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O que Flávio e Lula disseram sobre os EUA: tarifas, terras raras e Escudo das Américas

7 min de leitura
Nesta matéria

Os Estados Unidos foram tema de uma pergunta direta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Band de domingo, 18 de outubro de 2026, o primeiro do 2º turno. Lula perguntou sobre as tarifas de até 50% impostas pelo governo Donald Trump em 2025, as terras raras brasileiras e o Escudo das Américas; Flávio disse que "ninguém trabalhou para tarifar a empresa brasileira" e que foi aos EUA "defender as empresas". O 2º turno é no domingo, 25 de outubro de 2026, e brasileiros com título no exterior votam nos consulados.

Abaixo, as falas dos dois sobre os EUA, tema a tema e na ordem em que foram ditas, com o contexto oficial do governo americano. Os outros momentos do debate estão na matéria sobre os principais momentos. A checagem de dez frases do debate está em outra matéria.

Eduardo Bolsonaro e quem foi aos EUA

  • Lula, no 1º bloco: "O seu irmão está fugindo nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil." Lula se referia ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos EUA desde 2025. Eduardo nega atuar contra o país.
  • Flávio, no 3º bloco: disse que Lula "foi para lá para defender CV e PCC", em referência à posição do governo brasileiro contra a classificação das facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.

O ato na Avenida Paulista

  • Lula, no 1º bloco: citou referências aos EUA no ato de apoiadores de Flávio na Avenida Paulista, em São Paulo, horas antes do debate, e disse: "o que vocês estão fazendo é trair a pátria".
  • Flávio, no 3º bloco: disse que "infiltrados" colocaram no ato o que chamou de "negócio de Trump" e que quem depredou a Paulista "vai ser identificado". Flávio afirmou que o ato foi feito "sem nenhuma depredação de patrimônio público".

Trump e a inflação

  • Lula, no 2º bloco: disse que a inflação "aumentou muito por conta da guerra do amigo dele, chamado Trump", e da guerra entre Rússia e Ucrânia.
  • Flávio, no 3º bloco: disse que Lula "briga com gente que está a 10 mil quilômetros de distância (…), mas ele não briga por você".

Tarifas

  • Lula, na pergunta do 3º bloco: falou da "pressão que eles fizeram para que os Estados Unidos taxassem o Brasil" e disse que o país "só cresceu depois disso".
  • Flávio, na resposta: "Ninguém trabalhou para tarifar a empresa brasileira. Eu fui até lá, os Estados Unidos, para defender as empresas dos produtos brasileiros. Sabe o que o governo fez? Não mandou ninguém."

O contexto oficial, segundo a Casa Branca:

  • 30 de julho de 2025: Donald Trump assinou a Ordem Executiva 14323, que impôs uma tarifa adicional de 40% sobre produtos do Brasil. Somada à tarifa de 10% já em vigor, a taxa chegou a 50%, com exceções como aviões civis e suas peças e produtos de energia. A Casa Branca justificou a medida citando ações do governo brasileiro, entre elas o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • 6 de outubro de 2025: Trump e Lula conversaram por telefone, e os dois governos abriram negociação.
  • Novembro de 2025: um novo decreto retirou parte dos produtos agrícolas brasileiros da tarifa adicional de 40%.
Lula, de perfil, fala no palco durante a réplica sobre a relação com os Estados Unidos
Lula, de perfil, fala no palco durante a réplica sobre a relação com os Estados Unidos. Foto: Reprodução/TV Band

Terras raras e Escudo das Américas

  • Lula, na pergunta: citou as terras raras, "aquilo que faz bateria, que faz chip, que faz celular", e perguntou: "Vocês têm pretensão de entregar isso para os Estados Unidos?". Em seguida, perguntou se Flávio vai participar do Escudo das Américas, que descreveu como governos da América Latina "se subordinando" aos EUA.
  • Flávio, na tréplica: disse que o Escudo das Américas "nada mais é do que uma cooperação entre diversos países de todas as Américas para trocarem informação" e para fazer "uma asfixia financeira sobre os narcoterroristas". Afirmou: "Não é só com os Estados Unidos, não. É com a Argentina, é com Bolívia, é com vários países da América Central."

O contexto oficial:

  • O Escudo das Américas foi lançado pelo Departamento de Estado dos EUA em 7 de março de 2026, como iniciativa de cooperação em segurança entre países do continente contra cartéis e o narcotráfico.
  • O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás da China, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Flávio Bolsonaro aponta para si mesmo ao responder à pergunta sobre os Estados Unidos
Flávio Bolsonaro aponta para si mesmo ao responder à pergunta sobre os Estados Unidos. Foto: Reprodução/TV Band

Soberania

  • Lula, na réplica: "É notável, e é notado pelo povo brasileiro, que a família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos. (…) O irmão está lá, fazendo pressão, instigando o golpe contra o Brasil."
  • Flávio, na tréplica: "Hoje, sob o governo Lula, o Brasil está subordinado às organizações terroristas." Disse que, em seu governo, as Forças Armadas vão "tomar conta das fronteiras".

O que isso significa para brasileiros nos EUA

A relação entre Washington e Brasília afeta diretamente quem vive aqui:

  • Preços e produtos: a tarifa é cobrada na entrada da mercadoria nos EUA, do importador. Produtos brasileiros vendidos no mercado americano, de alimentos a calçados, podem ficar mais caros conforme a taxa que se aplica a cada item, que mudou com as exceções de 2025.
  • Empregos e negócios: empresas de brasileiros nos EUA que importam do Brasil, como mercados e distribuidoras, dependem das regras de cada produto na alfândega americana.
  • Agenda do próximo governo: a negociação das tarifas, as terras raras e a cooperação em segurança no continente estarão na mesa de quem for eleito em 25 de outubro de 2026.
Ilustração com as bandeiras dos EUA e do Brasil sobre o Capitólio, em Washington, e o Congresso Nacional, em Brasília, ao entardecer
Ilustração com as bandeiras dos EUA e do Brasil sobre o Capitólio, em Washington, e o Congresso Nacional, em Brasília, ao entardecer. Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA

Como votam os brasileiros nos EUA no 2º turno

  • Data: domingo, 25 de outubro de 2026, no horário local, das 8h às 17h, segundo o TSE.
  • Quem vota: quem tem título de eleitor com domicílio no exterior.
  • Onde: nos locais definidos pelos consulados do Brasil, segundo o Itamaraty. O local de votação pode ser consultado no site do TSE e no aplicativo e-Título. Veja também como votar no exterior.
  • Documento: documento oficial com foto ou o e-Título.
  • Quem não votar: deve justificar a ausência em até 60 dias após o turno, ou em até 30 dias após voltar ao Brasil, segundo o TSE.

Perguntas frequentes

O que Flávio disse sobre as tarifas dos EUA?
Flávio Bolsonaro disse que "ninguém trabalhou para tarifar a empresa brasileira" e que foi aos Estados Unidos "defender as empresas dos produtos brasileiros".

O que Lula perguntou sobre os EUA?
Lula perguntou sobre a "pressão" para os EUA taxarem o Brasil, se Flávio pretende "entregar" as terras raras brasileiras aos EUA e se vai participar do Escudo das Américas.

Qual é a tarifa dos EUA sobre o Brasil?
A Ordem Executiva 14323, de 30 de julho de 2025, criou uma tarifa adicional de 40%, que somada aos 10% já cobrados chegou a 50%, com exceções. Em novembro de 2025, parte dos produtos agrícolas saiu da taxa adicional, segundo a Casa Branca.

O que é o Escudo das Américas?
Uma iniciativa de cooperação em segurança entre países do continente, lançada pelo Departamento de Estado dos EUA em 7 de março de 2026, contra cartéis e o narcotráfico.

Quando é o 2º turno e como votam brasileiros nos EUA?
No domingo, 25 de outubro de 2026. Quem tem título no exterior vota nos locais definidos pelos consulados, das 8h às 17h no horário local, segundo o TSE.

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