Sguros fez consultas sobre West nos bancos de dados policiais, a partir do computador de trabalho. As buscas mostravam endereço, data de nascimento e número do Social Security do morador, segundo a NBC News. Em fevereiro de 2025, ele registrou no escritório do avaliador de imóveis do condado (Broward County Property Appraiser) que estava na posse da casa desde agosto de 2022.

Viatura verde e branca do Gabinete do Xerife do Condado de Broward estacionada perto do aeroporto de Fort Lauderdale, em 2021 (imagem de arquivo)
Viatura verde e branca do Gabinete do Xerife do Condado de Broward estacionada perto do aeroporto de Fort Lauderdale, em 2021 (imagem de arquivo). Foto: Jason Lawrence / Wikimedia Commons (CC BY 2.0), foto adaptada

Em 2024, uma empresa foi contratada para trocar portas e janelas da casa. O gerente do projeto disse à polícia que não sabia que West tinha morrido e lembrou que Sguros dizia que o dono estava "indisponível", segundo a NBC News.

Como o caso veio à tona

Uma empresa do ramo imobiliário comprou a casa dos herdeiros de West em 2025, segundo a Associated Press. A empresa ficou com a posse legal no processo de inventário, no outono daquele ano, mas, quando um funcionário foi assumir o imóvel, encontrou Sguros lá, de acordo com o relatório de prisão citado pela NBC News.

O policial entregou as chaves, mas exigiu ser reembolsado pelos reparos e melhorias que diz ter feito. Depois, entrou na Justiça cível contra a empresa pedindo mais de US$ 200 mil. Em maio, um advogado da empresa denunciou o caso à polícia de Lauderhill, segundo a NBC News. A polícia abriu investigação em 27 de maio, de acordo com a NBC 6. A investigação foi conjunta do BSO com o escritório do avaliador de imóveis do condado, segundo o CBS12.

O que diz Sguros

Na Justiça cível, Sguros afirmou que tomou posse da casa para evitar que invasores tomassem conta dela, segundo a AP. Ele descreveu o imóvel como cheio de lixo, com o telhado parcialmente desabado e a estrutura instável, e disse ter passado cerca de dois anos e meio fazendo reparos.

Em outro documento, escreveu que assumiu a casa "acreditando que, ao limpar, proteger e restaurar uma residência perigosa e abandonada, estava agindo de forma legal e responsável para proteger a comunidade ao redor", segundo a AP. Ele também argumentou que não tentou esconder o que fazia. Pelo relatório de prisão, citado pela NBC News, Sguros diz ter gastado pelo menos US$ 214 mil do próprio bolso na casa.

A AP informou que deixou recados para um dos advogados dele e para o próprio Sguros na quinta-feira (22).

Fiança, afastamento e acusações

Sguros responde por cinco acusações de crime grave (felony), entre elas má conduta oficial e uso criminoso de dados de identificação de pessoa morta, segundo a AP. A NBC News lista também uso criminoso de dados de identificação pessoal, crime contra usuário de computador e uso ilegal de aparelho de comunicação. Ele não foi julgado e é considerado inocente até prova em contrário.

Prédio do complexo judicial do condado de Broward, em Fort Lauderdale, com palmeiras na calçada, em 2010 (imagem de arquivo)
Prédio do complexo judicial do condado de Broward, em Fort Lauderdale, com palmeiras na calçada, em 2010 (imagem de arquivo). Foto: Georgia Guercio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0), foto adaptada

Na manhã de quarta (21), ele foi apresentado à juíza Allison Gilman, do Tribunal do Circuito do condado de Broward. "Falei com o promotor assistente. Temos um acordo sobre a fiança; vai ser de US$ 25 mil no total", disse o advogado de Sguros na audiência, segundo a WSVN. O policial pagou a fiança e foi solto na tarde do mesmo dia. A Justiça mandou que ele não volte à casa de West, de acordo com a emissora.

Sguros está na polícia de Lauderhill desde março de 2021, segundo a WFTV. Em 22 de julho, foi afastado das funções com salário; depois da prisão, passou a ficar afastado sem salário, informou a NBC 6.

"Todo policial deste departamento jura proteger o povo de Lauderhill, inclusive aqueles que não podem mais falar por si mesmos", disse a chefe de polícia de Lauderhill, Constance Stanley, em nota reproduzida pela WFTV. O avaliador de imóveis do condado, Marty Kiar, afirmou, em nota ao canal WPLG reproduzida pela WFTV, que o caso "é muito preocupante porque esse policial foi acusado de usar o cargo para fraudar o público".

A TV Connect também mostrou o caso da prefeita de Kissimmee, Jackie Espinosa, acusada de fraude com verba da Covid.

Como saber se alguém mexeu na escritura do seu imóvel em Broward

O escritório do avaliador de imóveis do condado de Broward tem um serviço gratuito, o Owner Alert, que avisa o dono por e-mail quando é registrado um documento que muda a propriedade do imóvel. Segundo o site do órgão:

  • Quem pode usar: só proprietários de imóveis no condado de Broward.
  • O que é preciso: nome, número de identificação do imóvel (Property ID) e e-mail.
  • O que chega: um e-mail com o link do documento registrado, para o dono conferir.
  • Se você não autorizou a mudança: procure a polícia da cidade onde fica o imóvel.

Perguntas frequentes

Quem é o policial acusado em Lauderhill?
Brian Louis Sguros, de 35 anos, policial de Lauderhill desde março de 2021, segundo a WFTV. Ele foi preso na terça (20) e solto sob fiança de US$ 25 mil na quarta (21).

Do que ele é acusado?
De má conduta oficial, uso criminoso de dados de pessoa morta e de dados pessoais, crime contra usuário de computador e uso ilegal de aparelho de comunicação. Segundo os investigadores, ele usou a identidade de Dennis West, achado morto em 2022, para pagar contas e tirar uma licença de obra para a casa.

O que ele diz?
Em documentos na Justiça cível, segundo o relatório de prisão citado pela NBC News, Sguros afirmou que assumiu a casa porque o imóvel estava em situação perigosa e para evitar crimes e invasores, e disse ter gastado pelo menos US$ 214 mil nela.

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