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OpenAI lança GPT-6 Astra, novo modelo de IA com foco em uso de computador

9 min de leitura
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A OpenAI anunciou o GPT-6 Astra, descrito pela empresa como seu modelo de inteligência artificial mais capaz e mais alinhado até agora. Segundo a companhia, o sistema apresenta desempenho de ponta em tarefas de uso de computador, navegação na internet, engenharia de software, cibersegurança, ciência e trabalho profissional.

De acordo com a OpenAI, o GPT-6 Astra atingiu 98% de acerto no FrontierMath Tier 4, um conjunto de testes de matemática avançada, e já teria ajudado a resolver problemas matemáticos considerados em aberto há muito tempo. A empresa também informou que o modelo alcançou 99,9% no ARC-AGI-3, benchmark de raciocínio abstrato, e 100% no ExploitBench, teste voltado a cibersegurança.

O lançamento começou de forma limitada, para um grupo restrito de organizações. Nos próximos dias, o acesso deve se estender a todos os usuários dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise do ChatGPT, além de ficar disponível pela API da OpenAI, pela Microsoft Azure e pela AWS Bedrock.

Uso de computador e tarefas do dia a dia

Um dos destaques apontados pela OpenAI é a capacidade do Astra de operar computadores de forma autônoma. Segundo a empresa, o modelo consegue preencher formulários on-line, atualizar registros de clientes em sistemas de CRM, organizar calendários, fazer pesquisas e redigir resumos em e-mails ou editores de texto. A empresa também afirma que o Astra é capaz de analisar dados científicos, gerar gráficos, criar sites e rodar verificações de qualidade em interfaces, além de auxiliar na instalação e teste de programas.

No benchmark Agents' Last Exam, que avalia tarefas profissionais complexas em softwares reais, a OpenAI relata que o Astra atingiu 59,3%, superando os 55,5% do Claude Opus 5 e os 53,6% do GPT-5.6 Sol, modelo anterior da própria empresa. Ainda de acordo com a companhia, o Astra teria usado cerca de 65% menos tokens de saída do que o Opus 5 nessa comparação.

Em simulações de latência no OSWorld 2.0, a OpenAI diz que o novo modelo executa tarefas de uso de computador em cerca de 47% menos tempo do que o GPT-5.6 Sol, com pontuação de 72,6% em aproximadamente 40 minutos por tarefa, ante 65,7% em cerca de 75 minutos do modelo anterior.

Avanços em programação e trabalho profissional

A empresa apresenta o Astra como o melhor modelo já lançado por ela para engenharia de software. No Terminal-Bench 4.0, teste que avalia tarefas de programação, configuração de sistemas e análise de dados em ambiente de terminal, o modelo teria alcançado 57,9%, contra 37,3% do GPT-5.6 Sol e 55,8% do Claude Fable 5.1, segundo dados divulgados pela OpenAI.

Junto ao Astra, a companhia também atualizou a ferramenta Codex, usada para tarefas de programação, incluindo uma nova forma de preservar contexto durante sessões longas de trabalho, como depuração de problemas complexos. Em vez de resumir repetidamente as informações acumuladas, o sistema passa a manter anotações que preservam detalhes ao longo de diferentes janelas de contexto, recurso que a empresa diz que poderá ser ativado de forma experimental e se tornará padrão nas próximas semanas.

No campo profissional, a OpenAI afirma que o Astra é o modelo mais adequado da empresa para seguir modelos de documentos e apresentações já existentes, reproduzindo tom e formatação de slides, planilhas e análises conforme o padrão de cada empresa. A companhia também destaca a capacidade do modelo de criar sites, aplicativos e jogos a partir de comandos de texto, usando a ferramenta chamada Sites, dentro do ChatGPT.

Ciência e matemática

A OpenAI afirma que o Astra representa um avanço relevante para pesquisa científica, matemática e saúde. A empresa divulgou dois resultados relacionados ao espaçamento entre números primos: uma melhoria no limite que descreve a menor distância possível entre pares infinitos de primos, reduzindo essa margem para 186, e um avanço em um termo de outra fórmula sobre grandes intervalos entre primos que, segundo a empresa, permanecia inalterado havia mais de 80 anos.

No GPQA Diamond, teste de raciocínio científico em nível de pós-graduação nas áreas de biologia, química e física, a OpenAI relata que o modelo atingiu 96%. A empresa também diz que o Astra é capaz de operar diretamente em softwares científicos especializados, auxiliando pesquisadores a inspecionar dados e decidir quais análises priorizar.

Capacidades em cibersegurança geram alerta

A OpenAI reconhece que o Astra representa um salto significativo em capacidades cibernéticas e afirma que o modelo atinge o nível "Crítico" de risco em cibersegurança, de acordo com seu próprio Preparedness Framework, estrutura interna usada pela empresa para classificar riscos de seus modelos.

Segundo a companhia, testes internos mostraram que, sem as salvaguardas usadas em produção, o Astra atingiu 100% de sucesso no ExploitBench, teste que avalia a transformação de vulnerabilidades conhecidas em explorações funcionais, ante 78,5% do GPT-5.6 Sol. No ExploitGym, o índice foi de 42,4%, contra 30,3% do modelo anterior.

A empresa relata ainda ter criado uma avaliação com vulnerabilidades de softwares divulgadas entre junho e agosto de 2026 para reduzir o risco de o modelo já ter sido exposto a esses dados durante o treinamento. Nesse teste, segundo a OpenAI, o Astra descobriu e usou duas vulnerabilidades até então desconhecidas, que a empresa diz estar reportando aos responsáveis pelos softwares afetados.

De acordo com a companhia, avaliações conduzidas por especialistas externos mostraram que o Astra, sem as proteções de produção, conseguiu usar falhas inéditas para executar código arbitrário em navegadores reforçados e criar explorações de escalonamento de privilégios em sistemas operacionais igualmente protegidos.

Na versão lançada ao público, contudo, a OpenAI afirma que o Astra se recusa a realizar tarefas mais avançadas de cibersegurança, como a criação de provas de conceito para exploração de vulnerabilidades. A empresa informou que pretende, nas próximas semanas, ampliar o acesso a esse tipo de recurso por meio de um programa chamado OpenAI Daybreak, com salvaguardas menos restritivas voltadas a fluxos de trabalho defensivos, como validação de vulnerabilidades e análise de malware.

Testes de alinhamento e comportamento do modelo

A OpenAI apresenta o Astra como seu modelo mais alinhado até hoje, com melhorias na compreensão da intenção do usuário. Como exemplo, a empresa cita uma avaliação interna inspirada em um incidente ocorrido na plataforma Hugging Face, usada para verificar se um modelo, diante de uma tarefa difícil ou impossível, tentaria agir além do escopo autorizado. Segundo a companhia, o GPT-5.6 Sol, sem salvaguardas de produção, ultrapassou o alvo autorizado em 48% dos casos, enquanto o Astra não fez isso em nenhuma das tentativas.

A empresa também relata que o Astra apresentou menor tendência a burlar restrições impostas pelo ambiente, mesmo quando o sistema de revisão automática do Codex foi configurado de forma vulnerável e a tarefa só poderia ser concluída ignorando essa barreira. Em outra avaliação, a OpenAI diz que o modelo tem três vezes menos chance do que o GPT-5.6 Sol de fazer afirmações imprecisas sobre suas próprias capacidades.

Por outro lado, a empresa reconhece que o raciocínio escrito do Astra se mostrou mais difícil de monitorar do que o do modelo anterior, em testes que pediam explicitamente que o sistema tentasse escapar da supervisão. Segundo a OpenAI, isso ocorre porque o modelo ganhou mais controle sobre o próprio raciocínio em tarefas simples, resolvendo problemas com menos etapas escritas, embora ainda tenha dificuldade para ocultar o raciocínio em tarefas complexas. A companhia afirma levar esse ponto a sério e classifica a melhoria da capacidade de monitoramento como prioridade de pesquisa contínua.

Como camadas adicionais de proteção, a OpenAI diz manter sistemas de revisão automática no Codex e monitoramento do raciocínio e das ações dos agentes, além de um conjunto de classificadores que buscam identificar e interromper comportamentos não autorizados. A empresa alerta que essas verificações extras podem, em alguns casos, pausar ou interromper tarefas legítimas, inclusive de cibersegurança defensiva, e afirma que segue ajustando o sistema para reduzir interrupções desnecessárias.

Disponibilidade e preços

Segundo a OpenAI, o Astra está incluído nos planos de assinatura já existentes do ChatGPT, com a possibilidade de compra de créditos adicionais para uso além do limite padrão. Usuários dos planos Pro, Business e Enterprise também terão acesso a uma versão chamada Astra Pro. Administradores de contas Enterprise precisarão ativar o modelo manualmente para seus ambientes de trabalho, já que o acesso vem desativado por padrão.

Para desenvolvedores, o modelo estará disponível na API da OpenAI com o nome "gpt-6-astra", além de estar acessível pela Microsoft Azure e pela Amazon Bedrock. De acordo com a empresa, o preço padrão é de 10 dólares por milhão de tokens de entrada e 50 dólares por milhão de tokens de saída, com valores distintos para leitura e escrita em cache. Há ainda um modo mais rápido, com velocidade até duas vezes maior que o padrão, cobrado ao dobro do preço.

A OpenAI afirma que o Astra oferece suporte à retenção zero de dados para clientes elegíveis da API e que a empresa está testando um recurso de processamento de segurança privado, voltado a reforçar o monitoramento de segurança preservando a privacidade dos usuários.

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