Nesta matéria
O governo do presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre Cuba com uma nova rodada de sanções econômicas contra setores estratégicos da ilha e o reforço na fiscalização de cidadãos americanos que mantêm contato com empresas ligadas ao governo cubano. As medidas foram anunciadas nesta quinta-feira pelos departamentos do Tesouro e de Estado dos Estados Unidos.
As sanções atingem nove empresas estatais dos setores de mineração, metalurgia e construção, além da liderança do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, conhecido pela sigla ICAP. Segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a instituição seria responsável por patrocinar uma rede de subversão nos Estados Unidos voltada a identificar, cultivar e radicalizar cidadãos americanos.
Em comunicado, Rubio afirmou que, há poucos dias, o governo cubano teria usado o centésimo aniversário de nascimento de Fidel Castro para reforçar essa rede, levando um novo grupo de simpatizantes internacionais a Havana para se articular com autoridades do regime. O secretário de Estado declarou que a administração Trump não permitirá que uma potência estrangeira hostil se aproveite das liberdades americanas para enganar e corromper cidadãos dos Estados Unidos.
Detenções no aeroporto de Miami
As novas sanções foram anunciadas dias depois de uma operação no aeroporto de Miami, na qual vários cidadãos americanos que retornavam de Cuba após participar de eventos em homenagem ao aniversário de Castro foram brevemente detidos, segundo autoridades dos Estados Unidos. Parte deles teve celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos para inspeção, de acordo com as mesmas fontes.
Autoridades americanas estavam preparadas para submeter dezenas de ativistas que retornavam da ilha a uma triagem secundária, mas um número bem menor acabou se enquadrando nos critérios para o questionamento reforçado por agentes da alfândega e proteção de fronteiras (CBP), segundo os funcionários, que falaram sob condição de anonimato porque os detalhes da operação não haviam sido divulgados publicamente. Todos os detidos foram posteriormente liberados e autorizados a entrar no país.
Ainda de acordo com os funcionários, qualquer pessoa detida e depois liberada pode enfrentar processo judicial caso se comprove violação das sanções americanas, que proíbem qualquer tipo de transação com entidades estatais cubanas, incluindo restaurantes, hotéis e lojas. A situação dos celulares, laptops e tablets apreendidos permanece indefinida.
Quem foi sancionado
Entre os alvos das sanções está o presidente do ICAP, Fernando González Llort, que esteve entre cinco oficiais de inteligência cubanos presos nos Estados Unidos em 1998 e libertados em 2014. Também foram sancionadas a primeira vice-presidente da instituição, Noemí Ramona Rabaza Fernández, e a diretora para a América do Norte, Leima Martínez Freire.
No setor de metais, mineração e construção, as sanções recaem sobre uma empresa de produção de níquel, duas firmas especializadas na importação de produtos industriais pesados, uma companhia de recursos minerais, o Ministério da Construção de Cuba, uma empresa que fornece trabalhadores cubanos a entidades estrangeiras na ilha e duas empresas que importam veículos, peças automotivas e materiais de construção.
Pressão crescente sobre Havana
O governo Trump vem ampliando de forma constante a pressão sobre Havana, chegando a mencionar a possibilidade de intervenção militar mesmo em meio a um conflito envolvendo o Irã, além de reforçar sanções econômicas destinadas a cortar o financiamento do governo cubano. Um bloqueio ao petróleo imposto pelos Estados Unidos após a operação militar americana que derrubou o líder venezuelano Nicolás Maduro, cujo país fornecia petróleo gratuito a Cuba, agravou ainda mais a crise na ilha, que já enfrentava dificuldades econômicas.
A embaixada cubana não respondeu de imediato a pedido de comentário sobre as novas sanções. Cuba costuma denunciar as sanções americanas e o embargo imposto ao país há décadas, acusando sucessivas administrações dos Estados Unidos de atacar injustamente uma nação pobre e sua população por diferenças ideológicas e pela proximidade geográfica com os Estados Unidos.
O governo americano também intensificou uma campanha que descreve Cuba como grave ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. Em relatório divulgado no mês passado, o Departamento de Estado acusou o governo cubano de patrocinar ou apoiar, ao longo das últimas seis décadas, movimentos de esquerda e ativismo antiamericano dentro do território dos Estados Unidos.
Cuba vem mergulhando em crise há cerca de cinco anos, mas o bloqueio de petróleo imposto pelo governo Trump agravou ainda mais a situação. A falta de combustível para gerar eletricidade provocou apagões generalizados na ilha. O acesso ao transporte público praticamente desapareceu, a escassez de itens como medicamentos piorou, a jornada de trabalho foi reduzida para se adaptar aos cortes de energia e o turismo, considerado a principal fonte de renda do país, praticamente desapareceu.
