Rússia diz que está monitorando a tentativa ‘extraordinária’ de Trump de assumir o controle da Groenlândia

Gabriel Piziolo
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Resumo: O governo da Rússia classificou como “extraordinária” a possibilidade de os EUA assumirem o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, e afirmou que seguirá monitorando o tema. A fala ocorre após reuniões entre Washington, Copenhague e Nuuk e no contexto de exercícios militares no Ártico envolvendo aliados da OTAN.

Rússia critica e promete observar próximos passos

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a situação é “incomum, eu diria extraordinária do ponto de vista do direito internacional”. Segundo ele, declarações recentes do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sugerem que “o direito internacional não é prioridade” para Washington, e que o cenário “segue outra trajetória” — motivo pelo qual Moscou, “assim como o resto do mundo”, continuará acompanhando de perto.

A chancelaria russa também reagiu por meio de sua porta-voz, Maria Zakharova, que considerou “inaceitável” classificar China e Rússia como ameaça à Groenlândia, acusando países ocidentais de “padrões duplos”.

Reuniões em Washington e impasse diplomático

As declarações de Peskov vieram após uma rodada de conversas entre EUA, Dinamarca e Groenlândia sobre o futuro do território no Ártico. O encontro na Casa Branca — descrito como “franco, mas construtivo” pelo chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen — terminou sem avanço concreto. As partes, porém, decidiram manter o diálogo por meio de um grupo de trabalho de alto nível.

Trump tem defendido publicamente a aquisição da Groenlândia, alegando razões de segurança nacional e a necessidade de conter supostas ameaças de Rússia e China no Atlântico Norte e no Ártico. Em entrevista recente ao New York Times, ele afirmou que não “precisa do direito internacional”, dizendo que apenas sua “própria moralidade” e sua mente poderiam freá-lo — declaração que elevou o tom das críticas internacionais.

OTAN reforça presença no Ártico

Enquanto o impasse político continua, países da OTAN aceleram exercícios conjuntos na região. Dinamarca — responsável pela defesa da Groenlândia —, Alemanha, França, Suécia e Noruega confirmaram participação na operação “Arctic Endurance”, com pequenos contingentes deslocados para treinos de resistência no clima polar e coordenação logística. O objetivo oficial é aprimorar prontidão e interoperabilidade em ambiente ártico.

Por que importa para brasileiros

– Segurança e rotas: O Ártico ganha relevância militar e comercial, com impacto em rotas marítimas e cadeias de suprimentos que conectam EUA e Europa.
– Geopolítica e energia: Disputa por presença no Alto Norte pode afetar mercados de energia, mineração e logística — setores com empresas brasileiras ou investidores conectados aos EUA.
– Comunidade brasileira: Qualquer escalada geopolítica que envolva EUA e aliados tende a repercutir em políticas de segurança, defesa e até restrições logísticas que atingem quem vive, viaja ou faz negócios no país.

Panorama: A pressão dos EUA sobre a Groenlândia abre um novo capítulo na competição estratégica no Ártico, com Moscou e Pequim no radar de Washington. A reação russa aponta que o tema seguirá no topo da agenda de segurança europeia e norte-americana. Por ora, não há acordo político — apenas um canal de diálogo ativo e uma presença militar em crescimento na região.

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